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Do que os executivos têm medo?

É preciso antecipar-se. O mercado está diariamente em transformação e as tecnologias já estão ao nosso alcance

24 de Março de 2016 - 07h00

Arrisco dizer que alguns executivos têm medo de cobras e ratos, outros de escuro, por vezes vejo alguns com aflição de baratas. Entretanto, o maior medo que tenho visto atualmente no mundo corporativo é do fenômeno intitulado ‘uberização’, quando um concorrente, com um modelo de negócio inovador, entra na sua indústria e domina o mercado. O melhor exemplo não poderia ser outro, o próprio Uber, que conta hoje com uma das maiores frotas de carros, sem se quer ter investido recursos para aquisição de automóveis. Como os executivos de alto escalão de grandes organizações estão lidando com esse novo tipo de concorrência que hoje já invade diferentes setores?

O mercado vem se transformando rapidamente com a chegada de novos entrantes. Outro dia, um CMO de uma grande rede hoteleira dos Emirados Árabes disse que até pouco tempo atrás eles tinham que se preocupar basicamente com a rede de hotéis Four Seasons, mas agora outras companhias estão dominando o mercado, como o Airbnb. Neste contexto, tudo me leva a crer que é mais do que necessário que as empresas pensem no futuro, identifiquem novas tendências e se posicionem para prosperar em uma “era disruptiva”. E mais, é preciso ser ágil e eficaz para introduzir e disseminar tais mudanças dentro da organização.

Porém, o que isso significa? Em um recente estudo da IBM, realizado com mais de cinco mil líderes de 21 indústrias, em mais de 70 países, foi identificado que as maiores ameaças para as empresas são os concorrentes que ainda não estão classificados como tal. Há poucos anos, esses tomadores de decisão podiam ver os players se aproximando e desta forma se prevenir, aprimorar e expandir sua visão de negócios. Hoje em dia essa concorrência é invisível. Perigoso? Muito. Vamos considerar os números: segundo os entrevistados a convergência de indústrias está acima de qualquer outra tendência que eles preveem para os próximos três a cinco anos.

E quem são esses invasores invisíveis? A pesquisa os classificou como “pequenos vorazes”, que são geralmente startups, pequenas e com um modelo de negócio totalmente inusitado. Elas não têm uma infraestrutura legada e usam ativos de outras empresas. De repente, quando são notadas, já engoliram um pedaço do mercado de algumas indústrias.

Mas, então como inovar neste cenário em que não se sabe exatamente de onde vem o “tiro”? Está no topo das prioridades dos executivos o investimento em tecnologia (71%), fator primordial para transformação. Entretanto, eles ainda estão incertos quanto ao impacto da tecnologia no dia a dia de suas organizações.

O estudo mostrou que a forma com que esses líderes estão interagindo com os clientes também está mudando e estão querendo, principalmente, criar experiências individualizadas. Os números indicam que 81% esperam mais interação digital. Outra questão muito relevante para esses líderes são as fontes externas de inovação que os ajudam a atacar de forma mais eficaz os concorrentes. Por isso, 70% deles planejam aumentar as parcerias para acelerar a transformação em sua organização. Além disso, foi identificado que muitos ainda têm receio de se desviar do caminho tradicional e quase dois terços planejam entrar em novos mercados.

Além das empresas tradicionais e das pequenas vorazes, outro grupo foi identificado na pesquisa, as “desbravadoras”, que representam 5% do total. São organizações que possuem sólida reputação por estarem sempre inovando e superam as demais empresas de sua indústria em termos de receita e lucratividade. Essas companhias estão mais cientes do risco de serem atacadas por novos entrantes de outras indústrias. Além disso, estão explorando as oportunidades em espaços adjacentes e removendo a burocracia para ficarem mais ágeis.

Em suas últimas previsões, a IDC estimou que, até o ano 2018, 35% dos recursos de TI irão diretamente para a criação e a implementação de novos processos digitais dentro das empresas. Esse é um índice positivo e que tende a crescer cada vez mais.

É preciso antecipar-se. O mercado está diariamente em transformação e as tecnologias já estão ao nosso alcance. Computação em nuvem, soluções de mobilidade, Internet das Coisas e Computação Cognitiva são soluções fundamentais para um melhor entendimento e interação com o cliente, além de otimizar os custos de capital e proporcionar uma gestão menos burocrática e mais eficiente. Esse já é o futuro e os executivos que quiserem fazer parte dos 5% na linha de frente devem arregaçar as mangas e deixar que o medo seja um impulso para o início, apenas o início de uma grande jornada!

*Mauro D’Angelo é diretor de soluções de indústria da IBM Brasil.