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Estratégia de dados e big data são as principais tendências para o ano

A maioria das empresas hoje já possui os dados que necessitavam para trabalhar. O desafio agora é gerar real valor dessa informação

31 de Janeiro de 2017 - 14h54

Aproveitar dados, fazer uso deles e conseguir novas formas de aumentar receitas e reduzir custos. A estratégia de dados deve ser a principal tendência para os CIOs trabalharem neste ano. A consolidação do cloud computing e o trabalho integrado entre tecnologia e a área financeira, responsável por agregar mais valor ao negócio, também exigirão atenção em 2017.

O ano de 2016 foi de intensa aprendizagem em relação ao uso de nuvem. Certamente teremos o controle de alguns dados dentro da empresa, enquanto outros estarão fora. É recomendável que, nos próximos anos, tenhamos como foco encontrar o equilíbrio entre as informações internas e os dados da nuvem. Com isso, vamos entender qual o nível de mobilidade que precisamos desses dados.

Outros temas muito fortes em 2016 foram: o armazenamento em flash, devido principalmente ao seu custo reduzido, e também a necessidade de adicionar valor ao negócio de TI. Graças à pressão das companhias para concretizar a transformação digital nas empresas, as áreas de negócios estão mais adiantadas que as de tecnologia. Isso exige que a TI tenha uma postura dedicada ao negócio tradicional, mas que também tenha foco em inovação.

Sabe-se que 82% de todos os recursos da TI são para manter os sistemas existentes. Precisamos pôr mais energia em inovar, por isso o papel do CIO deve mudar para que ele valorize ainda mais o negócio. Esse valor, muitas vezes, virá dos dados disponíveis, isto é, da capacidade das empresas de pegar dados estruturados e não estruturados, que venham de máquinas ou de pessoas, para integrá-los, analisá-los e, com isso, encontrar informação valiosa. Trata-se de uma análise que efetivamente permita gerar ações de negócios.

Hoje a maioria das empresas já possui os dados que necessitavam para trabalhar. O desafio agora é gerar real valor dessa informação. Temos estatísticas que apontam que só 3% dos dados de uma empresa são usados para análise, o que é muito pouco. Ainda temos muito a fazer.

Um dos principais desafios para os CIOs em 2017 será, certamente, implementar uma estratégia de dados efetiva, que vai do armazenamento, passa pelo gerenciamento de dados e garante a mobilidade e reuso dessas informações. No modelo tradicional, muitas vezes o CIO apenas armazena e cuida dos dados, mas não tira real proveito deles. A verdade é que a análise de dados vai muito além de gráficos e telas bonitas. É preciso coletar os dados, armazená-los, garantir sua segurança, dar acesso a eles, mobilidade e ainda promover o reuso.

Outro fator que merece destaque é que já a partir deste ano a maior parte dos dados será gerada pelas máquinas, e não por pessoas. Serão os sensores, as câmeras de segurança, os aparelhos de saúde, entre outros, as principais fontes de informação. O verdadeiro big data vem das máquinas e o armazenamento dessas informações transforma a tecnologia da informação em verdadeiras empresas de inovação social, que busca soluções para beneficiar os negócios e fazer o melhor para a sociedade.

A TI deve ainda prestar atenção aos avanços do setor financeiro, que teve uma grande evolução tecnológica no último ano. Na América Latina, é preciso ficar atento também ao setor de agronegócio, pois ele está envolvido diretamente com os principais problemas que podemos ter no futuro: o fornecimento de água, alimentos e energia.

Ainda em 2017, os CIOs passarão a trabalhar com vários parceiros estratégicos, especialistas que irão assumir diferentes partes da operação. Essa é uma forma de delegar funções e, com isso, conseguir se concentrar na inovação.

*Marcelo Sales é CTO Latam da Hitachi Data Systems.