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CPBR 2018: estratégia digital nas empresas precisa ser de cima para baixo

Pesquisador alerta que se diretoria não compra ideia, não adianta ter pessoas brilhantes na equipe

01 de Fevereiro de 2018 - 16h00

O digital entrou no topo das prioridades das empresas. Essa estratégia, contudo, não irá adiante caso a cúpula diretiva das companhias, ou o board, não comprar a ideia. O alerta é do pesquisador, mestre e doutor em comunicação, Dado Schneider, que se apresentou na  evento de tecnologia e internet que acontece nesta semana, em São Paulo.

“Tem de ser de cima para baixo”, afirmou. Como exemplo, ele citou o Magazine Luiza, que já na gestão do jovem Fred Trajano transformou a gigante do varejo, considerada hoje uma das mais digitais do País.

“Se o pessoal de cima não compra a ideia, não adianta ter pessoas brilhantes embaixo que a estratégia não vai se espalhar. Com isso, gera-se um problema enorme na carreira de talentos: quanto mais moderno o profissional for em uma empresa que não é moderna, mais frustrado ele ficará.”

Empreendedorismo e dados

Ricardo Cappra, cientista de dados, dividiu o palco da Campus Party com Schneider para abordar temas relacionados ao digital. E, como não poderia deixar de ser, ele se aprofundou sobre a cultura de dados e sua relação com o empreendedorismo.

Segundo ele, nos próximos anos, empreendedores que basearem suas decisões exclusivamente no feeling estarão fadados ao fracasso. “A empregabilidade vai privilegiar aqueles que tiverem provas ou conseguirem medir o que estão dizendo”, afirmou.

Schneider concordou com Cappra e acrescentou que conhece muitas empresas que acumulam informações, mas, ao final, não fazem nada com eles. “O grande legado de big data é o fato de ter dados precisos para tomar decisões mais assertivas”, sentenciou.

O pulo do gato na análise de dados, contudo, afirmou Cappra é traduzi-los para os negócios. “Costumo dizer que torturamos os dados até que eles confessem algo. Mas não adianta organizar os dados, se não tiver pessoas para traduzi-los”, orientou. O especialista lembrou que hoje está na moda a caça por cientistas de dados. Afinal, é um cargo que paga bem e tem status, mas encontrar um é como localizar um unicórnio.

“O cientista de dados perfeito é a junção de três competências: exatas, tecnologia e tradução de negócios. O conhecimento desse talento tem de ser tão profundo que é melhor encontrar pessoas que se complementem do que tentar ser esse profissional completo”, recomenda.

A preocupação com a tradução para a linguagem de negócios, inclusive, foi ressaltada por Cappra. É nesse momento que o analista de business intelligence (BI) e o cientista de dados têm trabalhar de mãos dadas. “O cientista trata os dados e o profissional de BI pergunta o uso dos dados”, explicou.