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Intel inicia testes com chip quântico e entra na briga com IBM e Google

Testes serão feitos pela TU Delft e Qutech, parceiras da empresa, que realizarão análises envolvendo as capacidades individuais dos qubits, bem como as correções de erros de código de superfície e outros algoritmos

11 de Outubro de 2017 - 17h26

A Intel anunciou na terça-feira, 10, que liberou para testes o chip de computação quântica de 17 qubits (bit quântico), o que o torna o maior processador quântico produzido em laboratório, já que o chip apresentado pela IBM em maio passado tem 16 qubits. Os testes serão feitos por suas parceiras TU Delft e Qutech, que realizarão análises envolvendo as capacidades individuais dos qubits, bem como as correções de erros de código de superfície e outros algoritmos.

Até agora, a disputa na seara da computação quântica estava restrita à IBM e o Google, que, em abril, testou semicondutores de 6 qubits e 9 qubits, com o objetivo de atingir 49 qubits até o fim deste ano. O trabalho da IBM é baseado em pesquisas realizadas na Universidade de Yale pelo professor Robert Schoelkopf, enquanto o trabalho do Google é baseado na pesquisa feitas na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, sob coordenação do professor John Martinis — na verdade, a pesquisa começou a ser apoiada e absorvido pelo Google em 2014.

Atualmente, pesquisadores da IBM, Intel, Google e outros empresas, como a Microsoft, estão em uma corrida desenfreada para construir um chip de 50 qubits, que seria o tamanho necessário para construir um supercomputador muito mais poderoso do que qualquer outro existente até hoje. Nenhum desses pesquisadores sabe, porém, que tipos de problemas um supercomputador com capacidade de qubits poderia resolver.

Emaranhado quântico

Os computadores quânticos são muito diferentes dos computadores atuais, que são digitais. Um computador digital utiliza o sistema binário para realizar cálculos, com apenas dois algarismo: zero e um, enquanto um computador quântico usa combinações de zeros e uns para criar vários estados, que podem ser zero, um, ambos ao mesmo tempo ou algo intermediário: um zero e um estado que é difícil descrever ou determinar. Esses estados desordenados são chamados de "emaranhamento", e já existem várias fórmulas matemáticas bem conhecidas (também conhecidas como algoritmos), que podem usar esses estados para calcular coisas que os computadores tradicionais não são suficientemente poderosos ainda para fazer.

Mas, apesar dos progressos experimentais e teste, o diretor de hardware quântico da Intel, Jim Clarke, salientea que existem desafios inerentes à construção de sistemas quânticos viáveis e em larga escala, que produzam resultados precisos. “Fazer qubits [os blocos de construção da computação quântica] uniformes e estáveis é um desses obstáculos”, observa.

Segundo ele, os qubits também são tremendamente frágeis. Qualquer ruído ou distração não intencional pode fazer com que eles percam dados. "Eles dependem de metais supercondutores que devem ser mantidos incrivelmente frios, devendo operar a uma temperatura como ‘20 milikelvin’ ou 250 vezes mais frio do que o espaço profundo", diz Clarke, em um post em um blog da Intel.