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Internet das Coisas não é o mesmo que Internet de Todas as Coisas

O aumento em escala mundial de coisas conectadas vai exigir abordagens novas e complementares para a construção das redes no futuro

27 de Julho de 2017 - 13h27

O crescimento explosivo previsto para a Internet das coisas (IoT) e a natureza diversificada dos aplicativos exigem que as operadoras de rede projetem estruturas mais evoluídas, capazes de ir além das metodologias estabelecidas hoje. Isso porque a maneira como os dados fluem pela rede deve mudar dramaticamente, exigindo que ela ou se adapte ou se arrisque a falhar.

De que tipo de crescimento estamos falando? Um estudo da IHS prevê que o mercado de IoT passe de cerca de 15 bilhões de dispositivos atualmente para aproximadamente 31 bilhões até 2020, e saltando para 75 bilhões cinco anos depois.

Nesse ritmo de crescimento está implícita uma variedade impressionante de casos de uso, cada um com requisitos específicos de performance de rede, capacidade de latência, duração, confiabilidade, cobertura geográfica e segurança. Em conjunto, esses atributos nos dizem que continuar a expansão das redes a partir de protocolos complexos e outras complicações desnecessárias de hoje em dia pode não ser o melhor caminho a seguir. Isso é especialmente relevante em um mundo que exige velocidades mais rápidas e que as extensas ampliações precisam ser justificadas e financiadas por meio de novos serviços geradores de receita.

Mudam-se os padrões de tráfego, mudam-se as redes

O futuro é composto de novos padrões de tráfego, o que vai afetar a rede de algumas maneiras bem específicas. Ter mais “coisas” conectadas vai significar uma quantidade maior de pequenos picos de tráfego vindos de mais fontes — por exemplo, carros, sensores, eletrodomésticos, gado — e de mais destinos finais na rede. Os aplicativos adicionais também vão exigir o suporte a uma quantidade maior de requisitos de performance. E mais data centers vão significar uma rede com conexões maiores entre eles, ao passo que um tráfego mais dinâmico requer uma rede com mais flexibilidade e menos conexões pré-definidas ou fixas.

Cresce o uso, cresce a complexidade

Mas, e quanto ao cenário macro? Quando começarmos a aumentar o zoom para além das “coisas” da Internet das Coisas ou dispositivos conectados e a pensar sobre os diferentes fins para os quais esses meios serão implantados, as futuras cidades inteligentes vão se tornando mais nítidas. É quando começamos a imaginar essas mesmas cidades povoadas com milhares de carros autônomos e redes wireless de 10 Gbps encarregadas de suportar tudo, desde a realidade virtual e os wearables do consumidor até aplicativos de atendimento de emergência. A partir daí vai ficar muito mais claro que as abordagens antigas já não vão mais funcionar.

No futuro, dispositivos inteligentes, software e virtualização vão permitir o acesso em alta velocidade e com baixa interação humana, simplificando a vida das operadoras de rede em áreas como entrega, agregação e orquestração de serviços, garantindo alto desempenho para os aplicativos de missão crítica de uma cidade inteligente. Uma maneira de fazer isso é por meio da evolução do 5G, que vai possibilitar melhoramentos significativos de performance e a capacidade de as operadoras de redes móveis criar partições virtuais — ou emendar — a rede para garantir a vários aplicativos a performance necessária.  O processo conhecido como “network slicing” vai permitir que a rede seja fatiada em inúmeras partes que poderão ser gerenciadas de forma independente, personalizada e, o mais importante, sem afetar umas às outras, caso uma fatia esteja sobrecarregada ou inativa. A criação de fatias e aplicativos específicos para o cliente vai ajudar as operadoras a garantir e rentabilizar as melhores fatias, gerando receita e proporcionando melhores resultados para todos.

Preparar-se hoje para a demanda de IoT de amanhã

Esse é o momento de as operadoras deixarem suas redes prontas para lidar com o aumento das necessidades de largura de banda, bem como se prepararem para o que está por vir. A IoT está impulsionando a evolução da rede de pacotes rumo a uma nova rede mais integrada, uma que possa ser ajustada e orquestrada com base nas necessidades de usuários e necessidades comerciais variáveis. Isso faz parte de um reconhecimento crescente entre operadoras, pares e outros fornecedores de que a “Internet de Todas as Coisas” será alcançada por meio de abordagens complementares, em que o virtual, o físico, o existente e o novo atuam juntos nos mercados tradicionais e adjacentes. Embora estejamos longe de ver os benefícios completos da IoT, não há dúvida de que estamos passando por uma importante transformação.

*Hector Silva é diretor de tecnologia da Ciena para a América Latina.