Opinião

Dados secundários são importantes fontes de informações quando usados corretamente

Historicamente, esses dados de back end têm sido utilizados para atender às necessidades de compliance e backup das empresas

18 de Abril de 2018 - 09h38

Até pouco tempo atrás os dados eram considerados como um subproduto oriundo dos negócios na economia digital que acumulavam poeira em antigos servidores e fitas. Esse cenário mudou com a evolução dos dados, os quais passaram a ser prioritários para os negócios. As organizações passaram a reconhecer a importância dos dados para seus negócios, fazendo com que aumentasse o número de executivos envolvidos em buscar as melhores práticas para a gestão dessas informações.

Na realidade, no mundo digital de hoje, os dados são fundamentais para a tomada de decisões nos negócios e nas atividades diárias. Praticamente todos os negócios podem observar ganhos com a integração, colaboração e redução de custos a partir da gestão de dados. Por outro lado, alcançar esse patamar não é tão simples e fácil como parece. O crescimento do volume de informações nos últimos anos impressiona. De acordo com a IDC, os dados mundiais alcançarão 163 zettabytes (ZB) até 2025 - o que representa mais de 10 vezes a quantidade de dados que temos hoje. Além disso, a maior parte desses dados ainda serão criados e geridos pelas organizações.

Ao mesmo tempo, para cada terabyte (TB) de dados encontrados no front-end de um determinado sistema, estima-se que existam pelo menos dois TBs de cópia de back-end. Historicamente, esses dados de back end, ou cópia secundária, têm sido utilizados para atender às necessidades de compliance e backup das empresas, servindo apenas como uma medida de segurança. As empresas não procuravam mais do que isso nessa cópia de dados secundários e, apesar de serem recursos cruciais, não entregavam nenhum valor.

O valor dos dados secundários

O cenário está mudando. Cada vez mais as organizações estão exigindo que seus dados secundários contribuam para o crescimento e desenvolvimento dos negócios. Ao mesmo tempo, houve uma mudança dentro do negócio, resultando em uma crescente ambiguidade em relação ao que indicam os dados primários e secundários. Tradicionalmente, os dados originais e de produção foram classificados como primários, enquanto os dados de cópia, de backup e de disaster recovery (DR) foram amplamente considerados como secundários.

De qualquer forma, as linhas divisórias entre os dados primários e secundários estão se desfazendo. A cópia de dados secundários está sendo mais utilizada, permitindo que as empresas aceitem o que já foi um fardo pesado de recursos e descubram o seu verdadeiro valor. Assim, os dados secundários passam a ser relevantes dentro do negócio, à medida que o seu valor é descoberto em várias áreas essenciais.

Insights: Estima-se que apenas 25% dos dados em uma organização estejam ativos, o que significa que a maioria deles pode ser encontrado armazenado em dados secundários. Por deixar de incluir 75% dos dados para análise de negócios, trata-se de um sistema falho que, sem dúvida, afetaria a precisão de qualquer relatório e análise conduzido por uma organização. Não é apenas os dados históricos que formam uma base de previsão precisa, mas ao utilizar um conjunto completo de dados eleva-se a precisão como um todo da análise.

Inovação: Pesquisas realizadas e o próprio mercado já anteciparam que o segmento voltado para aplicativos corporativos móveis valerá mais de US$ 98 bilhões até 2021. À medida que as organizações impulsionam a inovação com o desenvolvimento de aplicativos, irão descobrir que os dados secundários são uma parte crítica do ciclo de vida do desenvolvimento das aplicações. O desenvolvimento de aplicativos, no geral, requerem grandes quantidades de cópias de dados ativas e também uma cópia de gerenciamento de dados. No passado, as organizações tinham que fazer enormes clones de seus dados para testar e desenvolver esses aplicativos. Agora, podemos usar as cópias de dados secundários para essa finalidade, acelerando o desenvolvimento de aplicativos e de inovações.

Compliance: Apesar de buscar inovar, ser seguro e gerar valor a partir de seus dados, as organizações também devem garantir o compliance. Parece simples, mas na realidade o está se tornando mais complexo. A partir da notificação obrigatória de violação de dados para o GDPR - Regulamento Geral de Proteção de Dados -, existe uma demanda crescente para que as organizações forneçam recursos de pesquisa federada e garantia de dados secundários para atender prontamente ao compliance. Por exemplo, como parte do GDPR os residentes europeus têm o direito de ter seus dados pessoais completamente removidos dos bancos de dados de uma organização. Como resultado, os dados secundários tornaram-se um elemento crítico para o cumprimento do GDPR, mantendo assim o compliance.

Continuidade: Com o cenário de ameaças em evolução - incluindo o aumento do ransomware, malware e ameaças internas - não é de admirar que os dados secundários tenham se tornado mais do que uma política de segurança. É essencial reduzir o tempo de inatividade e os riscos associados a ameaças internas e externas. A continuidade dos negócios exige precisão nos dados de recuperação, que pode ser rápida e facilmente obtida a partir do armazenamento seguro e atualizado de dados secundários.

Hoje, os ambientes corporativos de TI estão em transformação. Como cada novo projeto ou engajamento do cliente hospeda novos dados, torna-se mais fácil esquecer o valor que os dados secundários trazem por tabela. No entanto, os dados secundários são um recurso crítico para a empresa, fornecendo uma imagem completa do que poderia ser o passado, o presente e o futuro. Além disso, quando usados de forma eficaz, os dados secundários fornecem as bases para uma maior inovação, aprimoramento da segurança, adequação ao compliance e melhor análise de dados.

*Bruno Lobo é Country Manager da Commvault Brasil