Sua informação vale muito dinheiro e é com ela que as empresas definem seu perfil e seus gostos e, consequentemente, o que colocar na tela do seu smartphone ou computador

26 de Abril de 2018 - 09h06

O mundo ficou chocado com o vazamento de dados do Facebook para a Cambridge Analytica, empresa de marketing político que atuou em várias campanhas, incluindo a de Donald Trump. O caso afetou 87 milhões de usuários do Facebook, sendo 443 mil somente no Brasil. Este não é um caso isolado, não foi o primeiro e não será o último, pelo simples motivo de que as pessoas não se importam, desconhecem ou mesmo não querem saber sobre como suas informações são tratadas na web.

Em uma pesquisa, batizada de AIR e desenvolvida pela A10 Networks por meio do Relatório de Inteligência de Aplicativos, foi constatado que 81% dos brasileiros não se veem como responsáveis pela segurança de seus aplicativos no ambiente corporativo. Na primeira fase da pesquisa, os brasileiros consideram aplicativos tão importantes como comer, beber e respirar e também foi respondido, por um em cada três participantes, que apenas tenta não pensar sobre ciberataques.

É preciso entender que, como na vida real, sempre que mostramos algo em um local público, estamos nos expondo a qualquer desconhecido que estiver por ali. No caso da internet, estamos nos expondo a qualquer pessoa conectada no mundo. Quando deixamos abertas as travas de privacidade, que muitas vezes são públicas por padrão, estamos assumindo riscos.

Por outro lado, existem modelos na web que não existiam antigamente. Uma rede social é uma pesquisa rápida e automática de padrões de comportamento e consumo. Não se engane, serviços “gratuitos” têm um preço – não existe byte grátis. É como o antigo pesquisador que batia na porta das pessoas para perguntar sobre qualquer produto e depois chegavam cartas e mais cartas de propaganda e até livretos sobre o assunto. Isso era o início do SPAM.

Podemos ver pelos ganhos publicitários informados por algumas empresas: Amazon US$ 1,735 bilhões (cresceu 62% em 12 meses), Facebook US$ 39,94 bilhões em 2017 e Google US$ 27,2 bilhões, apenas no último trimestre do ano passado. Ou seja, sua informação vale muito dinheiro. É com ela que as empresas definem seu perfil e seus gostos e, consequentemente, o que colocar na tela do seu smartphone ou computador.

Quando você faz comentários no Facebook, posta uma foto no Instagram, manda um e-mail no Gmail ou Outlook, enfim, em qualquer uma dessas ferramentas “gratuitas”, saiba que está alimentando um banco de dados gigantesco. E você foi avisado. Lembra daqueles avisos “você concorda com os termos de uso”? Ou “você permite que este aplicativo tenha acesso à câmera e microfone”? Se você diz “sim”, está abrindo a sua privacidade para uma empresa, que pode até não associar os dados diretamente à sua pessoa, mas a inteligência artificial e o machine learning estarão estudando você.

Os serviços vendem esse Big Data gerado por todos nós para empresas como a Cambridge Analytica, que vai usar os dados para seus negócios, sejam eles bons, ruins, legais ou ilegais. Na maioria das vezes, as pessoas concordam em pagar o “preço do gratuito”, com informações sobre sua vida pessoal.

Por isso, lembre-se, ao usar uma rede social ou serviço gratuito, o produto no caso é você.

*Heloisa Brites Bisca é Account Manager da A10 Networks