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Líderes de TI brasileiros definem a gestão de custos como prioridade da área de TI

Ao contrário dos CIOs globais que apontam o cliente como principal foco de seu trabalho, este item aparece apenas na terceira posição entre os brasileiros, indica pesquisa da Deloitte

17 de Janeiro de 2017 - 18h53

Neste ano, os CIOs terão como prioridade da área de TI o foco nos clientes, em vez de no desempenho do negócio como ocorreu em 2016, de acordo com pesquisa global realizada pela consultoria Deloitte em 48 países, incluindo o Brasil. O levantamento mostra que 57% apontaram a clientela como principal elemento de atenção de sua gestão, 12 pontos percentuais acima dos 45% indicados na pesquisa anterior (2015-2016). No estudo passado, a prioridade apontada pelos entrevistados era o crescimento da empresa, com 49% de citações. No atual, este item teve o percentual reduzido para 44%.

Entre os líderes de tecnologia brasileiros, no entanto, o item foco no cliente aparece apenas na terceira posição entre as prioridades. Os entrevistados do Brasil estão mais preocupados com a gestão de custos, já que este foi o item a ser priorizado mais citado por eles, com 60% das referências, seguido por crescimento (55%) e clientes (51%).

O item “clientes” surgiu como grande prioridade, segundo a opinião dos CIOs entrevistados, em oito dos dez grupos de atividades empresariais representadas na pesquisa*. No entanto, somente 45% dos líderes de tecnologia disseram que sua área está envolvida na entrega de competências capacidades de TI à experiência do cliente. Além disso, 28% consideram que as empresas em que trabalham estão abaixo da média no conjunto de suas competências digitais. 

Os resultados da pesquisa também mostram que 78% dos CIOs afirmam que alinhar o seu setor à estratégia de negócios e às metas de desempenho é a principal capacidade de TI essencial para o sucesso desses profissionais no cumprimento de suas atividades. A seguir é citada a execução de projetos de tecnologia, com 55% das referências, e visão e estratégia para os negócios, em terceiro (50%).

A pesquisa deste ano identificou importantes lacunas existentes entre as expectativas de negócios e as capacidades de entrega das áreas de TI em serviços-chave, como inovação e cibersegurança.

Dos CIOs entrevistados, 61% identificam o tema cibersegurança como prioridade principal para suas organizações. O problema é que somente 10% dos participantes da pesquisa relatam que este tema, associado à gestão de riscos, é de fato a principal prioridade de TI nas empresas em que atuam.

Além disso, para 57% dos CIOs, suas empresas têm a expectativa de que eles ajudem na inovação dos negócios e no desenvolvimento de novos produtos e serviços. Porém, mais da metade dos entrevistados (52%) afirma que o desenvolvimento da inovação e de soluções disruptivas simplesmente não existe ou não vem sendo aplicado em suas organizações.

Chaves para o sucesso do CIO

A pesquisa deste ano também revelou que as características dos CIOs são bastante semelhantes. Entre os entrevistados, 67% compartilham os sete principais traços de personalidade/estilos de trabalho de um líder de tecnologia. Estes incluem adaptar-se facilmente a novos ambientes (90%), focar no objetivo ao invés da emoção quando se está trabalhando com outros (81%), ser pioneiro na adoção de novas tecnologias (81%), tomar a direção (78%), pensar globalmente (76%), tolerar confrontos (75%) e encarar riscos (75%).

Outro dado importante é que 82% dos CIOs dizem que os gastos com sistemas legados e modernização central irão aumentar ou se manter constante ao longo dos próximos dois anos, sinalizando a enorme transformação ‘back-end’ em curso para apoiar as demandas ‘front-end’ dos clientes; 64% dos entrevistados esperam que os gastos com tecnologia em cibersegurança vão aumentar nos próximos dois anos, mas apenas 37% escolheram cibersegurança como uma capacidade de TI chave para o seu sucesso.

Em resultado equilibrado, boa parte dos líderes de tecnologia relata manter relações mais fortes com CEOs, com 62% das citações, e com os diretores financeiros (CFOs), também com 62%. Já em relação ao reporte direto de sua atuação, 35% dos pesquisados disseram que se dirigem aos CEOs, enquanto que 20%, aos CFOs.

