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Grande maioria dos países europeus já dispõe de uma política de open data

Relatório da Capgemini Consulting mostra a evolução dos dados abertos nas nações europeias

04 de Janeiro de 2017 - 18h56

A grande maioria dos países europeus (81%) dispõem atualmente de uma política de open data, o que representa um avanço na comparação com os 69% da edição 2015 do estudo “Open Data Maturity in Europe 2016: Insights into the European state of play”, publicado pela Capgemini Consulting, braço de consultoria em estratégia global e transformação do grupo Capgemini.

Os países também estão melhorando seus portais de dados, levando a uma pontuação geral de maturidade para 64%, comparados aos 42% da edição anterior. O estudo foi encomendado pela Comissão Europeia no contexto do Portal de Dados Europeus, coordenado pela Capgemini.

O relatório oferece uma fotografia sobre o estágio atual dos trabalhos realizados pelos países europeus para tornar disponíveis seus dados governamentais, por meio da avaliação dos dados abertos em relação a acabamento, promoção e maturidade de portais. Também oferece uma comparação entre as nações que estão desenvolvendo processos de aprendizagem para acelerar seus avanços.

O estudo mostra que, em 2016, houve um crescimento médio de 29% de dados abertos em comparação a 2015, sendo que 28 países da União Europeia (EU28+), que inclui ainda Noruega, Suíça e Liechtenstein, completaram 57% de sua jornada rumo à implementação do open data. Enquanto em 2015 menos de dois terços dos países do EU28+ (59%) dispunham de uma política dedicada ao open data, em 2016 este índice aumentou para pouco mais de dois terços (68%). Os países também estão investindo em compreender o impacto dos dados abertos para a sua economia e para os cidadãos, por meio do lançamento de uma série de estudos e interações com a sociedade civil.

O nível de maturidade dos portais de dados subiu quase 23 pontos percentuais (de 42% para 64%), graças ao desenvolvimento de recursos mais avançados. Tais portais oferecem diferentes formatos de dados, funcionalidades de download e estão transportando quantidades crescentes de informações, além de um aumento no tráfego de usuários. O Portal Europeu de Dados, que disponibiliza informações de todos os portais nacionais desde novembro de 2015, conta agora com quase 640 mil conjuntos de dados, duas vezes e meia mais que o volume disponibilizado em seu lançamento. Em 2016, mais da metade dos países do EU28+ já são considerados rápidos seguidores e formadores de tendências, tanto por disporem de políticas robustas de dados abertos quanto por seus avançados portais, incluindo claras estratégias de engajamento para aumentar a conscientização em torno do tema.

“A qualidade e o aumento de dados disponíveis em formatos legíveis pelas máquinas também é algo em que os países estão concentrando mais esforços. Os governos europeus estão acordando para a importância do Open Data para melhorar tudo, desde planejamento urbano e transporte até os níveis de poluição e serviços de emergência. No entanto, algumas administrações públicas ainda guardam zelosamente seus dados para vendê-los, ou estão secretamente abstendo-se de compartilhar com os outros. É preciso que se deem conta de que a utilidade dos dados cresce exponencialmente quando é partilhada e usada por todos", disse o vice-presidente e líder da conta da União Europeia no grupo Capgemini, Dinand Tinholt.

Recomendações do relatório

Como conclusão, o relatório fornece uma série de recomendações aos decisores políticos e aos departamentos responsáveis pelas políticas de dados abertos. Para ajudar os países europeus a assegurarem seu progresso e a alcançarem níveis completos de maturidade com o Open Data, eles deveriam finalizar a implementação de suas estratégias de dados abertos, enfatizando a importância de uma estrutura legal capaz de endereçar licenciamento, aspectos de privacidade e padrões; e desenvolver processos automatizados para coletar dados de administrações públicas e manter o foco em uma qualidade consistente e coerente de metadados.

Dados abertos referem-se à informação recolhida, produzida ou paga por órgãos públicos, que pode ser utilizada livremente, modificada e compartilhada por qualquer pessoa. Os benefícios do open data incluem aumento na transparência do governo e responsabilidade na prestação de contas, bem como benefícios financeiros tangíveis para cidadãos, empresas e para a sociedade civil.

O estudo publicado pela Capgemini em 2015 estimou o tamanho do mercado direto para open data na Europa em 325 bilhões de euros, para o período 2016 a 2020.