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HP expande programa de Device-as-a-Service e agora cobre aparelhos Apple

Companhia passa a oferecer gerenciamento de aparelhos iOS e macOS para empresas

16 de Fevereiro de 2018 - 17h34

A HP está expandindo o seu programa de gerenciamento de aparelhos Device-as-a-Service (DaaS) para cobrir os aparelhos iOS e macOS, da Apple. Como parte dessa nova oferta de DaaS expandida, mais conhecida pelo termo “managed mobility services (MMS / serviços gerenciados de mobilidade), os usuários poderão integrar dispositivos como iPhones, iPads e Macs com o suporte e os serviços gerenciados e de análise da HP.

Por anos, a Apple tentou impulsionar os seus aparelhos e sistemas para os escritórios, sem obter muito sucesso. Mas a adoção orgânica dos dispositivos iOS, especialmente o iPhone, por fim acabou obrigando as empresas a levar esses produtos a sério.

No ano passado, 82% do trabalho feito em aparelhos mobile nas empresas foi realizado usando o iOS; os 18% restantes das atividades aconteceram em dispositivos Android, segundo uma nova pesquisa da empresa de software Egnyte.

Apesar de o Windows continuar a dominar o ambiente desktop com 75% das transações corporativas, o macOS, da Apple, já responde por 25% deste segmento nas companhias, de acordo com a Egnyte.

Até o momento, a maior parte do crescimento dos serviços MMS tem acontecido em torno do PC as a Service. “A HP ajudou a inaugurar isso, e outras fabricantes de PCs como Dell e Lenovo, assim como outros provedores de serviços, também vêm empurrando com força”, aponta o VP de aparelhos e AR/VR da IDC, Tom Mainelli. “Agora vemos o mercado evoluindo para incluir aparelhos adicionais como smartphones e tablets. A iniciativa da HP para oferecer aparelhos da Apple é muito interessante. É algo inteligente porque eles sabem que os aparelhos iOS costumam ser o padrão de verdade dentro das empresas. Por isso, diria que eles estão à frente da curva ao oferecer o iOS, e isso lhes deixa em uma posição boa no mercado.”

Até então, a HP não oferecia suporte para nenhum outro aparelho mobile, com exceção do seu próprio smartphone HP Elite x3. “As ofertas de DaaS da HP evoluíram nos últimos anos à medida que continuamos a atender à demanda dos clientes por novas maneiras para gerenciar a expansão dos tipos de aparelhos e sistemas operacionais na sua força de trabalho”, afirma o gerente geral de Emerging Compute Solutions da HP, Michael Park.

Como o DaaS funciona

Por meio da sua oferta de DaaS, a HP determina a relação contratual que as empresas querem ter, seja com um revendedor, um integrador global de sistemas ou um relacionamento direto com a HP, “e então devolvemos isso para você dentro de um modelo de utilidade ou um modelo de preço por aparelho e por usuário”, explica o diretor global do programa Daas da HP, Jonathan Nikols.

Por exemplo, o custo de um contrato incluiria um SLA (acordo de nível de serviço) sobre o tempo para o conserto e a substituição de um aparelho – se é para o próximo dia ou dentro de quatro dias.

Quando um dispositivo quebra ou precisa ser substituído, o funcionário dá entrada em um pedido de assistência como faria com qualquer loja de eletrônicos; a solicitação então é automaticamente direcionada para o serviço HP DaaS, que também lida com a entrada e saída de funcionários.

Ambientes com diferentes aparelhos são a norma atual, segundo a HP, o que torna cada vez mais difícil e custoso para as empresas o gerenciamento desses diversos tipos de dispositivos, sistemas e fabricantes.

Adicionar a Apple ao suporte de hardware não foi tão simples quanto “envolver termos de concessão e garantia em torno do aparelho”, destaca Park.

“Trazer um aparelho para a nossa oferta HP DaaS exige uma integração técnica das APIs do dispositivo para que possamos gerenciá-lo e protegê-lo corretamente a partir de um único painel de vidro e modelo de suporte unificado”, afirmou Park. “Leva tempo para desenvolver a experiência certa para os nossos usuários que utilizam diversos sistemas e queríamos fazer isso da maneira correta.”

