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Gartner recomenda cautela na adoção de data center definido por software

Consultoria apresentou três conselhos para ajudar executivos a direcionarem suas abordagens e migrarem para um SDDC

04 de Março de 2016 - 18h09

O Gartner afirma que os data centers definidos por software serão cada vez mais relevantes para a evolução dos negócios digitais. A consultoria, porém, adverte: o conceito não se aplica a todas as organizações de TI no contexto atual.

O SDDC contempla um centro de processamento onde toda a infraestrutura é virtualizada e entregue como um “serviço”. Isso permite o aumento dos níveis de automação e flexibilidade para sustentar a agilidade dos negócios por meio da adoção crescente de recursos em nuvem, além de abordagens modernas de tecnologia.

Na visão da consultoria, atualmente, a maioria das empresas ainda não está pronta para iniciar o processo de adoção do modelo e, por isso, deve proceder com cautela. Mas isso deve mudar em breve. 

Pelas projeções, até 2020, os data centers definidos por software serão considerados um requisito fundamental para 75% das 2 mil empresas globais envolvidas na implementação de abordagem DevOps e do modelo híbrido de cloud.

“Os líderes de infraestrutura e operações precisam entender o cenário dos negócios, os melhores casos de uso e os riscos de um SDDC. Devido à sua imaturidade atual, o conceito é mais adequado a empresas visionárias com conhecimentos avançados em engenharia e arquitetura”, aconselha Dave Russell, vice-presidente do Gartner.

O especialista observa que os líderes de tecnologia não devem simplesmente comprar uma dessas infraestruturas virtuais pré-fabricado de um fornecedor.

“Primeiro, eles precisam entender por que precisam disso para o seu negócio para então implementar, orquestrar e integrar inúmeras partes, provavelmente de fornecedores diferentes”, comenta o analista.

Para ele, além de todo o trabalho de implementação, são necessárias novas competências e uma mudança cultural na empresa de TI para garantir que essa abordagem forneça resultados para os negócios.

O Gartner recomenda que a empresas tenham uma visão realista das ameaças e benefícios e façam planos para atenuar os principais riscos de uma falha no projeto SDDC. A consultoria apresentou três pontos para ajudar executivos a direcionarem suas abordagens.

1. Avaliação de competências. A simples mudança de uma infraestrutura antiga para um conjunto de produtos definido por software é questionável quanto à geração de benefícios.

O Gartner afirma que, antes que uma atividade seja automatizada e um autoatendimento seja implementado, o processo, associado com o serviço de TI, precisa ser completamente repensado e otimizado.

Isso pode exigir novas competências e uma cultura diferente do que atualmente está disponível dentro de certas empresas de TI.

"Um processo quebrado ainda é um processo quebrado, não importa o quão bem ele seja automatizado. É preciso construir as competências adequadas nas empresas, permitindo que os arquitetos de infraestrutura experimentem a nuvem pública em pequenos projetos, assim como dando a oportunidade a eles de sair e aprender o que seus colegas em outras empresas e visionários estão fazendo” afirma Russell.

2. Saber a hora certa. O momento de mudar para um data center definido por software pode estar a anos de distância para algumas empresas, mas para muitas ela virá mais cedo do que seus preparativos permitem.

“O primeiro passo é entender os conceitos fundamentais do SDDC. Assim, os gestores poderão examinar as soluções disponíveis, começando com um componente, processo ou domínio definido por software do qual podem se beneficiar. A etapa final é planejar um roteiro para a implementação completa se e quando as soluções forem adequadas”, diz o analista do Gartner.

Além disso, mesmo as áreas definidas por software mais estabelecidas como networking e armazenamento ainda estão tomando forma e experimentando estágios iniciais de níveis de adoção.

A implementação em fases é recomendada, uma vez que for estabelecido que as soluções no mercado fornecem funcionalidade, interoperabilidade e histórico de implementação de produção viável comprovada.

3. Cuidado com o aprisionamento tecnológico. Padrões de código-fonte aberto ou uma plataforma de gestão em cloud podem ajudar as empresas de TI a reduzir a restrição tecnológica, mas isso não pode ser eliminado por completo.

Segundo a consultoria, também não existem padrões universais para as infraestruturas de Aplicações de Interface de Programação, então adotar e codificar uma API específica resulta em um grau de restrição. É vital entender as compensações no trabalho e os custos de migração ou de saída ao escolher fornecedores e tecnologias.

“É preciso reconhecer que a adoção de um SDDC significa a negociação de uma restrição em hardware por uma restrição em software. Escolha o tipo mais apropriado de forma consciente e com todos os fatos em mão”, conclui.