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Cortes de Trump para elevar gastos com defesa podem dar liderança em supercomputação à China

Para o presidente da ITIF, se o corte de recursos atingir o Departamento de Energia, o país asiático pode ganhar a corrida da supercomputação exascale

03 de Março de 2017 - 15h18

A declaração feita nesta semana pelo presidente Donald Trump de que pretende aumentar os gastos militares de defesa dos EUA em US$ 54 bilhões, no que seria o maior salto no orçamento de defesa desde o período posterior aos atentados do 11 de Setembro, deve levar ao corte de recursos em outras áreas, entre as quais o Departamento de Energia, que financia desenvolvimento da computação exascale, que promete aumentar em mil vezes o poder de processamento dos computadores. O esforço de governos e fabricantes é para projetar supercomputadores com escala de exabytes para solucionar grandes problemas globais.

Outro órgão que pode ser alvo do corte de custos é a National Science Foundation, um dos principais financiadores de projetos de iniciação científica. Em geral, os cortes serão focados em agências civis porque não há muito espaço para cortar em órgãos públicos.

"Se o presidente quiser cortar coisas como computação exascale, teremos absolutamente 100% de certeza de que a América será menos grande", disse Robert Atkinson, presidente da Information Technology and Innovation Foundation (ITIF), organização que se concentra em políticas públicas de estímulo à inovação tecnológica.

Ele observa que a China continua a lembrar os EUA de que pode ganhar a corrida da supercomputação. O país planeja lançar o primeiro protótipo exascale supercomputador, o Tianhe-3, em 2018 — a mídia estatal havia anunciado anteriormente que o supercomputador ficaria pronto neste ano. "O Tianhe-3 vai ser inteiramente fabricado no país asiático e estará plenamente operacional até 2020, mais cedo do que o plano dos EUA para seu supercomputador exascale", ressaltou o jornal estatal China Daily, acrescentando que ele "ajudará a resolver alguns dos desafios científicos mais exigentes do mundo, com maior velocidade, precisão e alcance".

Em dezembro do ano passado, os EUA desenvolveram um plano para recuperar dois anos no calendário de desenvolvimento do exascale com o objetivo de lançar um sistema até 2021. Mas, mesmo que isso se confirme, ele ainda estará um ano atrás da China. Esse cronograma, desenvolvido antes do presidente Donald Trump assumir o cargo, necessita de mais recursos para que se concretize. Portanto, um corte no orçamento do Departamento de Energia pode atrasar ainda mais o desenvolvimento de um sistema.

A ITIF divulgou um relatório no qual afirma que a administração Trump vai "torpedear o crescimento dos EUA" se adotar o modelo conservador para investimento federal proposto pelo centro de análises The Heritage Foundation. Segundo Atkinson, a porcentagem de financiamento de pesquisa e desenvolvimento (P&D) nos EUA em relação ao PIB tem diminuído ano a ano, enquanto a da China tem aumentado. "Não deve haver nenhuma dúvida sobre o que vai acontecer se essa tendência for mantida", disse. "Eles ganharão se não mudamos o curso."

Para o presidente da ITIF, o ideal é que houvesse um aumento no orçamento em pesquisa e desenvolvimento dos EUA pelos próximos cinco anos de pelo menos US$ 100 bilhões para o investimento em P&D atingisse um nível comparável ao da era do presidente Ronald Reagan. “Se a administração Trump seguir o conselho da The Heritage Foundation e reduzir o financiamento para pesquisas na área de computação avançada do Departamento de Energia para o nível de 2008, o que representaria um corte de 35%, os EUA dará vantagem aos seus competidores globais, que estão fazendo exatamente o oposto", disse a ITIF em seu relatório.