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Em um cenário pleno de turbulências, CIOs focam na busca do equilíbrio

Os IT Leaders 2015 precisam se desdobrar para cortar custos operacionais sem deixar de transformar os processos de negócio

30 de Outubro de 2015 - 01h30

Quando lançou a primeira edição do prêmio IT Leaders, em 2001, a COMPUTERWORLD assumiu um compromisso com a comunidade de TI: mapear os desafios dos executivos responsáveis por liderar as iniciativas de TI dentro das empresas atuantes no país e reconhecer aqueles que têm se destacado. Quinze anos se passaram e o compromisso continua o mesmo. Nesses 15 anos, o papel dos CIOs passou por profundas mudanças. De gestor de tecnologia, hoje o líder de TI precisa ser mais próximo das áreas de negócio e maestro da chamada transformação digital. E isso justo em um momento de crises, econômica e política, que tornam o cenário ainda mais instável e, ao mesmo tempo, desafiador.

Os resultados da edição 2015 da pesquisa, realizada em parceria com a consultoria IDC e respondida por 319 executivos da área, mostram que a rotatividade típica dos momentos de instabilidade está bem alta. Durante o contato com os CIOs para participação na pesquisa, foi notado um turnover de 30% no mailing list. Entre os CIOs finalistas em 2014, 16 deixaram de figurar entre os 100 mais deste ano.

Se considerarmos as verticais desses desligamentos, tivemos mudanças em vários setores como finanças, indústria, comércio e serviços. Considerando o universo das 1000 maiores empresas do país, Carrefour, Heineken, GRU Airport, Dasa, Hyundai, Light, Azul Seguros, Petrobras Distribuidora, Bradesco, BRMalls, Lojas Marabraz, Netshoes, Coelho da Fonseca, Amil, Mondelez, Panpharma, Bayer, EMS Pharma, Merck, AstraZeneca, entre outras, mudaram de CIO nos últimos 12 meses. Europ Assistance e Sasazaki aboliram o cargo.

O modelo bimodal da TI nunca esteve tão em evidência. Muitos projetos apresentados este ano tinham foco na continuidade das operações. Poucos encararam de fato o desafio de transformar a TI em uma unidade ágil de entrega de serviços de negócios a partir de iniciativas digitais baseadas na Terceira Plataforma. Entre os que o fizeram, estão aqueles que decidiram apostar suas fichas nas startups, como o CIO da Porto Seguro.

Para metade dos 319 CIOs que responderam ao questionário, no entanto, o orçamento minguado continua comprometendo a inovação. E 68,31% deles se queixam que o orçamento de TI não é suficiente até para implementar as ações planejadas. A perspectiva de orçamentos maiores ou iguais aos de 2014 não se confirmou, mesmo com a área sendo cobrada para ter papel ativo na inovação. O jeito foi usar a criatividade.

O lado bom de trabalhar com TI é que, mesmo em um cenário econômico ruim, boa parte das empresas continuará a investir em tecnologia para automatizar processos e compensar corte de pessoas, com o objetivo de aumentar suas eficiências e melhor atender aos clientes, além de aprimorar inúmeras outras funções para combater as crises.

Diminuir os custos operacionais da empresa aparece como maior prioridade para 58% dos IT Leaders. Não por acaso, 64% estão preocupados em adotar novos modelos de contratação de serviços de TI; 84% têm planos de investir em soluções de cloud computing nos próximos 12 meses, sendo 65,18% em nuvem privada.

Seguindo o discurso de serem mais próximos das áreas de negócio, a grande maioria dos CIOs (92% deles) planeja investir em BI nos próximos 12 meses e 72,62% em renovar o CRM.

A segurança da informação é outra grande preocupação, que deve receber a atenção de 91% dos CIOs em 2016. Mais da metade (54,3%) já tem alguma solução para prevenção de perda de dados, 69,43% soluções de criptografia e 64,89% serviços gerenciados de segurança.

O uso de redes sociais na empresa é outro desafio já superado. Apenas 31,55% dos CIOs continuam não permitindo.

A revolução móvel mostra outra mudança inexorável no cenário corporativo. Tanto que 82,74% dos executivos informam que vão investir em consumerização e uso de dispositivos móveis. Em compensação, mais da metade dos CIOs entrevistados mostra algum grau de preocupação com o fato de as áreas de negócio “autoservirem” soluções de TI.

O maior desafio para 2016, no entanto, será equilibrar a melhoria da governança, prioritária para 35,74% dos CIOs, com a necessidade de inovar. Muitos dos modelos atuais de governança foram concebidos em um cenário onde a transformação digital não se aplicava na amplitude e velocidade de hoje.

Para aproveitar oportunidades de negócios, o desenvolvimento de software não pode mais ser medido em meses, ou anos. Não pode ser o gargalo. Aplicações complexas e monolíticas, que levam muito tempo para serem desenvolvidas, com arquitetura rígida que dificulta modificações, são hoje gargalos da maioria das organizações de TI.

Uma estratégia digital pressupõe agilidade e rapidez de resposta. Os modelos de governança atuais são basicamente voltados ao mundo off-line, mais estável, onde as mudanças tendem a ser incrementais. A transformação digital significa reinventar processos, pois são iniciativas que vão inovar o modo como produtos e serviços serão criados, precificados e distribuídos. Além disso, modelos de governança muito rígidos podem impedir a utilização de plataformas que permitam a usuários externos a criação de suas próprias soluções, em cima dos sistemas internos da empresa. A organização de TI deve criar uma plataforma que permita a criação de aplicações por terceiros através do uso de APIs.

A boa notícia é que 48% dos CIOs afirmam já liderar ações que geram mudanças significativas na empresa. E 40% dizem ter um conhecimento profundo do negócio, a ponto de constantemente fomentar projetos inovadores. Um terço já investe tempo e recursos em iniciativas para clientes externos.

Completando o cenário, do ponto de vista de atividade econômica, 35% dos CIOs ranqueados são da área de indústria, uma redução considerável em relação aos anos anteriores. Já 49% são do setor de serviços, segmento de maior aumento no ranking. Outros 13% são da área de finanças e 3% de governo. Um terço dos executivos trabalha em companhias cujo faturamento mínimo anual é de R$ 1 bilhão. Outra fatia de 20% dos respondentes pertence a empresas com faturamento anual entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão.