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Mais da metade da população global continua sem acesso à internet, diz relatório da ITU

Embora os números estejam melhorando, estudo da ITU mostra que apenas 47,1% da população hoje está online, o que significa que quase 53% não têm acesso à rede mundial

28 de Novembro de 2016 - 09h39

Menos da metade da população mundial tem acesso à internet, embora os números estejam melhorando, de acordo com relatório da União Internacional de Telecomunicações (ITU), órgão das Nações Unidas. O documento, divulgado esta semana, mostra que 47,1% da população hoje está online, o que representa um aumento de 43% na comparação com 2015.

A expansão das redes móveis ao redor do globo tem desempenhado um papel importante no aumento da conectividade à internet. Segundo o relatório, neste ano, as redes de banda larga móvel atingiram um índice de cobertura 84% da população mundial, mas o número de usuários com acesso à rede mundial está bem abaixo.

"A implantação de infraestrutura é crucial, mas os altos preços e outras barreiras permanecem desafios importantes para que mais pessoas possam ingressar no mundo digital", alerta o relatório. "Isto sugere que muitas pessoas ainda não se beneficiam plenamente das oportunidades trazidas pela internet", completa o texto.

Para o analista Zeus Kerravala, da ZK Research, é preciso haver mais ideias sobre como difundir o acesso à internet. "No Canadá, por exemplo, eles implantam fibra em todas as escolas e, em seguida, a conexão da escola é liberada para regiões da cidade nas quais as pessoas não têm conexão", conta ele. "Precisamos de um plano como esse na Índia ou na China rural."

Embora grande parte do crescimento do uso da internet venha dos países em desenvolvimento, muitas pessoas nesses países não possuem ou usam telefone celular. A Coreia do Sul é a que tem os níveis mais altos de conectividade e de uso da internet, enquanto as nações africanas do Níger, Chade, Guiné-Bissau e Sudão do Sul são as que têm o nível mais baixo.

"Acho que vamos ver um grande aumento de conectividade," disse Kerravala. "É um problema global que diz respeito a todos. O Facebook e o Google não deveriam estar trabalhando nisso sozinho. Nós precisamos mais de grandes ideias. Eu gostaria de ver a Microsoft e a Amazon trabalhando nisso também

Índice de desenvolvimento de TICs

O relatório que mensura o índice de desenvolvimento da sociedade da informação nos países é amplamente reconhecido como o mais confiável e imparcial repositório de dados globais e análise sobre o estado de desenvolvimento global das tecnologias da informação e comunicações (TICs) e é usado como parâmetro por governos, organizações internacionais, bancos de desenvolvimento, analistas, investidores e o setor privado em todo o mundo.

A Coreia do Sul ficou pelo segundo ano consecutivo no topo do ranking do índice de desenvolvimento global de TICs (IDI). Entre os dez países com o melhor IDI também estão outras economias da região Ásia-Pacífico e sete países europeus. Três países insulares do Caribe ─ St. Kitts e Nevis, Dominica e Grenada ─ foram destaque como os mais dinâmicos, com fortes melhorias no IDI.

"Os resultados deste ano mostram que quase todos os 175 países cobertos pelo índice melhoraram seus valores de IDI entre 2015 e 2016," disse Brahima Sanou, diretor do birô de desenvolvimento das telecomunicações da UIT, que produz o relatório anual. "Durante o mesmo período, fortes melhorias foram feitas na utilização das TIC, de acesso, resultado principalmente do forte crescimento da banda larga móvel global. Isto permitiu que um número crescente de pessoas, em particular do mundo em desenvolvimento, passasse a fazer parte da sociedade da informação, beneficiando-se de muitos serviços e aplicativos fornecidos através da internet."

De acordo com o estudo, a Europa continua a liderar em desenvolvimento das TIC. Tinha o maior valor médio de IDI entre as regiões do mundo (7,35). Países europeus têm liderado os mercados de comunicações com altos níveis de acesso e uso das TICs.

O número de países das Américas também melhorou significativamente o seu desempenho no IDI, embora no Brasil, Bolívia, México, Argentina e Chile o índice de desconectados ainda esteja entre 26% e 50%. A Bolívia e o México, particularmente, fizeram progressos visíveis no desempenho de IDI. Semelhante a outras regiões, o crescimento da banda larga móvel influiu nos resultados.

A Comunidade dos Estados Independentes (CEI, formada por 11 países da antiga União Soviética) e a Europa apresentam percentual de 33,4% e 20,9% de pessoas offline, respectivamente. Contudo, é a região mais homogênea em termos de desenvolvimento das TICs. Quase todos os países da CEI têm valores de IDI acima da média global. Todos os países também melhoraram seus valores IDI como resultado da telefonia móvel e banda larga móvel.

A região Ásia-Pacífico, por outro lado, é a mais heterogênea. As principais economias da região têm valores IDI acima de 7,50. A região também aumentou o número de países que elevaram significativamente o seu valor de IDI ao longo do ano, incluindo o Butão, Mianmar e Malásia. No entanto, nove de 34 países da região, incluindo vários com grandes populações, são países menos conectados.

A África conseguiu elevar seu desempenho de IDI. O valor médio de IDI da região foi de 2,48 pontos, pouco mais de metade da média global de 4,94. A maioria dos 39 países africanos são países menos desenvolvidos. Isto reflete no menor nível de desenvolvimento econômico, o que inibe o desenvolvimento das TIC. O maior crescimento alcançado foi o número de assinaturas de celular, em contraste com outras regiões, em que o número de assinaturas de banda larga móvel experimentou o maior crescimento.