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Fraudes no e-commerce: Um setor que cresce apesar da crise

Mercado considera “aceitável” uma taxa de fraudes na casa de 1%. Mas quando o percentual se torna maior que isso, a situação se torna preocupante

18 de Fevereiro de 2016 - 07h00

Mesmo diante do cenário de crise econômica que o país tem vivido, um segmento que vem crescendo a cada ano é o e-commerce. De acordo com a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), esse setor cresceu 22% em relação a 2014 e faturou R$ 48,2 bilhões. E, para 2016, o cenário é ainda mais positivo. Estima-se que as lojas virtuais terão um aumento de 18% em comparação com o ano anterior e um faturamento de R$ 56,8 bilhões.

Esses números comprovam que muitos empreendedores estão escolhendo começar o seu negócio por meio das lojas virtuais em vez das físicas, que, muitas vezes, demandam muito mais tempo e geram custos fixos muito maiores. Mas nem tudo é perfeito, já que no e-commerce também há desvantagens para o dono do negócio.

Ao mesmo tempo em que o segmento cresce, o número de fraudes também apresenta um aumento expressivo. De acordo com um levantamento feito pelo Moip, em parceria com a Keyscores, 70% das compras são realizadas por meio do cartão de crédito. Mas há criminosos que conseguem tripudiar e encontrar uma maneira “fácil” de clonar dados dos cartões e utilizá-los para realizar uma série de compras. E, neste caso, o dono do e-commerce acaba arcando com o prejuízo.

Por mais que o cartão de crédito seja o meio de pagamento mais seguro para o cliente (ele sempre poderá pedir o estorno de uma compra feita online que não identificar na fatura), o mesmo não se pode dizer sob a ótica dos lojistas: reverter um chargeback não é tarefa tão simples assim. Por este motivo, é muito comum vermos grandes lojas virtuais sendo prejudicadas por não estarem devidamente protegidas contra fraudadores.

O cenário é favorável para a fraude

Infelizmente, hoje em dia, fraudar é muito fácil. Essas ações exigem um custo muito baixo e oferecem altos retornos diante de poucos riscos. Há ainda um motivo determinante para o crescimento dessa infração: a Justiça brasileira não dá prioridade para esses tipos de crimes, pois ainda é uma área pouco conhecida pela legislação.

Além disso, a fraude de cartão de crédito tem se tornado cada vez comum por conta da enorme oferta de dados disponíveis no “mercado negro” virtual. E é justamente este fator que faz a roda deste crime cibernético continuar girando, pois há diversas formas de essas informações caírem nas mãos de pessoas erradas.

Muitas vezes os próprios lojistas são responsáveis por este vazamento de informação de clientes, seja por negligência ou por serem vítimas de golpes. Ou pela combinação dos dois fatores.

Os ataques dos hackers acontecem quando aparece uma oportunidade, normalmente por meio de robôs que testam a segurança de diversas páginas e servidores. Quando esses robôs identificam um e-commerce com a segurança comprometida, realizam a invasão e roubam os dados de clientes - inclusive informações referentes a cartão de crédito. Há também os ataques “profissionais” de hackers, muito mais complexos e planejados, com foco em empresas gigantescas.

Outra forma muito comum é o Phishing, na qual o criminoso encaminha para a vítima um e-mail, mensagem instantânea ou até um link de acesso a um determinado site e aguarda que o internauta caia em sua armadilha. Como muitas vezes é difícil identificar se aquele site é ou não confiável, é grande o número de prejudicados. Estima-se que 97% das pessoas não conseguem identificar uma tentativa similar a essa, segundo a norte-americana Intel.

O que o lojista deve fazer?

Não há uma fórmula mágica ou qualquer solução que seja capaz de garantir uma operação 100% segura a uma loja virtual. Infelizmente, sempre haverá alguém tentando tirar vantagem de outra pessoa. E o mesmo se aplica ao e-commerce: a fraude faz parte do jogo, e até mesmo o mercado considera “aceitável” uma taxa de fraudes na casa de 1%. Esse risco deve ser levado em consideração em todos os cálculos no seu negócio.

No entanto, quando o percentual de fraudes se torna maior do que isso, a operação do e-commerce se torna preocupante. Além do prejuízo causado pelas vendas “perigosas”, a empresa pode receber multas altíssimas de adquirentes de cartão de crédito e até mesmo perder o direito de processar este tipo de pagamento. Neste cenário surgem as soluções antifraude, aliadas dos e-commerces no combate à fraude.

O que não pode acontecer, sob hipótese alguma, é que todo o negócio seja prejudicado pela fraude - ou pelo medo que ela causa. Afinal, a esta altura do século 21, “não vender pela internet” já não é mais uma solução viável.

*Tom Canabarro é co-fundador da Konduto.