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Elevação do dólar pode trazer negócios a países como Brasil?

Desconsiderando a variação cambial, o mercado de TI cresceria 3,1% em 2015, segundo projeções do Gartner

09 de Abril de 2015 - 11h42

A rápida elevação da moeda norte-americana criou uma situação de choque que vai influenciar os números referentes aos gastos globais com tecnologia da informação. O Gartner projeta queda de 1,3% no total movimentado pelo setor em relação ao ano passado. Se isso confirmar, o montante transacionado pela indústria seria da ordem de US$ 3,66 trilhões em 2015.

O fenômeno não se restringe a economias tidas como mais frágeis. O avanço do dólar contra moedas como o Euro tende a afetar as compras de TI em diversas regiões do mundo. A título de comparação, com os 1 mil euros que se comprava um hardware até um ano atrás não são mais suficientes para adquirir uma máquina similar agora. O mesmo cenário se aplica a questões mais "etéreas", com serviços. 

O Gartner tem revisto para baixo suas previsões. Em janeiro, a consultoria apontou para uma expansão de 2,4% do setor sobre os números de 2014. Com isso, a vertical de tecnologia fecharia este ano com um total transacionado na casa dos US$ 3,8 bilhões.

Apesar da redução das estimativas, a empresa de pesquisa acredita que o cenário não representa recessão. Na opinião de John-David Lovelock, vice-presidente de pesquisas da companhia, sob a perspectiva de câmbio, a taxa de crescimento nos gastos não soam tão mal. Desconsiderando a variação do dólar, o mercado cresceria 3,1%, apenas 0,6% abaixo das previsões iniciais.

Aqui entra um ponto de reflexão. Na visão do especialista, o contexto pode, em alguns, casos reverter movimentos de empresas americanas contratando serviços de provedores de outras regiões do mundo em busca de uma oportunidade de aproveitar a valorização do dólar. A onda poderia chegar ao Brasil?

Cenário local

Seria bom se esse movimento se concretizasse. O Gartner estima que os gastos com TI no Brasil em 2015 deverão somar US$ 116 bilhões. A cifra significa redução substancial sobre previsão inicial de US$ 125 bilhões feita pela consultoria para o ano. A queda é um reflexo da desaceleração da economia do País, o que faz com que as empresas sejam mais cautelosas com novos investimentos.

O montante, contudo, trata de gastos de empresas no país e considera efeitos de desaceleração econômica e elevação do dólar, entre outros fatores. Resta saber como os provedores nacionais reagem a informação de que US$ 9 bilhões ficarão para trás. Independente de fatores cambiais, provedores locais ganham margem para oferta de serviços a empresas norte-americanas, em uma primeira análise.

A consultoria dá parte do mapa para seguir o caminho das pedras listando as prioridades dos CIOs ao redor do mundo: BI e analytics; infraestrutura e data center; cloud; ERP; mobilidade; digitalização e marketing digital; segurança; redes e comunicação de dado; CRM; aplicações específicas de indústria; modernização de legados; e aplicações corporativas.

Resta compreender qual a posição vale a pena adotar. Recapitulamos aqui uma frase de Cassio Dreyfuss, vice-persidente do Gartner, concedida em entrevista recente à Computerworld Brasil, que trata de um contexto mais amplo, mas  serve para se pensar na situação.

“Em um mundo globalizado, essa onda [de digitalização das empresas] certamente afetará empresários brasileiros, que terão que responder a esse desafio da competitividade [...]. Não existe mais barreira. [As empresas nacionais vão] ter que ter um nível de, pelo menos, paridade com o competidor estrangeiro”, observou.