Gestão

Ambiente multi-cloud e o futuro das empresas

Se o crescimento da computação em nuvem nos ensinou algo, é que não há uma abordagem única para nuvem empresarial

10 de Novembro de 2014 - 09h05

Na última década a computação em nuvem se tornou, sem sombra de dúvidas, um componente essencial para a empresa moderna. Ela evoluiu de um modelo de “software como serviço” voltado para um determinado número de aplicações corporativas para uma plataforma de negócios que engloba diversos dispositivos e sistemas operacionais, habilitando novas localizações praticamente do dia para a noite.

Atualmente a computação em nuvem está repleta de fornecedores que oferecem o que chamamos de “everything as a service” – de segurança e gerenciamento de soluções em nuvem até ofertas de virtualização para ambientes de nuvem pública, privada e híbrida. Esta variedade de opções faz com que a empresa precise de uma consultoria externa para determinar exatamente como deve ser a melhor configuração de seu ambiente.

Como, por exemplo, escolher se determinadas aplicações serão mantidas on ou off, levando em consideração a economia da nuvem pública, a flexibilidade do modelo híbrido e a segurança oferecida pela arquitetura privada. As empresas estão cada vez mais complexas e preocupadas com a segurança, mas trabalham sob orçamentos apertados quando se trata desse ambiente.

Contudo, se o crescimento dessa área da computação nos ensinou algo, é que não há uma abordagem única para nuvem empresarial. Diversas organizações começaram a implantar modelos híbridos com aplicações em nuvens públicas ou privadas e capacidade de alternância a depender das necessidades em cada momento. 

As faces do ambiente de nuvem empresarial
Ainda estamos no início da evolução do mercado de cloud computing, conforme evidenciado pela recente pesquisa da Forrester. Enquanto diferentes unidades de negócios em uma empresa buscam migrar aplicações para a nuvem em velocidades distintas, elas podem já ter adotado um modelo de nuvem discrepante em outra unidade de negócios, que pode ter migrado diferentes aplicações em um ritmo mais lento. Os ambientes de nuvem empresarial formam uma teia complexa de provedores, gerentes, fornecedores de serviços de segurança e muito mais.

É interessante ressaltar que diversas empresas adotaram um ambiente multi-nuvem sem sequer perceber. De acordo com o relatório da Forrester de 2013, 58% das empresas utilizam mais de um fornecedor, apesar de 71% apontarem que preferem apenas um para serviços de nuvem end-to-end. A realidade é que as companhias acreditam que precisarão adotar plataformas multi-nuvem, tendo em vista que uma seria insuficiente para atender todas as suas necessidades.

Problemas com segurança e privacidade são as causas apontadas por 43% dos participantes do estudo como barreiras para adoção da nuvem. No entanto, estas questões não impedem a utilização e o crescimento dessa tecnologia. Segundo outro estudo do Everest Group, as taxas de adoção da nuvem privada e híbrida crescem em 66% e 44% ao ano, respectivamente. A nuvem híbrida, em particular, é preferência entre grandes empresas e a expectativa é de que metade delas realize essa implementação até 2017.

Diante de notícias sobre o aumento das violações a nuvens públicas, que acarretam perdas e inconveniências, as preocupações são válidas. Essa tecnologia pode deixar as organizações mais vulneráveis a ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas, mas são muitas as opções de segurança end-to-end voltadas para os aplicativos da nuvem empresarial. Os incentivos para aumentar os cuidados nas companhias crescem junto com a tendência de mover os negócios para a nuvem.

Adoção e consolidação crescentes
Esse crescimento acontece porque as recompensas oferecidas pela nuvem corporativa são muito boas para serem ignoradas. Pode-se notar que 72% das empresas pesquisadas no relatório da Forrester citaram melhorias na escalabilidade. Dois terços reportaram que podem quantificar reduções de custo. Por fim, 64% informaram que os investimentos em cloud ajudaram a inovar as ofertas e entrar em novos mercados.

Do lado do fornecedor, conforme o mercado amadurece e as organizações se movem para uma abordagem integrada e mais simplificada, eles se tornam mais competitivos ao dedicar atenção às principais preocupações das empresas: segurança, confiabilidade, gerenciamento e custo. As organizações que desenham a arquitetura e gerenciam seus ambientes de nuvem para refletir tais características estarão mais bem preparadas para lidar com cargas de trabalho, desafios e se beneficiar com as oportunidades no futuro.

*Roberto Trinconi é Vice-presidente de Vendas da Unisys para América Latina.