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Desafios da transformação digital

A velocidade da revolução digital traz oportunidades e ameaças aos mercados, exigindo alinhamento e integração em várias funções das organizações

30 de Novembro de 2016 - 11h47

Estamos vivenciando um processo de transformação digital intenso e em velocidade nunca antes vista pelas empresas e mercados. Os avanços na tecnologia da informação e suas ferramentas permitiram às empresas viabilizar ideias inovadoras, capazes de modificar por completo seus mercados. Impulsionadas pelas inúmeras oportunidades em transformar seus negócios, a evolução digital é parte integrante da maioria das empresas, seja ela de característica incremental ou revolucionária, ou até mesmo para se defender de novas ameaças criadas pela competição, como o surgimento de uma startup disruptiva, que atue no mesmo segmento de mercado.

É cada vez mais comum o aparecimento de novos cargos e funções “digitais”, como chief digital officer (CDO) e silos ou departamentos. No entanto, dados de mercado indicam que, na prática, organizações maduras e com sucesso na trilha de transformação digital investiram de maneira integrada em todas as suas funções, promovendo um alinhamento organizacional nesta direção e superando as barreiras comuns, como falta de recursos e de talentos.

Como evitar as armadilhas e se preparar para o mercado?

Algumas características das organizações maduras na trilha digital devem ser observadas. A pesquisa “Aligning the organization for its digital future”, de 2016, que trata de negócios digitais e foi desenvolvida pela Deloitte em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), no traz alguns importantes insights:

· Integrar a estratégia geral à digital: a primeira grande evidência nas organizações maduras é integrar as estratégias digital e corporativa. Companhias com menor grau de maturidade digital ainda tratam suas iniciativas e estratégias dessa área como objetivos adicionais ou separados do negócio principal. Normalmente, é comum encontrarem problemas no decorrer das ações de transformação por não haver outras áreas da empresa preparadas para atuar e suportar os modelos digitais. O planejamento de TI, por exemplo, deve considerar dimensões como Governança, Finanças, Infraestrutura e Arquitetura, além de valores da cultura digital;

· Criar uma cultura digital efetiva: ter uma cultura voltada a valores da transformação digital requer mudanças significativas no comportamento corporativo. Uma evidência disso é o alto grau de investimento em inovação por parte das empresas que fazem uso desta metodologia de negócio – chegamos a um comparativo de 87% do total, contra 38% em companhias nos estágios iniciais de maturidade digital. Programas de inovação contínuos, efetivos e que provoquem uma mudança de mindset são exemplos, além da ausência de forte hierarquia. Ações por projetos ou forças tarefas de transformação que combinem lideranças de diversas áreas, de modo a permitir que haja um engajamento a favor de um objetivo único com foco no resultado final, são bons exemplos de como evitar as armadilhas de ver a transformação esbarrar na morosidade e baixa energia da complexidade política das hierarquias;

· Comprometimento dos executivos seniores: evitar a evasão dos executivos seniores, pois a transformação das empresas deve ser iniciada por eles, aumentando seu desenvolvimento na cultura e valores digitais, alavancando as suas lideranças para reter e transformar talentos e ainda evitando a perda de conhecimento tão custosa, que só é conseguida por meio da experiência do executivo na empresa. Um exemplo prático é liderar incubadoras dentro da própria companhia, participar de startups e desenvolver KPIs (Key Performance Indicators, ou indicadores-chave de performance) atrelados à mudança estratégica digital;

· Investir em talentos internos e planejar o desenvolvimento de capacidades e habilidades pessoais: essas iniciativas podem ser praticadas pela implementação, por rate da área de Recursos Humanos, da filosofia do supply chain. Isso comprova que há uma preocupação em identificar as futuras demandas e habilidades, assim como em acompanhar metodologias de desenvolvimento e de planejamento para que estas habilidades sejam incrementadas, criadas e disponibilizadas no momento certo. Algumas companhias que conseguem implementar e evoluir planejando sua demanda em termos de capacidades e habilidades tendem a reter significativamente mais seus talentos;

· A importância dos softskills: Em vez de se preocupar apenas com a qualificação voltada ao domínio de toda nova tecnologia, habilidades como capacidade gerencial, pensamento inovador e orientação à mudança, entre outros atributos voltados à liderança e colaboração, são fundamentais.

Considerando as dimensões abordadas e dados da pesquisa, observa-se que para trilhar a transformação digital é importante integrar cultura, pessoas, processos, estruturas e atividades na organização de maneira alinhada com uma única estratégia, que una elementos tradicionais e digitais em todas as suas dimensões. Com isso, visa-se atacar os desafios desta transformação de modo coeso, rápido e robusto, principalmente por meio de ações práticas voltadas a resultados, evitando as armadilhas comuns e acelerando na direção da maturidade digital com segurança.

* Fábio Pereira é diretor da área de consultoria e líder em tecnologia, estratégia e arquitetura da Deloitte.