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Moda, roupas inteligentes e o futuro corporativo da tecnologia wearable

As possibilidades para os dispositivos vestíveis são ilimitadas e é animador observar para onde empresas estão levando essa tecnologia

24 de Fevereiro de 2016 - 19h03

Imagine o seguinte cenário: Um representante de um serviço de atendimento ao cliente está ajudando uma pessoa ao telefone, já bastante irritada, sem contudo conseguir esconder a sua perturbação e irritação. Com o aumento da interação, ao invés de apenas ouvir sobre o incidente, os gerentes de atendimento são capazes de intervir e oferecer uma assistência adequada, a partir do acesso aos sinais vitais e de saúde do cliente. Ou então, imagine que um dos motoristas de sua frota, exausto, adormece ao volante e um gestor é capaz de falar com ele e conduzi-lo com segurança a uma área de descanso, graças ao acesso de seus sinais de saúde. Tudo isso e muito mais, tonou-se possível, graças à tecnologia wearable.

A ascensão da Tecnologia Wearable

A tecnologia wearable não é nova, entretanto suas aplicações para as empresas de serviço ao cliente só agora estão sendo utilizadas de maneira mais efetiva. Um estudo de 2013 realizado pelo Centro de Tecnologia Criativa e Social da Goldsmiths, da Universidade de Londres, revelou que cerca de 33% dos adultos do Reino Unido e dos Estados Unidos descobriram que a tecnologia wearable ajudou no desenvolvimento de suas carreiras. Outra pesquisa sobre Human Cloud no Trabalho apontou que a tecnologia wearable aumenta a satisfação no trabalho em 3,5% e a produtividade dos funcionários em 8,5%.

De acordo com o pesquisador Chris Bauer em entrevista ao Portal RealBusiness, os resultados do estudo revelam "a aplicação e o poder potencial dos dispositivos wearable no local de trabalho a partir de currículos biométricos dos funcionários e painéis executivos organizacionais em tempo real para a alocação de recursos. Utilizando os dados gerados a partir desse tipo de dispositivo, as empresas podem aprender como o comportamento humano impacta na produtividade, desempenho, bem estar e satisfação no trabalho”.

A adoção da tecnologia wearable aumentará à medida que as pessoas e empresas visualizem seus benefícios, incluindo como ela melhora a vida de um indivíduo ou o desempenho de uma organização. O CTO da Rackspace no Reino Unido, Nigel Beighton, vê a necessidade de empresas e profissionais analisarem os dados da tecnologia wearable "e compreenderem o contexto mais amplo em torno dessas informações, como a localização, tempo, postura e até mesmo a temperatura e o humor de cada indivíduo. Com foco nesses dados, assim como nos dispositivos, as tecnologias vestíveis podem fornecer insights significativos para otimizar o desempenho e a satisfação. Especialmente tecnologia wearable acompanhada de big data".

Roupas Inteligentes como ferramenta de negócios

O uso de roupas inteligentes para monitorar os sinais vitais e de saúde dos trabalhadores tornou-se uma realidade. De acordo com a empresa Wearable Technologies, 2015 foi um "ano excepcional" para o emergente mercado de relógios e roupas inteligentes. Um dos recursos mais importantes das roupas e relógios inteligentes são os sensores e monitores de sinais vitais relacionados à saúde. As roupas inteligentes oferecem feedback em tempo real dos sinais vitais e de saúde dos usuários e se conectam a aplicativos para reportar as informações para smartphones e computadores. A maioria das roupas inteligentes pode monitorar as frequências cardíaca e respiratória, padrões de sono, temperatura, calorias queimadas e intensidade da atividade.

Apesar da maioria das roupas inteligentes estar no mercado de saúde e fitness, esta tecnologia começa a ser disponibilizada para o setor de saúde - em hospitais e instalações de cuidados pessoais ou para bebês - auxiliando os novos pais no acompanhamento de padrões de saúde e sono, e para empresas que desejam monitorar seus funcionários.

Roupas Inteligentes e a Força de Trabalho em Campo

As empresas estão cada vez mais se tornando móveis, com mais trabalhadores em campo e fornecedores independentes que dependem como nunca de dispositivos e aplicativos móveis. De acordo com um artigo do Portal CIO, uma recente pesquisa da Apperian revelou que mais de 70% das empresas entrevistadas planejam equipar mais de 1.000 funcionários com aplicativos móveis e 1/3 está implementando aplicativos móveis em mais de 5.000 trabalhadores nos próximos dois anos. Além disso, o Gartner prevê que 50% dos empregadores exige que seus funcionários forneçam seu próprio dispositivo para o trabalho e relata que 38% das empresas devem parar de fornecer dispositivos para os trabalhadores em 2016. À medida que mais companhias adotam políticas de BYOD, torna-se crucial para a força de trabalho em campo ser capaz de carregar seus dispositivos de maneira rápida e fácil, enquanto estão em movimento.

A tecnologia wearable e as roupas inteligentes estão resolvendo este problema. Enquanto estilistas estão se inspirando em painéis solares flexíveis e criando roupas e acessórios que acomodam dispositivos portáteis, encontramos alguns designers que estão criando desde camisas, às calças de brim, jaquetas de esqui e luvas de inverno que poderiam facilmente fazer parte da força de trabalho em campo.

Wearable Solar - A designer de moda holandesa, Pauline Van Dongen, está criando trajes leves conectados que incluem painéis solares para que o usuário possa carregar seu smartphone. Suas criações carregam até 50% da carga total de um smartphone quando utilizadas no sol por uma hora. Ela colaborou com Christiaan Holland, da Universidade HAN de Ciências Aplicadas e com o especialista em energia solar, Gert Jan Jongerden, no projeto Solar Wearable, para integrar a tecnologia fotovoltaica em roupas confortáveis e na moda.

Wearable, como este vestido, poderia ser uma solução de software móvel que permite aos funcionários para carregar seus telefones sem a necessidade de estar perto de uma tomada.

Agloves – Fazer parte de uma equipe de trabalho em campo pode ser muito difícil no inverno, pois é quase impossível usar smartphones e tablets com luvas, já que as luvas típicas não são sensíveis ao toque das telas dos dispositivos. É nesse momento que a Agloves aparece. A empresa oferece uma variedade de luvas aderentes construídas com prata para aquecer e gerar condutividade, de modo que todos os dez dedos tornam-se veículos condutores para o uso em qualquer dispositivo touchscreen.

As possibilidades para os wearables no mercado são ilimitadas e é animador observar para onde empresas e designers estão levando essa tecnologia. Assim como a previsão dos analistas do setor, acreditamos que a tecnologia wearable trará ganhos exponenciais em satisfação e produtividade tanto para os representantes de serviço ao cliente como para os funcionários da força de trabalho em campo.

*Alexsandro Labbate é gerente sênior de marketing da ClickSoftware para as Américas.