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Criativo ou estrategista? Como o Canvas mudou nossos processos de criação

A partir do uso da metodologia, empresas B2B passam a pensar não só nos clientes mas também no consumidor final. Isso é transformador.

23 de Fevereiro de 2016 - 09h39

Muitos empresários têm usado a metodologia Canvas para estruturar modelos de negócio ou repensar produtos e processos já existentes na empresa. Na Segware, passamos a usar a metodologia em 2013 quando estávamos criando um novo produto - um aplicativo móvel aberto ao público pelo qual os usuários podem compartilhar informações sobre segurança e pedir ajuda a algum amigo cadastrado.

Depois do sucesso dessa ferramenta passamos a fazer a todos os nossos novos produtos - e também aqueles que precisam de novas versões - seguindo a proposta do Canvas. 

Era preciso visualizar todos os aspectos do novo negócio e planejar ao máximo, mas o perfil da empresa sempre foi mais criativo e executor do que articulador. Houve certa resistência no início quando propus usar o Canvas, mas estudei a fundo a metodologia e estava convicta de que seria o melhor para nós.

Hoje conseguimos, a partir do domínio desta técnica, ter uma visão ampla e clara sobre quais caminhos devemos seguir, estabelecer prioridade sobre esse ou aquele produto a ser desenvolvido e até já desistimos de ir em frente em projetos que considerávamos promissores por constatarmos que eram inviáveis.

Em nossas reuniões, toda a diretoria participa e se debruça sobre as ideias, propõe e analisa de forma crítica. Adquirimos também uma visão mais ampla sobre o público-alvo. Como nossos clientes são as empresas de segurança, costumávamos pensar apenas neles. A partir do uso da metodologia passamos a pensar também no consumidor final. Isso foi transformador.

Para pensar nossos processos passamos a contar também com a ajuda de nossos clientes. Criamos parcerias para conversas com intuito investigativo: observando dores, ouvindo ideias e criando juntos. A concepção no nosso último lançamento, um software voltado a empresas de pequeno e médio porte, teve ajuda de um cliente do Uruguai e foi testado por outro cliente em Florianópolis antes de ser lançado.

Isso qualificou muito o produto que entregamos porque estivemos o tempo todo abertos e dispostos a mudar e melhorar.

E por que essa ferramenta? Porque ela é fundamental para uma empresa de TI que é dinâmica, com as mudanças tecnológicas ocorrendo a todo momento. Ela facilita esse processo de criação e execução de negócios.

A partir dos nove componentes (segmentos de clientes, proposta de valor, canais, relacionamento com clientes, fontes de receita, recursos principais, atividades-chave, parcerias principais e estrutura de custo) conseguimos visualizar em um único papel todas as variáveis que realmente impactam no nosso modelo de negócio. E o impacto, até o momento, tem sido extremamente satisfatório.

* Letícia Bonatti é diretora estratégica da Segware, especializada em sistemas para monitoramento de alarmes