Tecnologias Emergentes > I.A.

Inteligência artificial tornará a desigualdade social ainda pior, diz estudo

Avanço da automação consumirá postos de trabalho e exigirá uma nova classe de profissional, que precisará investir em treinamento para se destacar

13 de Julho de 2017 - 16h00

O avanço da inteligência artificial promete automatizar uma série de postos de trabalhos, algo que tem preocupado não só profissionais como governos e nomes de peso, como o físico britânico Stephen Hawking. Para ele, o desenvolvimento da tecnologia poderia levar, eventualmente, ao extermínio da raça humana.

Agora, um novo relatório da instituição Sutton Trust, do Reino Unido, realizado pelo Boston Consulting Group, aponta outra consequência atrelada à robótica: o aumento da desigualdade social. A organização prevê que a próxima onda de automação aumentará ainda mais a diferença entre pobres e ricos, caso governos não tomem medidas que enderecem o problema. 

Os autores do estudo chamam atenção ao fato de que pessoas ricas estariam mais preparadas para se adaptarem a um novo cenário, onde habilidades humanas poderão ser facilmente substituídas por sistemas robotizados.

A automação reduzirá os chamados empregos semi-administrativos, como assistentes de advocacia e aqueles onde a análise de um profissional poderá ser substituída pela capacidade - em tempo real - de uma análise de dados de sistemas. A inteligência artificial tem sido treinada para lidar com tarefas administrativas há um tempo. E, em um mercado de trabalho cada vez mais acirrado, desenvolver competências complementares cobrarão o seu preço. E nesse contexto, indivíduos mais ricos terão melhores condições de se especializarem para novos empregos, diz o relatório. Isso já pode ser medido na disparidade em termos de pós-graduação.

Apesar do relatório publicado nesta quarta-feira (12) abordar especificamente o Reino Unido, onde cerca de 15 milhões de postos de trabalho estão em risco de automação, trata-se de uma realidade iminente em termos globais.  
 
Por outro lado, especialistas lembram que novas categorias de empregos serão criadas, particularmente se governos incentivarem profissões na área de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
 
Elon Musk, o visionário executivo por trás da Tesla Motors e da SpaceX, já se engajou sobre o tema. Para ele, a revolução comandada por robôs será inevitável e ela será responsável por, eventualmente, roubar todos os empregos. 
 
Em sua visão, para humanos sobreviverem em um mundo automatizado, governos serão forçados a pagar uma espécie de renda básica universal – pagando a cada cidadão uma certa quantidade de dinheiro por mês. De acordo com Musk, não haverá muita alternativa a isso.