Resultados entre os brasileiros

O Brasil mantém a tendência mundial na distribuição dos perfis dos entrevistados. Apesar de a maior parte ainda priorizar a operação, está ocorrendo, em relação à edição anterior da pesquisa, uma migração significativa do foco para as áreas de negócio — o que é o primeiro grande passo para a transformação organizacional. Dos brasileiros participantes da pesquisa, 52% se intitulam no perfil do “operador confiável”; seguidos por 36% de “cocriadores de negócios”; e 12% de “instigadores de mudanças”.

A diferença em relação à assertividade da evolução entre os CIOs participantes da pesquisa global e os líderes de tecnologia brasileiros, que disseram estar mais preocupados com a gestão de custos, é reflexo de uma tradição local de cobrança diária para que os CIOs brasileiros dediquem mais tempo à operação, segundo a Deloitte. Contudo, esse relacionamento não reflete o desejo dos líderes de tecnologia e quase 50% entendem a necessidade de adaptação de seu padrão à medida que a empresa se desenvolve em termos de tecnologia.

Números no lugar de palavras

A pesquisa mostrou também que o Brasil acompanha a tendência global no que diz respeito às competências pessoais e profissionais dos CIOs. Em ambas as amostras, os líderes de tecnologia apresentaram características semelhantes no que diz respeito a conhecimento, tendência a se expressar melhor por meio de números do que com palavras, tolerância a riscos, objetividade, relações profissionais e facilidade de adaptação a novos negócios.

As mudanças no comportamento dos líderes de tecnologia são direcionadas tanto por aspectos geracionais – com os mais jovens tendo uma tendência por maior expressividade e interação –, quanto pela necessidade atual das áreas de negócio por processos de tomada de decisões mais rápidos e por maior capacidade de adaptação às mudanças.

Além disso, os líderes de tecnologia brasileiros de hoje entendem a necessidade de objetividade e são mais suscetíveis a novas tecnologias, o que encoraja a sinergia com as áreas de negócio e propicia a interação necessária para a transformação da organização e de seu core business por meio da tecnologia.

Assim como o padrão mundial, em termos de liderança, o foco está em relacionamento e talento, e não na execução de atividades ou projetos. Os líderes brasileiros prezam tanto pela interação e comunicação, quanto pela compreensão das mudanças e inovações alinhadas à cultura de alta performance, deixando cada vez mais distante o modelo tradicional. Considerando esses pontos, os dados da pesquisa apontam para a compreensão de que, cada vez mais, os CIOs estão evoluindo para uma posição mais estratégica na organização, e não mais apenas de entrega de serviços e soluções.

No que diz respeito às capacidades esperadas de TI, o grande foco dos líderes brasileiros se dá na inovação, com a adoção de novas tecnologias para o negócio e a melhoria de processos já existentes. Apesar do grande destaque em inovação e renovação, existe uma grande preocupação com a manutenção dos sistemas atuais – reflexo do próprio nível de maturidade tecnológica das organizações brasileiras e dos entraves pragmáticos no trabalho cotidiano do CIO.

Entender o momento digital

O relatório aponta que o Brasil apresenta grande potencial para estimular de maneira mais efetiva a transformação digital nas organizações. O interesse dos CIOs brasileiros por novas tecnologias, como digital, analytics e cloud computing é crescente, sendo estes três considerados os segmentos de maior impacto para o negócio nos próximos dois anos, bem como os que receberão mais investimentos no mesmo período.

“Esse resultado indica que o líder de tecnologia do Brasil está se preparando para o impacto que a nova onda digital irá trazer para as organizações, e tem procurado compreender cada vez mais o atual momento digital de negócio e o papel central que sua posição exige”, conclui Fábio Pereira.

Sobre a pesquisa

A pesquisa foi realizada de maio a setembro de 2016, em 48 países, com o objetivo de compreender melhor o impacto e o legado do papel do CIO. O estudo foi conduzido por meio de entrevistas aprofundadas e em pesquisas on-line. Globalmente, 1.217 líderes de tecnologia participaram desta pesquisa, dos quais, 84 do Brasil (segundo país com maior número de participantes). A Deloitte utilizou análise de agrupamento para segmentar a população entrevistada em três padrões e explorou a navegação entre os tipos de padrão de acordo com a necessidade dos negócios e gatilhos de mudança específicos.

*Os dez grupos de atividades empresariais representados na pesquisa são serviços profissionais e de negócios; consumo e varejo; infraestrutura e energia; governo e setor público; tecnologia e telecomunicações; construção e indústria manufatureira; educação e segmentos de atividades não lucrativas; serviços financeiros; serviços de saúde; e turismo, mídia e hospitalidade.