Mercado novo, mas em crescimento

De modo geral, o mercado de DaaS ainda é nascente, segundo Mainelli, da IDC. Por isso, a porcentagem de PCs sendo vendidos como parte de uma oferta de serviço é relativamente baixa.

“Mas pensamos que esse mercado irá crescer rapidamente, uma vez que é bom tanto para as empresas quanto para os provedores. As companhias podem se afastar de grandes gastos que as obrigaram a estender radicalmente o tempo de vida dos aparelhos”, destaca o executivo. “Agora, elas podem pagar uma taxa mensal e deixar a maior parte do trabalho gerenciamento e implementação dos aparelhos a cargo de terceiros.”

Ao mesmo tempo, as fornecedoras de ofertas DaaS também se dão bem ao encurtar os ciclos de substituição, ao ganhar alguns dólares extras por meio de serviços, e ao conseguir capturar uma fonte de receita mais estável, de acordo com Mainelli.

No entanto, vale notar que a adoção de aparelhos móveis no espaço de trabalho ainda não está totalmente madura, segundo uma pesquisa recente da Gartner, que foi realizada no meio de 2016. Apesar de 80% dos profissionais afirmarem ter recebido um ou mais aparelhos das empresas, os desktops ainda são os dispositivos corporativos mais populares nesse ambiente, com mais da metade dos trabalhadores tendo recebido PCs desktop das companhias.

Pouco mais de um terço (36%) dos profissionais receberam laptops, incluindo modelos conversíveis. A adoção dos notebooks conversíveis como um aparelho corporativo ainda é bastante baixa, mas vem crescendo de forma gradual, segundo a consultoria.

E a maioria dos smartphones usados no local de trabalho são dos próprios funcionários; apenas cerca de um quarto (23%) dos profissionais entrevistados no levantamento tinham recebido smartphones das suas companhias.

Desafios

O maior desafio para a oferta de DaaS: a maioria das empresas “possui uma estratégia de aquisição já confiável, e mudar para o DaaS significa assumir alguns riscos nesta área”, aponta Mainelli.

“Também significa padronizar de forma geral em um fornecedor, apesar de a disposição da HP em oferecer aparelhos e suporte para dispositivos da Apple mudar isso”, afirma. “Por fim, dentro da área de TI existem muitas pessoas cujos empregos atuais dependem de as coisas continuarem iguais, e elas irão resistir a esse tipo de mudança.”

À medida que os aparelhos móveis se tornam cada vez mais uma plataforma importante de computação para muitos funcionários, consertar ou substituir smartphones e tablets em uma loja local da Apple ou da Microsoft deixa de ser uma opção viável.

Ao mesmo tempo, o enorme número de aparelhos móveis e versões de sistemas tornou difícil para os setores de TI lidarem com os problemas associados a eles. Por exemplo, a fragmentação do Android – tanto de software quanto de hardware – fez com que as empresas passassem a terceirizar esse gerenciamento de dispositivos para poder liberar os seus recursos corporativos de TI para projetos de negócios.

Algumas fabricantes oferecem MMS como parte de programas gerais de gerenciamento de dispositivos. A HP lançou a sua oferta da DaaS em 2016, fornecendo desktops, laptops, smartphones e tablets gerenciados para os seus clientes por meio de parcerias com diferentes fornecedores de hardware e software.

Em 2013, a Gartner descreveu o mercado de MMS como um segmento sem líderes nem desafiadores, e afirmou que “os fornecedores precisam investir mais em pessoas, processos, ferramentas e consciência para servir melhor à crescente demanda global”.

Nos últimos anos, no entanto, o mercado de MMS amadureceu e cresceu ao ponto de que algumas fornecedoras oferecem serviços de hardware e software. Esses provedores agora conseguem atender redes de usuários pelo mundo, segundo a Gartner. Além de consertar ou substituir dispositivos, os serviços oferecidos incluem a aquisição de aparelhos móveis para funcionários, fornecer aplicações corporativas específicas para esses dispositivos, e garantir que os protocolos de segurança estejam sendo seguidos.