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Modelos disruptivos: Uma nova forma de fazer negócio

A ideia de substituir papeladas, filas e horas de espera por apenas alguns cliques via celular em processos online, por exemplo, facilita o dia a dia dos consumidores

17 de Novembro de 2017 - 13h49

O mercado brasileiro está passando por um momento de total disrupção nos mais variados setores graças a tecnologia, que aparece como peça-chave nesse movimento de mudança. Segundo levantamento do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), as empresas consideradas “Mestres em Transformação Digital” são, em média, 26% mais lucrativas. Já dados da IDC mostram que 60% dos investimentos das organizações até 2020 serão direcionados às transformações digitais.

Diante deste cenário, é preciso estar à frente para não acabar comprometendo o futuro do seu negócio. Hoje, vivemos em uma sociedade de jovens Millennials que estão à procura de inovação e processos cada vez mais digitais, práticos e ágeis, não se contentando mais com serviços burocráticos. Por outro lado, com a tecnologia também cada vez mais presente no dia a dia de pessoas das mais diferentes gerações, todos vem buscando soluções mais rápidas e eficientes. Por isso, é importantíssimo se adequar a essas novas demandas, aproveitando o boom da conectividade presente em praticamente todos os momentos. Isso mostra o quanto esse movimento de transformação é indispensável para o futuro das empresas disruptivas, que devem utilizar as novas tecnologias a favor do seu negócio.

Em 2008, quando resolvi aceitar o desafio de estruturar a área de crédito imobiliário do Conglomerado Financeiro Barigui, parte do Grupo paranaense Barigui, ainda não imaginava o quanto estas mudanças digitais seriam fundamentais para mudar o rumo da empresa e fazê-la alcançar o sucesso. Assim, desenvolvemos o produto no modo “old school”, com muito aprendizado e crescimento.

Foi depois de estudar bastante sobre empreendedorismo durante meu MBA na Kellogg School of Management (EUA), que consegui pensar fora da caixa e perceber que a tecnologia tinha que ser o centro do nosso projeto para ser inovador e para fazer o negócio dar certo. Isso porque tínhamos um produto com enorme potencial, mas que não se sustentava no mercado atual graças as novas demandas de tecnologia e análise de dados. Dessa forma, após um ano de projeto, decidimos recomeçar tudo do zero, melhorando nossos processos com investimento em tecnologia. Foi quando, efetivamente, nasceu a Bcredi como fintech voltada ao crédito imobiliário.

Agindo e pensando em modelos disruptivos, o mercado das fintechs hoje, no país, representa muito para a economia, com um potencial de faturamento de R$ 75 bilhões nos próximos dez anos. Com a maioria dos brasileiros insatisfeitos com os serviços prestados pelos bancos, estas empresas vêm inovando em um mercado historicamente tradicional ao trazerem alternativas para quem busca produtos mais eficazes e com menores custos.

Em relação à identidade destas empresas, é interessante focar em suas principais características: otimização de processos, modelo inovador, redução de custos, agilidade na tomada de decisões, garantia de novas experiências ao cliente e criação de produtos e soluções que, de fato, resolvam problemas que afetam um grande número de pessoas – aquelas que irão consumir o seu produto.

Trabalhando todos esses fatores em conjunto é possível gerar serviços realmente inovadores com produtos mais acessíveis e dinâmicos. A ideia de substituir papeladas, filas e horas de espera por apenas alguns cliques via celular em processos online, por exemplo, facilita o dia a dia dos consumidores e vai ao encontro da praticidade que eles esperam. Ademais, isso permite baratear custos e oferecer novas oportunidades ao cliente, utilizando maneiras simples de se comunicar, facilitando os processos e se colocando no mercado como uma empresa criativa e diferente – o que agrada, e muito, a nova geração. 

Além da transformação digital, é importante lembrar também que, para inovar, não basta apenas mudar a estrutura da empresa, mas também a mentalidade de seus colaboradores. Uma equipe engajada em inovação, que pensa fora da caixa e propõe soluções diferenciadas, é fator essencial para o crescimento de uma startup.

*Maria Teresa Fornea é cofundadora da Bcredi, fintech que oferece crédito imobiliário em um processo 100% online.