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Machine learning e segurança: as estratégias da Aruba para entregar valor além das redes

Executivos Tiago Garjaka e Eduardo Gonçalves detalham estratégias e lançamentos da empresa de redes da HPE e reforçam papel dos CIOs como parceiros do negócio

07 de Dezembro de 2017 - 14h24

A Aruba Networks tem vindo de um longo caminho desde que foi lançada ao mercado em 2002. A trajetória da companhia, especializada em equipamentos de rede WLAN corporativa, reflete alguns dos contos exemplares do Vale do Silício: fundadores que se conheceram enquanto trabalhavam para outra empresa de tecnologia, troca de CEOs, IPO e, eventualmente, uma oferta bilionária de compra por parte de outra gigante do setor. A aquisição da Aruba pela HPE (Hewlett Packard Enterprise) acontecia em março de 2015 por US$ 3 bilhões. Na época, o mercado ainda estava incerto com o acordo, com analistas questionando se a compra seria positiva para ambos os lados.

Quase três anos depois, Tiago Garjaka, Vice-Presidente de Operações e Estratégia da Aruba, é confiante em dizer que a Aruba é "o grande caso de sucesso de crescimento da HPE". Garjaka e Eduardo Gonçalves, country manager da Aruba no Brasil, participaram da primeira edição do Atmosphere Regional, nessa quarta-feira (06/12) em São Paulo. Os dois executivos conversaram com a Computerworld Brasil durante o evento e detalharam estratégias da companhia com sede em Santa Clara, CA.

É certo que sob o guarda-chuva da HPE, a Aruba teve o seu caminho a uma gama maior de clientes, incluindo aí representantes de grandes corporações. O acordo também deu fôlego para assumir a linha de frente com a principal rival, a Cisco. Pela primeira vez, a Aruba superou a Cisco em 2017 no levantamento anual do Gartner, o "Critical Capabilities for Wired and Wireless LAN Access Infrastructure", que pontua fornecedores em uma variedade de capacidades de rede de uso corporativo. O Gartner deu a Aruba a mais alta pontuação em cada um dos seis casos de uso de rede. Na versão 2016 do relatório, que incluía cinco casos de uso, a Cisco ganhou quatro deles e a Aruba se posicionou em primeiro em apenas uma categoria.

Do outro lado, a HPE também viu suas vendas em redes crescer de forma astronômica. Neste ano, a Aruba reportou faturamento de US$ 2,5 bilhões. No Brasil, a empresa anunciou 76% de crescimento em soluções wireless quando comparado ao ano anterior. As verticais de varejo, educação, saúde e governo continuam dominando as vendas no mercado brasileiro.

Mobilidade, Machine Learning e segurança enquanto estratégias

Um dos princípios da HPE-Aruba, resume Tiago Garjaka, é libertar funcionários do fio. Como fornecedora de hardware e software de conexão, a companhia tem concentrado esforços e investimentos em P&D para habilitar um trabalho mais móvel, porém agora agregando camadas de segurança e, mais recentemente, recursos de automação como pontos estratégicos.

Se a palavra de ordem dos últimos dois anos é a inteligência artificial, a Aruba afirma estar fazendo a lição de casa. De olho também no crescente mercado de Internet das Coisas e a migração de negócios e soluções para a nuvem, a companhia apresentou neste ano suas primeiras soluções alimentadas com machine learning.

"Conduzimos uma série de pesquisas com CIOs no mundo inteiro e maior preocupação deles é ainda a segurança", disse Gajarka durante a palestra que abriu o Atmosphere. "Mas a forma como eles pensam segurança mudou. E o tom de conversa também mudou. Hoje a conversa acontece entre CEOs, CIOs e o conselho da empresa".

Em setembro, a companhia lançou o Aruba 360 Secure Fabric que inclui uma suíte de ferramentas de rede e software que recorre a analytics e machine learning para detectar comportamentos suspeitos no comportamento do usuário ou do dispositivo, sejam em aplicações na nuvem ou dispositivos IoT. A plataforma tem como cerne o que a Aruba chama de IntroSpect UEBA (User and Entity Behavioral Analytics) que também se integra com o Aruba ClearPass, que dá controle de acesso a rede e gerenciamento de políticas de segurança. As soluções seguem uma tendência em segurança para as empresas: usar machine learning para definir o perímetro dos usuários e, consequentemente, ajudar a estancar os ataques.

Desde a aquisição pela HPE, a Aruba tem investido em novas outras frentes para entregar uma solução que segundo Garjaka vai de encontro às necessidades dos clientes. "Muitas dessas novas áreas vêm da visão do Keerti [Melkote, CEO da companhia] em reconhecer 'a rede está aí, mas precisamos evoluir nossas soluções junto com as demandas que os clientes têm, senão vamos acabar obsoletos", avalia. "Para a gente é uma transformação. Sabemos que, pela primeira vez, a gente sai do nosso core, do que fez a gente ser bem-sucedido, mas estamos fazendo de uma forma que nos sentimos bastante confortáveis. E temos um faturamento agora que permite entrar em áreas diferentes".

Além do Aruba 360, a empresa atualizou neste ano o seu ArubaOS para a versão 8. O sistema operacional é dedicado a todas as LANs sem fio gerenciadas pelo controlador. Outro destaque foi a nova série de switches, a chamada Aruba 8400 Switch Series. No Brasil, ela se encontra em fase final de homologação pela Anatel. A previsão é que ela seja liberada no início de janeiro de 2018. As novas soluções em software também esperam data de lançamento no mercado brasileiro.

O novo sistema operacional da Aruba também permite agora integração com APIs de serviços de outros parceiros. Durante o evento, a companhia apresentou o chatbot para o Facebook Messenger, o Arubot, que automatiza a conversação que permite o cadastro e acesso a rede de funcionários ou visitantes através do Aruba Network Analytics Engine.

Brasil

Há cerca de um mês na posição de country manager da Aruba, Eduardo Gonçalves destaca a participação dos canais na estratégia de crescimento da companhia. Com vendas e implementações feitas 100% através do canal, Gonçalves reforça que entre as metas para 2018 está a capacitação dos canais à medida que a Aruba entra em novas frentes, como cibersegurança.

Dentro do mercado da América Latina, o Brasil responde a cerca de 30% do faturamento da Aruba. Segundo Gonçalves, a expectativa é que essa fatia aumente em resposta a retomada de investimentos das companhias.

"Estamos vendo o mercado dar uma aquecida", avalia o executivo. "Muitos CIOs estão percebendo que a tecnologia pode torná-los muito mais relevantes ao negócio. O que temos visto agora é CIOs conversando mais com a gente não só porque eles têm mais verba para investir, mas conversando para entender como tornar a tecnologia não só um centro de custo, mas como ela pode monetizar o negócio, trazer receita incremental". Entre os clientes da Aruba na vertical do varejo que têm usado redes de conexão para estratégias de marketing está o Magazine Luiza.

"Essa mudança não só está acontecendo aqui. O CIO está mudando. Antes a tecnologia era um centro de custo que tinha um budget e se gerenciava aqui e ali. Era o que você resolvia. Hoje não. Os CIOs que estão se dando bem são aqueles que estão se posicionando como parceiros do negócio", conclui Tiago Gajarka.