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Mercado global de servidores registra ligeira queda em 2016

A receita caiu 2,7% e o número de servidores comercializados aumentou 0,1% ao longo do ano passado, aponta estudo do Gartner

13 de Março de 2017 - 14h06

As remessas mundiais de servidores diminuíram 0,6% e a receita, 1,9%, no quarto trimestre de 2016, em relação ao mesmo período do ano anterior. No ano, embora o número de servidores comercializados tenha crescido 0,1%, a receita caiu 2,7%, de acordo com o Gartner.

"Alguns fatores peculiares geraram esses resultados. O número de data centers de grande escala, como os do Facebook e do Google, aumentou, demandando, ao mesmo tempo, uma mudança significativa de servidores. As empresas tiveram um índice menor de crescimento, mas continuaram utilizando aplicações em servidores por meio da virtualização e, em alguns casos, em provedores de serviços em nuvem", explica Jeffrey Hewitt, vice-presidente de pesquisas do Gartner.

Do ponto de vista regional, a Ásia/Pacífico foi a única região a apresentar crescimento positivo tanto em receita quanto em remessas no quarto trimestre de 2016. Todas as outras localidades registraram queda, sendo que a América Latina teve a maior diminuição no número de remessas de servidores (12,2%), enquanto a região EMEA (Europa, Oriente Médio e África) caíram 14,7% em termos de receita.

No quarto trimestre de 2016, a Hewlett Packard Enterprise (HPE) liderou o mercado mundial de servidores em receita (veja Tabela 1). A companhia fechou o ano com um total de US$ 3,4 bilhões em receita no quarto trimestre de 2016 e 22,9% de participação global. Entretanto, esse rendimento caiu 11% comparado ao mesmo período em 2015.

Todos os cinco maiores fabricantes apresentaram declínio na receita no quarto trimestre de 2016. Mesmo assim, as receitas com servidores da Dell e da Fujitsu tiveram declínios menores — de 7,8% e 5,5%, respectivamente — do que o mercado como um todo, que foi de 11,4%. Já a queda da receita da IBM acelerou no quarto trimestre. O recuo nas vendas de servidores da empresa passou de 20% no terceiro trimestre para 34,7% no quarto de 2016, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A decisão da IBM de não operar mais no mercado de máquinas com processador x86 deixou a empresa ainda mais exposta às oscilações da demanda de servidores high-end, que já estão sofrendo com quedas cíclicas. A demanda por servidores x86 cresceu 1,1% em termos de receita, porém, o número de remessas caiu 0,3% no quarto trimestre de 2016.

Em termos de remessas de servidores, a somente a Dell e a Huawei apresentaram crescimento no quarto trimestre. A Dell cresceu 6,5% e assumiu a liderança em remessas globais de servidores, com crescimento de 11,4%. Esse desempenho consistente ajudou a empresa a aumentar sua parcela de mercado em 3,5% com relação ao ano anterior, atingindo 19,1% de participação de mercado. Isso aconteceu em grande parte por conta da líder HPE. O número de servidores da HPE comercializados caiu 16,3% com relação a 2015 e a empresa sofreu uma perda de 5,1% de participação no quarto trimestre de 2016.

Já a Huawei registrou o maior crescimento em remessas de servidores no ano, com um aumento de 64% com relação ao mesmo período no ano passado (veja Tabela 2) e já preocupa os grandes nomes conhecidos do mercado mundial. O forte crescimento de 54,6% no número de unidades comercializadas no quarto trimestre de 2016 foi resultado da sua habilidade de utilizar seus pontos fortes tanto em mercados de tecnologia adjacentes como em regiões emergentes.

“O quarto trimestre não encerrou o ano com destaque, conduzindo uma queda maior no segundo semestre do que no primeiro. O volume de remessas de servidores em 2016 na EMEA caiu 4,2% e a receita, 8%, comparada com 2015. No geral, a demanda por uma ampla gama de tipos de compradores foi fraca em toda a região”, explica Adrian O’Connell, diretor de pesquisas do Gartner.

“As companhias incumbentes enfrentam cada vez mais desafios, enquanto os fabricantes originais e os fornecedores da China estão cada vez mais se destacando devido aos seus investimentos para crescimento em longo prazo e sua presença em mercados de tecnologia adjacentes”, afirma O’Connell.

"2016 foi um ano desafiador para os fabricantes de servidores na EMEA e essa queda não demonstra sinais de mudança de direção nesse momento”, afirma O'Connell. "Os níveis de incerteza no cenário político e econômico nessa região não vão diminuir em curto prazo. Isso, combinado com um ambiente competitivo também muito desafiador, deixará as coisas ainda mais difíceis para as empresas incumbentes. Os fabricantes de servidores precisam se superar na execução e se arriscar para retomar o crescimento na EMEA.”