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Maioria das empresas está disposta a pagar mais por recursos da 5G, diz pesquisa

Empresas das áreas de manufatura, serviços e governo, por exemplo, são menos propensas a pagarem um valor mais elevado por 5G do que operadoras de telecom

23 de Agosto de 2017 - 17h58

A grande maioria das empresas (75%) estariam dispostas a pagar mais por internet móvel 5G, de acordo com uma recente pesquisa global do Gartner. Apenas 24% dos entrevistados não pagariam mais por serviços 5G do que por 4G. O levantamento foi realizado com mais de 200 líderes de empresas de TI do Círculo de Pesquisas do Gartner no segundo trimestre deste ano. O objetivo foi entender como a demanda por 5G está crescendo e os planos de adoção dessa tecnologia.

“Os entrevistados da indústria de telecomunicações são mais propensos a aceitarem pagar mais do que aqueles de os de outros setores”, diz Sylvain Fabre, diretor de pesquisas do Gartner. “As organizações que são usuárias finais nas áreas de manufatura, serviços e governo, por exemplo, são menos propensas a pagarem um valor mais elevado por 5G do que companhias de telecom, que estão dispostas a pagar um extra para uso interno do 5G.”

Figura 1: Quanto mais as organizações estão dispostas a pagar por recursos de 5G?

Além de oferecer melhores preços para as indústrias em que os usuários estão menos convencidos dos benefícios da tecnologia 5G para os negócios, os provedores de serviços de comunicações (CSPs) devem criar propostas de valor que instiguem os clientes a começarem projetos de migração para o 5G mais cedo.

Apesar da maior parte dos entrevistados achar que suas organizações estão preparadas para pagar mais pela 5G, poucos (8%) esperam que que a tecnologia reduza custos ou aumente o rendimento. Ela é vista principalmente como uma evolução de rede (59%) e apenas secundariamente como uma facilitadora de negócios digitais (37%). A pesquisa também revela que os participantes do setor de telecomunicações são menos persuadidos do que aqueles de outras indústrias sobre a capacidade da 5G de aumentar a receita. “Eles tendem a ver a tecnologia como uma questão de gradual e inevitável mudança de infraestrutura, em vez de uma oportunidade para gerar nova receita”, diz Fabre.

Internet das Coisas como uso número 1 para o 5G

A pesquisa aponta que quase metade dos entrevistados pretende utilizar 5G para acessar vídeos e recursos fixos wireless. Mais interessante é que, no entanto, a maior parte deles (57%) acredita que as principais intenções de suas organizações são de utilizar a 5G para suportar a comunicação com a Internet das Coisas (IoT).

“Essa descoberta é surpreendente, já que o número de ‘coisas’ no mercado que precisam de conexão móvel não excederá a capacidade de tecnologias móveis IoT antes de 2023 na maior parte das regiões”, afirma o analista. “E mesmo quando completamente implementado, a 5G apenas será necessária para uma parcela muito pequena dos casos de uso de IoT que requerem a combinação de altas taxas de dados e latência muito baixa. Além disso, a 5G não estará pronto para servir comunicações massivas entre máquinas ou comunicações de baixa latência e ultra confiáveis até o começo de 2020.”

Esses resultados também podem ser um sinal da confusão envolvendo a aplicabilidade da 5G, já que muitas alternativas bem estabelecidas e menos caras já existem para conectividade wireless IoT — o uso de Wi-Fi, ZigBee ou Bluetooth, por exemplo, evitariam a complexidade e o custo associados a comunicações móveis.

Um provável grau de incompreensão também é aparente na crença expressa pela grande maioria dos entrevistados (84%) de que a 5G estará disponível em larga escala até 2020. Em contraste, os planos dos CSPs indicam que esse nível de disponibilidade não deve ser atingido antes de 2022.

O Gartner prevê que, até 2020, apenas 3% dos CSPs donos de redes móveis do mundo terão lançado a rede 5G de forma comercial. “Apesar de equipamentos comerciais de rede compatíveis com os padrões 5G poderem já estar disponíveis em 2019, a implementação de redes e serviços 5G feitas pelos CSPs antes de 2019 provavelmente usarão equipamento pré-padronização”, completa Fabre.

As divisões de marketing dos CSPs precisam de projetos realísticos para cobertura 5G e performance característica para que possam se comunicar com os consumidores de forma precisa. Elas também precisam publicar planos claros de implementação da 5G para os anos 2019 a 2021 para ajudar os inovadores a entenderem quando e onde o 5G estará disponível para aplicações IoT.