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Mercado ainda ignora o lado sombrio da Internet das Coisas

Relatório da Telefónica conclui que benefícios da IoT têm como contrapartida o cuidado necessário para evitar riscos de ciberataques

19 de Fevereiro de 2016 - 15h04

"Todo mundo está focado em oportunidades de inovação oferecidas pela Internet das Coisas, mas até agora relativamente pouco tem sido dito de seu lado mais sombrio", afirma John Moor, diretor do The Internet of Things Security Foundation, para advertir: "Se não tivermos cuidado, podemos ficar em apuros sem perceber. E alguns deles, sem precedentes".

Um novo relatório divulgado pelo Grupo Telefónica conclui que muitos benefícios da IoT em uma sociedade hiperconectada exigem, como contrapartida, um cuidado extra para evitar riscos catastróficos causados pelos ciberataques.

O documento foi preparado pelas divisões de cibersegurança da operadora, em parceria com uma série de organizações que operam no domínio da segurança cibernética, como o CICTE (Comitê Interamericano contra o Terrorismo da OEA), o NMI (National Microelectronics Instituto), a Telematics Grupo de Engenharia da Universidade de Cantabria, Future Technologies Kapersky Lab, SIGFOX e Intel Corporation Iberia.

O estudo defende a construção de políticas e regulamentações, com uma maior colaboração entre os desenvolvedores e operadores para promover a compreensão generalizada da segurança cibernética e assim criar defesas consistentes contra as constantes ameaças.

"Não se trata apenas da privacidade de dados e da segurança de nossas identidades digitais", comenta Chema Alonso, CEO da ElevenPaths, subsidiária de cibersegurança da Telefónica. "Nos próximos anos vamos viver rodeados de dispositivos conectados à Internet que digitalizarão cada um de nossos passos, convertendo nossa atividade diária em informações, distribuindo qualquer interação pela rede e interagindo conosco em função destas informações".

Para Belisario Contreras, gerente de programa para o comitê interamericano contra o terrorismo da Organização dos Estados Americanos (OEA), a IoT está deixando rapidamente obsoletas as leis necessárias para regulamentar e padronizar as medidas de segurança.

"A velocidade do desenvolvimento também está afetando problemas de compatibilidade, como medidas de segurança para alguns dispositivos e plataformas podem não ser compatíveis com outras ao aparecer versões mais recentes", comenta o executivo.

Alonso reforça que o futuro da Internet das coisas ainda é incerto, “mas apenas através da cooperação e experiência acumulada podemos conseguir partir de uma base segura", reintera.