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IBM quer tirar computação quântica da ficção científica

Com novos avanços, empresa disponibiliza plataforma para acesso via nuvem e projeta grandes avanços nos próximos anos

24 de Março de 2018 - 09h53

Blockchain, inteligência artificial, cloud e computação quântica foram alguns dos conceitos mais citados no Think, conferência anual da realizada pela IBM nesta semana em Las Vegas (EUA). Nas três primeiras tecnologias, a companhia já está em estágio avançado, com diversos exemplos de resultados em clientes - muitos deles exibidos no evento.

Mas o tópico que tem gerado curiosidade é o de computação quântica - conceito ainda pouco conhecido pelo público geral -, área que a empresa tem dedicado grandes esforços em pesquisas e quer mostrar ao mercado todos os avanços. E a companhia, de fato, tem atuado para ser protagonista deste mercado.

Em março do ano passado, a Big Blue anunciou o IBM Q, plataforma que leva computação quântica à nuvem, permitindo que a ferramenta possa ser utilizada da mesma forma que outras soluções inteligentes ou cognitivas, com uma série de APIs para desenvolvedores e cientistas. Na prática, é a estrutura de computação quântica disponível na plataforma de nuvem da empresa, para ser acessada como qualquer outra aplicação.

Em novembro, a companhia trouxe mais potência à sua estrutura ao anunciar dois novos processadores de computadores quânticos poderosos: um de 20 qubits e outro de 50 qubits - alguns dos maiores processamentos da indústria até agora. E o progresso tem sido acelerado.

Hoje, a empresa considera computação quântica como um playground para pesquisador. Em cinco anos, será tendência e seus efeitos irão além do laboratório de pesquisa, sendo usada extensivamente por novas categorias de profissionais e desenvolvedores que procuram este método emergente para resolver problemas antes considerados insolúveis. A tecnologia, inclusive, é parte das apostas da companhia para o futuro, apresentadas no painel 5 em 5, em que mostra as cinco principais inovações para os próximos cinco anos

"Antes computação quântica era apenas em ficção científica, mas hoje ela já existe. O futuro está aqui", cravou Arvind Krishna, diretor do IBM Research.

Já o pesquisador da companhia Jerry Chow destaca que os dois últimos anos foram de grandes avanços e o mercado pode esperar que os próximos sejam ainda melhores. "Estamos mudando de 'ciência de quantum' para 'quantum pronto' para ser explorado", comenta Chow, que lembra os esforços da área acadêmica, com cientistas estudando os conceitos básicos, e diz que agora a transição será rumo à engenharia para de fato fazer sistemas robustos e escaláveis. "Claro que a ciência continua com papel importante, mas não serão apenas cientistas usando", acredita.

Mas estar em fase avançada não significa a popularização da tecnologia. Bob Sutor, VP do IBM Q, segue a mesma linha de entusiasmo dos colegas, mas evita "promessas". "Computação quântica é a coisa mais forte e bonita que já vi na minha carreira. Ela vai ter um papel importante nos próximos anos ou décadas. É uma tecnologia incrível, mas sem promessas (de aplicações). Será uma das mais importantes tecnologias para o resto do século", crava.

Segundo a empresa, o IBM Q já soma mais de 75 mil usuários em sete países, com mais de 60 papers produzidos. A plataforma com a tecnologia em cloud já chega a 1,5 mil universidades, 300 instituições de ensino médio, bem como 300 instituições privadas.

O que é e o que pode fazer

Computador quântico é um tipo completamente diferente de PC e os servidores atuais e trarão mudanças radicais para o desenvolvimento de computadores. Os bits usados ​​por computadores tradicionais representam dados como 0s ou 1s. Já os qubits, ou bits quânticos, podem ser, simultaneamente, 0s e 1s e um estado conhecido como superposição, permitindo novos níveis de desempenho e eficiência. Equipados com esse poder, os pesquisadores podem resolver problemas que não poderiam resolver antes. O fato é que eles são significativamente mais rápidos do que PCs comuns.

Algumas tarefas, como fatorar números e modelar moléculas, são feitas de forma muito mais rápida em um computador quântico do que em um normal.

Construídos sobre os princípios da mecânica quântica, eles exploram leis complexas e fascinantes da natureza que estão sempre presentes, mas geralmente permanecem ocultas. Ao aproveitar esse comportamento natural, a computação quântica pode executar novos tipos de algoritmos para processar informações de maneira mais holística. Eles podem, um dia, levar a descobertas revolucionárias em materiais e descobertas de remédios, na otimização de sistemas artificiais complexos e na inteligência artificial. A IBM confia que a tecnologia abrirá portas que uma vez pensamos que permaneceriam bloqueadas indefinidamente.

A questão é que um computador quântico não será instalado por clientes. Sua infraestrutura é robusta e deve ficar em uma temperatura abaixo de 200 graus negativos - algo praticamente impossível para uma empresa ter instalada, como um data center. Por isso, computadores clássicos vão interagir com quânticos por meio da nuvem ou algum outro sistema para executar cálculos que se beneficiam da aceleração quântica.

Krishna diz que a computação quântica resolverá problemas que computadores clássicos não conseguem, em áreas como saúde, logística, financeira etc. Um exemplo apontado pelo executivo é na química, com cálculo do comportamento de moléculas para criação de novos remédios. "O computador quântico faz em uma fração de tempo comparado com um convencional. São novas drogas para salvar vidas", completa.

O fato é que, em meio a seu processo de reinvenção, a IBM busca adicionar mais uma contribuição à sociedade. Após a era da computação e a introdução de sistemas cognitivos, a Big Blue agora quer dar um novo passo com tecnologias quânticas.