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Fim da neutralidade de rede nos EUA gera desequilíbrio sistêmico, diz professor da FGV

Para o professor André Miceli, o resultado da decisão da FCC de deixar de classificar a internet em banda larga como serviço de utilidade pública pode ser péssimo para o ambiente digital

15 de Dezembro de 2017 - 15h08

A decisão da Comissão Federal das Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) de deixar de classificar a internet em banda larga como serviço de utilidade pública no país gera um "desequilíbrio sistêmico". De acordo com o professor e coordenador do MBA em marketing digital da FGV, André Miceli, o resultado pode ser péssimo para o ambiente digital porque recentemente, pela primeira vez nos últimos anos, houve um desaquecimento nos investimentos de infraestrutura de acesso à internet.

"Nesse formato, teremos menos concorrência e menos possibilidade de evolução. A tendência é que os serviços piorem para os consumidores, e os distribuidores de conteúdo vão perder em performance", ressalta Miceli.

O professor da FGV explica que, com os servidores de internet ainda considerados de utilidade pública, não podia acontecer priorização desses pacotes. "Agora vai poder. Isso significa que, se você enviar dados no mesmo momento ou em uma rede que está lotada e tiver concorrendo com a Netflix, por exemplo, esta terá prioridade sobre o seu pacote porque ela deve ter um acordo diferenciado com esses provedores", relata.

Miceli aponta ainda que nesse novo formato, teremos menos concorrência e menos possibilidade de evolução. "A tendência é que os serviços piorem para os consumidores, e os distribuidores de conteúdo vão perder em performance", analisa e completa: "Isso pode ser um tiro no pé dos próprios desenvolvedores de conteúdo. É um desequilíbrio sistêmico bastante significativo."