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Empresas planejam recompensar funcionários para garantir conformidade com GDPR

Pesquisa revela que 71% das empresas planejam oferecer benefícios a empregados que seguirem o regulamento de proteção de dados da União Europeia e penalizar aqueles que não cumprirem as novas regras

07 de Dezembro de 2017 - 18h22

Três em cada quatro empresas planejam incentivar e compensar funcionários que seguirem os processos de conformidade com a Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia (GDPR). É o que aponta o relatório Veritas 2017 GDPR, o qual revela também que a grande maioria dos entrevistados (91%) admite que sua organização não possui uma cultura de boa governança de dados. No entanto, muitas empresas estão buscando mudar isso. Um indicativo disso é que até 71% dos executivos responsáveis pela implementação do compliance à nova norma disseram que suas empresas planejam tomar medidas ousadas para criar uma cultura de conformidade ao GDPR, à luz da regulamentação que entrará em vigor em maio de 2018.

Os entrevistados disseram acreditar que os dados são um dos ativos mais críticos de suas empresas, mas muitas delas ainda estão lutando para adotar boas práticas de higiene de dados — e isso geralmente começa com a implementação de novas tecnologias para entender onde estão os dados e o que dados que eles devem manter ou excluir. Eles também percebem que precisam treinar melhor os funcionários.

 A maioria das organizações pesquisadas (88%) em todo o mundo, também planeja motivar mudanças no comportamento dos funcionários através de recompensas, penalidades, contratos e treinamento para ajudar a força de trabalho a ser mais responsável pelo cumprimento do GDPR. 

No que diz respeito ao treinamento, a maioria (63%) das empresas acredita que os empregados devem receber treinamento obrigatório nas políticas do GDPR para evitar penalidades.Isso porque a não adesão às diretrizes contratuais poderá ter consequências sérias. Quase metade (41%) dos respondentes também planeja adotar procedimentos disciplinares para os funcionários que infringirem as políticas da GDPR.  Um quarto das empresas (25%) considera suspender benefícios (incluindo bônus) dos funcionários que não cumprirem as diretrizes. Além disso, 34% afirmou que recompensará os funcionários que aderirem às políticas da GDPR, já que os mesmos estarão contribuindo para a promoção de uma governança de dados adequada dentro das empresas e que, por sua vez, poderá ter um impacto positivo nos negócios.

Mudanças culturais geradas pela GDPR

Segundo o relatório, a maioria dos respondentes (91%) admitiu que a sua empresa não possui uma cultura de boa governança de dados ou de conformidade com a GDPR. No entanto, conforme indicado acima, as empresas concordam que o treinamento dos funcionários é essencial para a implantação de mudanças culturais dentro de suas organizações.

A maioria (63%) das empresas acredita que todos os funcionários devem receber um treinamento obrigatório sobre as políticas da GDPR. No entanto, os respondentes prontamente identificaram os tipos de funcionários que deveriam receber esse treinamento: 86% afirmaram que o departamento de TI dever ter prioridade, seguido pelos departamentos de diretrizes e estratégia de negócios (85%); desenvolvimento de negócios-vendas-canal (84%); jurídico (82%); e financeiro (82%).

“Embora os dados sejam um dos ativos mais importantes dentro de uma empresa, muitas organizações ainda têm dificuldade em implantar boas práticas de higiene de dados - e isso frequentemente começa com os próprios funcionários,” afirmou Mike Palmer, vice-presidente executivo e diretor de Produto da Veritas. “No entanto, a nossa pesquisa mostrou que as empresas estão começando a levar mais a sério a necessidade de implantar mudanças na sua cultura interna.”

“Conforme as empresas consideram a implantação de novos processos e políticas, tais como treinamentos, recompensas e atualizações nos contratos para garantir a conformidade com a GDPR, os funcionários passarão a entender cada vez mais a importância de sua função na proteção dos dados da sua empresa. Já os funcionários que não levarem essas medidas a sério poderão sofrer um impacto negativo nos seus bônus e benefícios.”

