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HP desbanca Lenovo e retoma liderança em PCs

Fabricante abandonou produtos não lucrativos, aprimorou o design de seus equipamentos e voltou ao topo do ranking como a maior fabricante mundial de computadores pessoais

03 de Maio de 2017 - 16h03

No fim de 2015, a HP renasceu como fabricante de PCs após a cisão (spinoff) do negócio de computadores pessoais e impressoras da unidade de hardware e serviços corporativos, se dividindo em duas companhias. Na época, a HP era uma causa perdida, e uma queda de dois dígitos nas remessas de PCs foi a principal razão para a separação.

A nova HP começou então a recuperar o seu lugar como a maior fabricante mundial de PCs, um título que perdeu em 2013 e que passou a ser ocupado mais recentemente pela da Lenovo. Alcançou a meta no primeiro trimestre de 2017, durante a qual suas vendas de PC cresceram 13,1%  na variação anual.

Uma série de novos produtos frescos e de decisões para deixar de fabricar modelos de baixa margem ajudaram a HP a retornar ao topo. As dificuldades da Lenovo também desempenharam um papel relevante, mas o forte desempenho da HP na América do Norte foi um fator decisivo, disse a IDC.

Para chegar ao topo, a HP assumiu um papel semelhante ao da Apple de ser uma empresa inovadora e focada em produtos rentáveis. Ao mesmo tempo, cortou produtos como seus PCs Slate, alguns laptops Stream de baixo custo, all-in-ones TouchSmart, PCs Omni e outros dispositivos que eram ofertas-chave no passado.

Em dezembro de 2015, a HP também deixou de vender tablets de baixo custo e dispositivos Android, devido à concorrência feroz e queda nos preços. A demanda  por tablets já começava a diminuir,  e alternativas de baixo custo estavam disponíveis aos montes.

"Nós vimos o mercado de tablets de consumo  de baixo valor sendo inundado com dispositivos baratos", disse Ron Coughlin, presidente de sistemas pessoais da HP. "Pensamos que não daria aos clientes ou acionistas o valor certo."

Armado com pesquisas de mercado e perícia de engenharia, a HP começou então a redesenhar seus PCs para serem menores e mais atraentes. Produtos como 2-em-1 foram projetados para atrair compradores como millennials, muitos dos quais não se importam de gastar algum dinheiro extra para um dispositivo que parece sofisticado.

Em 2016, a HP lançou produtos como o super-fino Specter 13, o desktop modular HP Slice e o desktop Z2 Mini, que embala o poder de um PC torre em uma pequena caixinha. "As pessoas queriam uma pegada menor, mas queriam o mesmo poder", disse Coughlin.

A HP lançou o Pavilion Wave PC, uma versão moderna do Mac Pro da Apple. A empresa também reverteu alguns de seus erros passados. Ele voltou a entrar no mercado de jogos de PCs high-end, abandonado quando dobrou a unidade de PCs Voodoo em 2008. PCs de jogos têm sido o ponto brilhante no atual mercado de PCs, e em agosto passado a HP fez lançamentos expressivos.

Os PCs Omen de "alto valor" estão levandoa HP a aumentar a participação de mercado dos fabricantes de PCs de jogos convencionais, e o jogo é um mercado lucrativo, disse Coughlin.

Mas foi o volume de venda de produtos como Pavilion, EliteBook, Spectre, e Envy  que ajudou a quota de mercado da HP crescer. Muitos dos laptops são mais finos, menores e mais lustrosos do que os produtos HP mais antigos, e os produtos 2-em-1 estão se vendendo bem.

Smartphone

Um produto duvidoso que permanece no portfólio é o Elite X3, um smartphone Windows 10 Mobile voltado para empresas corporativas. As remessas de celulares do Windows 10 Mobile estão em declínio e o sistema operacional pode estar em seu ocaso. Mas para Coughlin, o Elite X3 é voltado para o mercado de mobilidade comercial, que é subatendido.

A HP lançou Elite X3 como um dispositivo que pode ser usado como um PC com possibilidade de executar aplicações comerciais através da nuvem. Muitas organizações já o estão usando como um dispositivo de computação, disse Coughlin. "Em mobilidade, não estamos parados, você verá algumas notícias interessantes em breve", disse Coughlin.

No entanto, a HP não tem planos de entrar no mercado de telefonia móvel de consumo. "Há apenas um ou dois jogadores que ganham dinheiro lá", disse Coughlin. "Não é um mercado importante para nós."

Tecnologias disruptivas em alta

Já um mercado que importante para a HP é o de Realidade Virtual. A empresa planeja começar a vender o seu notebook em formato de mochila HP Omen X VR a partir de junho, e até o final do ano, um headset Windows Mixed Reality que precisa ser conectado aos PCs.

A HP também planeja misturar as Relaidades Aumentada e Virtualno PC de uma maneira diferente da de outros fornecedores. Um PC como Sprout, com uma câmera 3D anexada, será uma boa "rampa" para 3D, e a impressora MultiJet Fusion 3D da HP fabricará produtos tangíveis, disse Coughlin.

Por exemplo, a empresa tornará possível a construção de sapatos personalizados usando seu PC, scanner e tecnologias de impressão 3D. Um PC Sprout-like será capaz de digitalizar um pé em um footbed com placas de pressão. A partir da digitalização, a impressora HP Jet Fusion 3D será capaz de fazer a palmilha personalizada e, finalmente, sapatos inteiros.

Olhando para o futuro, Coughlin previu vendedores venderão "PCs inteligentes" que poderão cuidar da sua própria proteção e reparo. Esses PCs serão capazes, por exemplo, de detectar se um disco rígido está falhando e, em seguida, corrigi-lo durante o tempo de inatividade do computador. "Mais inteligência será embarcada para tornar os PCs mais seguros seguros", disse Coughlin. 

Haverá também um movimento para a venda de PC como um serviço, principalmente voltado para as empresas. Envolverá o leasing em vez de pagamento do preço total de um dispositivo. A HP tem anúncios interessantes no futuro relacionados a jogos, VR e mobilidade, disse Coughlin.