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ERP antigo: o gargalo dos novos negócios

Se preparar para os desafios emergentes exige investimentos em soluções que permitam inovar, ter foco no cliente e colaboração social

11 de Abril de 2016 - 08h00

É comum vermos fabricantes trabalhando da mesma forma desde a década de 90, sem ao menos atualizar o sistema de ERP. Muitos não percebem que ainda dependem de um sistema antigo e que a tecnologia defasada traz um problema enorme aos negócios, reduzindo a eficiência da empresa e tornando-a menos competitiva em relação aos concorrentes.

Foi nos anos 90 que gerentes preocupados com o bug Y2K, conhecido como bug do milênio, um erro na lógica de programação de alguns softwares que ameaçava a segurança, compraram boa parte das implementações de ERP que ainda estão no mercado. Alguns desses sistemas foram escolhidos para garantir a integridade das operações, mas com base em critérios retrógrados e no medo. Para os compradores era mais fácil adquirir produtos que já estavam em uso em grandes organizações de quase todos os setores que utilizar tecnologias desconhecidas. Na época, o mais importante era ter capacidade para otimizar um processo de fabricação repetitivo e de grande volume.

Mas o mundo mudou, e com ele as demandas tecnológicas e o ambiente de trabalho. Hoje, poucos fabricantes conseguem ter sucesso se concentrando em ERPs antigos, porque os ciclos dos produtos são curtos e os clientes exigentes. A busca por resultados rápidos e precisos exige um comportamento diferente das empresas. A lacuna entre os recursos das soluções mais antigas e as demandas atuais gera problemas que os fabricantes não conseguem ignorar, como a falta de informações e conectividade. Por isso, de acordo com estimativas do Gartner, um sistema de ERP deve, no mínimo, ter uma implementação federada, que permita a combinação flexível de soluções pontuais de software de adaptabilidade.

A empresa de pesquisa também considera dois pontos importantes: a tecnologia social e a mobilidade. Não tem como desassociar o ERP da experiência das redes sociais e da tecnologia móvel da era pós-pc. Gerenciar uma empresa é uma atividade colaborativa, e o mercado já percebeu os benefícios de permitir interação dos usuários. Por isso, é estimado que ainda em 2016 mais de 70% das empresas usem aplicativos de ERP associados à tecnologia social, e que pelo menos 50% das empresas permita que os usuários acessem os ERPs de um ambiente móvel.

Os fabricantes devem focar em recursos eficientes que atendam as necessidades dos negócios e permitam uma boa experiência para o usuário, diferente do que acontecia no passado. Por isso, modernizar a solução implica investir em:

• Negócios sociais: os fabricantes têm muito a ganhar ao melhorar a colaboração e as conexões entre pessoas, sistemas, máquinas e outros recursos.

• Análises avançadas em tempo real: os sistemas de ERP mais antigos adotam uma abordagem de retrospectiva para a geração de relatórios e análises, permitindo extrair informações sobre transações que já aconteceram. As soluções atualizadas oferecem análises em tempo real e permitem que as empresas atuem de forma analítica, sabendo, por exemplo, quais devem ser os próximos passos.

• Arquitetura flexível: uma solução moderna precisa oferecer flexibilidade para integrar e configurar os recursos necessários. Isso só deve acontecer se o sistema for construído em uma arquitetura que funciona como a Internet, com conexões flexíveis e padrões abertos, que permitem a personalização do sistema. É importante ter em mente que um sistema de ERP moderno deve trazer benefícios à empresa, como a inovação focada no cliente, melhoria dos processos comerciais e colaboração na cadeia de fornecimento.

*Lisandro Sciutto é diretor de produto da Infor na América Latina.