Benefícios da conformidade com a GDPR

Além de evitar multas e penalidades regulatórias rigorosas, muitas empresas têm consciência de que o aprimoramento das práticas de conformidade pode trazer benefícios aos negócios que vão muito além da prevenção de sanções. Segundo a pesquisa, quase todas as empresas (95%) acreditam que a conformidade com a GDPR trará benefícios substanciais aos seus negócios, tais como um melhor gerenciamento de dados dentro da empresa como um todo.

As empresas citaram os seguintes benefícios gerados por melhores práticas de conformidade:

. Melhoria na higiene de dados: 92% dos respondentes acredita que a sua empresa se beneficiará de uma higiene de dados eficiente, pois além de aumentar a confiança nos dados, esta prática melhora a qualidade e a precisão dos mesmos e contribui para o cumprimento das políticas. 

. Aumento da percepção: 78% acredita que a conformidade com a GDPR contribuirá para uma melhora na percepção de dados sobre as suas empresas — um elemento chave para aprimorar a experiência dos usuários. 

. Economia: 78% acredita que a sua empresa economizará dinheiro.

. Construir a reputação da marca: 59% acredita que a conformidade de dados ajudará a fortalecer a sua reputação ou a sua relação com os clientes.

. Proteção dos dados: 51% das empresas acredita que essa medida ajudará a proteger seus dados de maneira mais eficaz.

. Aumento de receita: 45% espera que um melhor gerenciamento de dados gere uma redução de custos e um aumento nas receitas ou na participação de mercado. Uma em cinco (22%) empresas afirmou que a conformidade aumentará a renda disponível para investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) ou na utilização de recursos adicionais de inovação.

. Contratação de funcionários: Um quarto (25%) dos respondentes afirmou que melhorias na conformidade dos dados permitirão à empresa contratar mais funcionários para melhorar o atendimento ao cliente.

Principais maneiras de implementar uma cultura de boa governança de dados e de conformidade com a GDPR:

- Incluir a conformidade nos contratos de trabalho dos funcionários

- Implantar procedimentos disciplinares no caso de infração da GDPR

- Orientar os funcionários sobre os benefícios da conformidade para a empresa

- Orientar os funcionários sobre as consequências da não-conformidade para a empresa

- Oferecer recompensas pela adesão à GDPR

- Implantar políticas mais rigorosas de acesso aos dados

- Restringir o acesso aos dados

- Suspender benefícios dos funcionários no caso de não-adesão à GDPR (ex: suspensão do bônus).

Pergunta: “Quais as medidas que a sua empresa deverá adotar para implementar uma cultura de boa governança de dados e de conformidade com a GDPR entre os funcionários?” Oito respostas mais escolhidas. As perguntas foram feitas aos 900 respondentes.

“A GDPR passa a vigorar a partir de 25 de maio de 2018, e será aplicada a todos os tipos de empresa dentro e fora da UE que ofereçam produtos ou serviços aos residentes da UE ou que monitorem o seu comportamento,” acrescentou Palmer. “As empresas que aderirem à conformidade não só diminuirão o risco de receber multas, mas também terão a oportunidade de oferecer experiências melhores aos seus clientes através de um gerenciamento de dados mais eficiente — e isso terá um impacto positivo tanto no índice de fidelidade dos clientes quanto na receita e na reputação da marca.”

Metodologia

A Veritas contratou os serviços da Vanson Bourne, uma empresa independente especializada em pesquisa de mercado no setor de tecnologia, para realizar a pesquisa na qual esse estudo foi baseado. Um total de 900 formadores de opinião corporativos foram entrevistados entre fevereiro e março nos EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Austrália, Singapura, Japão e Coreia do Sul. Os entrevistados trabalham em empresas de vários setores do mercado que empregam um mínimo de 1.000 funcionários. O principal requisito para participar da pesquisa é que as empresas mantenham algum tipo de relação comercial com a UE.

As entrevistas foram feitas online e seguiram um processo rigoroso de triagem multinível para garantir que somente os candidatos adequados participassem da pesquisa.