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ERPs serão principais canais de distribuição para os bancos

Em um futuro próximo, as empresas irão abrir conta bancária diretamente do sistema de gestão integrada. E farão todas as operações dentro da plataforma

18 de Outubro de 2017 - 12h02

Não importa o ramo do negócio, ter o controle sobre as finanças é um dos segredos do sucesso de qualquer pequena ou média empresa. E não é de hoje que os softwares de gestão, os chamados ERPs, fazem parte do dia a dia dos empreendedores. Controlar as despesas, os recebimentos, o fluxo de caixa, são práticas essenciais para qualquer administrador, e fazer isso atualmente sem a ajuda de um sistema significa perda de tempo e competitividade.

Muita coisa mudou desde que os primeiros ERPs surgiram dentro das grandes indústrias, nos anos 70. E pode-se dizer que uma das grandes revoluções começou há alguns anos, com o surgimento das plataformas em nuvem, que passaram a ser comercializadas na modalidade de software como serviço e democratizaram o acesso a este tipo de ferramenta, deixando de lado os altos custos de implantação, servidores, etc.

Agora, em pleno 2017, o crescente movimento das fintechs vem levando este mercado a uma nova revolução: os softwares de gestão estão se tornando “bancos”.

A criação das contas digitais, a evolução das chamadas APIs — que permitem a integração de diferentes tecnologias — e o movimento das grandes instituições bancárias em direção ao chamado “open banking” já indicavam que isso se tornaria uma realidade em breve. A morosidade das agências bancárias e burocracias que interferem na relação da pequena empresa com seu banco não condizem com a realidade atual, onde o uso de aplicativos e tecnologias online representam ganhos gigantes de produtividade no dia a dia do empresário.

As próximas contas de pessoas físicas não serão abertas em uma agência bancária e sim por um aplicativo de celular.  Mas para empresas, isso não faz o menor sentido. Em um futuro próximo, as empresas irão abrir conta diretamente do sistema de gestão. E farão todas as operações dentro da plataforma, que é onde todo o resto da operação acontece.

Para os bancos e contas digitais, estar integrado ao ERP significa estar mais presente no dia a dia dos gestores das empresas, aumentando seus ganhos ao oferecer serviços sob medida e reduzindo custos com infraestrutura própria. Para os fornecedores de software de gestão, estar conectado a um banco permite aumentar os ganhos, já que serão remunerados pelas transações efetuadas. Ao mesmo tempo irão proporcionar mais produtividade aos clientes, que poderão fazer todas as operações bancárias no próprio sistema, sem a necessidade de acessarem as plataformas dos bancos tradicionais.

Mas não há dúvida de que o grande beneficiado por esta nova revolução é a pequena e média empresa. Há pouco tempo, qual gestor imaginaria ser possível ver seu extrato dentro do próprio ERP, ou que fazer conciliação bancária seria coisa do passado, porque tudo é feito de forma automática?

Provavelmente não passou pela cabeça do mesmo gestor que sua empresa poderia ter cartões corporativos ilimitados, e que o funcionário que o utiliza tiraria uma foto de uma nota fiscal para reembolso e a mesma seria contabilizada automaticamente no sistema de gestão. Esses e outros recursos já são uma realidade que só é possível graças à integração de ERPs com bancos e contas digitais.

Em um futuro próximo, a tendência é que banco e sistema de gestão sejam cada vez mais um só e um software de gestão transferirá dinheiro para outro. Neste cenário, caberá aos bancos oferecer suas estruturas tecnológicas para que as transações se concretizem, deixando que o ERP seja a interface com o usuário.

Vivemos na era da revolução digital e a transformação de sistema de gestão será uma parte importante desse processo no que diz respeito às pequenas e médias empresas. E, acredite, os ganhos para todos os envolvidos são incalculáveis.

*Carlos Cera é CEO da Superlógica e do PJBank.