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Disputa entre fabricantes de smartphones agora será travada no campo dos assistentes virtuais

Segundo o Gartner, em 2019, 20% de todas as interações do usuário com o smartphone serão feitas através de assistentes pessoais como o do Google e a Siri, da Apple

03 de Janeiro de 2017 - 11h22

A disputa entre os fabricantes de smartphones e sistemas operacionais móveis a partir de agora será travada no campo dos assistentes pessoais virtuais (VPAs, na sigla em inglês). De acordo com uma pesquisa do Gartner, em 2019, 20% de todas as interações do usuário com o smartphone serão feitas através de VPAs.

Segundo o instituto de pesquisas, os avanços de várias tecnologias levarão os usuários a interagir com smartphones de forma mais intuitiva. "O papel das interações intensificará a crescente popularidade dos VPAs entre os usuários de smartphones e nas conversas feitas com máquinas inteligentes", diz a diretora de pesquisas do Gartner, Annette Zimmermann.

Apesar da falta de estatísticas, pesquisa anual sobre apps móveis, realizada pelo Gartner no último trimestre de 2016 com 3.021 consumidores em três países (EUA, Reino Unido e China), revela que 42% dos entrevistados nos EUA e 32% no Reino Unido utilizaram VPAs em seus smartphones nos últimos três meses.

Outro indicativo dessa tendência é o levantamento feito com usuários de smartphones na Austrália e Nova Zelândia, o qual mostra que mais de 37% dos entrevistados (média entre EUA e Reino Unido) usam um VPA ao menos uma ou mais vezes ao dia.

Ainda de acordo com o levantamento, a Siri, da Apple, e o assistente pessoal do Google são atualmente os mais amplamente usados em smartphones. Conforme a pesquisa, 54% dos entrevistados nos EUA e no Reino Unido usaram a Siri nos últimos três meses. Já o VPA do Google é usado por 41% dos usuários de smartphones no Reino Unido e 48%, nos EUA.

A diretora de pesquisa do Gartner, Jessica Ekholm, diz que o "uso dos VPAs está vinculado vai acelerar a incorporação de muitas características novas pelos smartphones, incluindo a integração de serviços de negócios, sistemas de idioma".

O Gartner prevê que, em 2019, os VPAs mudarão a maneira como os usuários interagem com dispositivos e se tornarão universalmente aceitos como parte da vida cotidiana. A analista Jessica observa que os VPAs estão cumprindo tarefas simples como o de alarme ou recuperação de informações da web, mas avalia que, num futuro próximo, esses sistemas serão capazes de realizar tarefas mais complexas, como completar o contexto de uma transação com base em informações do passado, do presente e do previsto, no futuro.

Essa tendência, segundo ela, será intensificada pelo aumento das conversações envolvendo negócios, mas ressalta que a voz não será a única interface do usuário para uso do VPA. "Na verdade, o Facebook Messenger está permitindo que os usuários interajam com empresas para fazer compras, falar sobre serviços com clientes ou solicitar um carro do Uber", acrescenta Jessica.

Como exemplo, ela cita o WeChat, da Tencent, que gera mais US$ 1 bilhão em receita, oferecendo uma abordagem tudo-em-um aos seus 440 milhões de usuários, em que eles podem pagar contas, pedir táxis ou produtos por meio de texto.

O fim dos apps

Globalmente, a China representa o mercado mais maduro, no qual o domínio crescente de plataformas de mensagens está transformando o mercado tradicional de apps. No futuro, segundo o Gartner, essa tendência continuará a crescer, não só entre os consumidores, mas também entre empresas ou o chamado prosumer (produtor-consumidor)

Por exemplo, integração do Cortana ao Skype, da Microsoft, permitirá que os usuários conversem com seu VPA — o Cortana facilitará a interação com um bot de terceiros para conseguir fazer, por exemplo, uma reserva de hotel ou de um voo. "Acreditamos que a inteligência artificial, o aprendizado de máquina e os VPAs serão os principais campos de batalha estratégicos a partir deste ano em diante, e farão muitos apps móveis desaparecerem ou se tornarem subutilizados", diz Annette Zimmermann.

Com uma base instalada prevista de aproximadamente 7 bilhões de dispositivos pessoais, 1,3 bilhão de wearables e 5,7 bilhões outros dispositivos de Internet das Coisas (IoT) até 2020, a analista do Gartner diz que a maioria dos dispositivos será projetada com um mínimo de funções ou zero touch.

Tanto que, até 2020, o Gartner prevê estarão disponíveis em 2 bilhões de dispositivos, inclusive de IoT, com interfaces zero touch. "As interações vão passar longe das telas sensíveis ao toque e farão com que cada vez mais sejam usados sistemas de voz, tecnologia ambiental, de biometria e sistemas de reconhecimento de movimentos e gestos," acrescenta Annette.

"Nessse cenário, apps que usam informações contextuais se tornarão um fator crucial para aceitação do usuário, já que como a usabilidade de um sistema orientado a voz aumenta drasticamente de acordo com o quanto ele sabe sobre meio ambiente do usuário."