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Empresas bem-sucedidas na economia digital serão as que priorizam pessoas

Accenture aponta mudança fundamental na forma como as companhias usam inovações e lista cinco tendências orientadas à digitalização

27 de Janeiro de 2016 - 12h52

Empresas líderes que desenvolvem uma abordagem em que as pessoas estão em primeiro lugar serão as grandes vencedoras na economia digital de hoje, de acordo com um relatório global da Accenture. À medida que os avanços tecnológicos aceleram a um ritmo sem precedentes - revolucionando dramaticamente a força de trabalho - as empresas que proporcionam aos funcionários, parceiros e consumidores o ganho de novas habilidades podem capitalizar de forma plena as inovações.

“Aquelas que o fazem terão capacidades incomparáveis para criar novas ideias, desenvolver produtos e serviços de ponta, revolucionando o status quo”, reforça a consultoria, que identificou cinco tendências tecnológicas consideradas críticas para o sucesso digital.

Paul Daugherty, CTO da Accenture, resume: Digital significa pessoas. Segundo o executivo, as empresas que adotam o formato digital podem capacitar sua força de trabalho para aprender novas habilidades de forma continua, o que permitirá que façam mais com a tecnologia e gerem maiores e melhores resultados de negócios.

A pesquisa, com mais de 3,1 mil empresas e executivos de TI em todo o mundo, a identificou que 33% da economia global já é impactada pelo formato digital. Além disso, 86% dos entrevistados preveem que o ritmo da mudança tecnológica vai aumentar muito rapidamente, sem precedentes, ao longo dos próximos três anos.

O relatório destaca como as companhias, muitas vezes, podem se sentir oprimidas pelo ritmo da mudança tecnológica, experimentando um "choque de cultura digital" ao acompanhar a concorrência. No entanto, elas podem adotar uma abordagem em que as pessoas estão em primeiro lugar, o que lhes permitirá criar novos modelos de negócios que impulsionam a revolução digital.

A Accenture cita o exemplo da GE, que estabeleceu uma nova abordagem chamada FastWorks, aproximando os funcionários dos clientes. “Isso resultou em um rápido desenvolvimento de soluções inovadoras que venderam bem, pois atenderam e superaram as expectativas dos clientes”, mensurou.

Outro caso é o da Virgin America, companhia aérea com sede no Vale do Silício, que chegou ao ponto de colaborar com seus passageiros frequentes, retribuindo sua lealdade com opções de ações, antes da abertura de capital da empresa.

No relatório, a Accenture identifica cinco tendências tecnológicas estimuladas pelo princípio "pessoas em primeiro lugar", que são essenciais para o sucesso dos negócios na economia digital. As tendências incluem:

1. Automação inteligente. Os líderes estão adotando a automação - desenvolvida pela inteligência artificial (AI, sigla em inglês), robótica e realidade aumentada - para alterar fundamentalmente a maneira como sua empresa opera e estimular um novo relacionamento mais produtivo entre pessoas e as máquinas. Investimentos significativos estão bem adiantados, com 70% dos entrevistados reconhecendo que há mais investimentos tecnológicos relacionados com a AI, em comparação com dois anos atrás, e 55% revelando que eles planejam usar extensivamente soluções de máquina e de Inteligência Artificial.

2. Força de trabalho líquida. Ao explorar a tecnologia para permitir a transformação da força de trabalho, as empresas líderes criarão ambientes altamente adaptáveis e prontos para mudança, que são capazes de atender às demandas dinâmicas digitais de hoje. A vantagem competitiva oferecida por uma "força de trabalho líquida" se torna aparente quando entrevistados indicam que a "disponibilidade de um profundo conhecimento de tarefas especializadas" foi a quinta característica mais importante considerada necessária para os funcionários terem uma boa performance em um ambiente de trabalho digital. Outras qualidades, como "a capacidade de aprender rapidamente" ou "a habilidade de trocar de ritmo" tiveram classificações maiores.

3. Economia de plataforma. Os líderes do setor estão descobrindo o poder da tecnologia por meio do desenvolvimento de modelos de negócios baseados na plataforma para capturar novas oportunidades de crescimento, conduzindo a mais profunda mudança no ambiente macroeconômico global desde a Revolução Industrial. Isto é reforçado por 81% dos entrevistados, que concordam que os modelos de negócios baseados na plataforma passarão a fazer parte da estratégia de crescimento central da sua organização, num prazo de três anos.

4. Revolução previsível. Ecossistemas digitais que surgem rapidamente estão criando as bases para a próxima onda de revolução abrangendo os mercados e eliminado as fronteiras da indústria; líderes com visão de futuro podem prever proativamente essas trajetórias de ecossistema para ganhar uma vantagem competitiva. As empresas já estão significativamente ou moderadamente experimentando uma revolução no ecossistema, com 81% dos entrevistados indicando que eles estão vendo isso em sua indústria.

5. Confiança Digital. Oitenta e três por cento dos entrevistados disseram que a confiança é um dos pilares da economia digital. Para ganhar a confiança das pessoas, dos ecossistemas e dos reguladores neste novo cenário, as empresas devem se concentrar em ética digital como uma estratégia central. Maior segurança, por si só, não será suficiente.