Opinião

Como usar a tecnologia para diminuir a desigualdade social

Empresas de TI podem diminuir a desigualdade digital desenvolvendo tecnologias vanguardistas na área da acessibilidade e inclusão

20 de Abril de 2018 - 07h48

O fenômeno das redes sociais trouxe para nossa sociedade um novo sentido à palavra e à sensação de pertencimento. Estar conectado significa ser parte de algo, é como encontramos nossos amigos e familiares, onde dividimos nossas emoções e interesses. Porém, esta revolução não se encontra disponível para todos.

As pessoas com deficiência viram poucos e tardios avanços para a sua inclusão nesta onda tecnológica, que os impediam de acessar as novas tecnologias de forma completa, ilimitada e completa. O Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, possui uma população de pessoas com deficiência que ultrapassa os 22%. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 10% da população tem algum tipo de deficiência e 80% vivem em países em desenvolvimento. Na América Latina e Caribe esse número corresponderia a 85 milhões de pessoas.

Empresas do setor de tecnologia da informação possuem a oportunidade singular de desempenhar um papel decisivo para a inclusão de pessoas com algum tipo de deficiência, ao criar soluções que ajudem a estes cidadãos desempenharem seu potencial e contribuir para o avanço da sociedade. As empresas atuantes do segmento devem ter entre seus objetivos a combinação da inovação e do desenvolvimento tecnológico com a criação de ferramentas que possibilitem uma maior integração social.

Através da construção de uma rede de parcerias, as empresas de TI podem diminuir a desigualdade digital desenvolvendo tecnologias vanguardistas na área da acessibilidade e inclusão. Existem atualmente alguns projetos inovadores que visam melhorar a interação e a mobilidade destes cidadãos, como ferramentas que permitem a comunicação com pessoas com deficiência motora severa, ou aplicativos que visam melhorar a expressão oral e escrita de adultos com autismo ou ainda soluções voltadas para guiar pessoas cegas em edifícios e ambientes fechados.

No que tange iniciativas gratuitas e de acesso liberado para a população, existem destaques como as soluções HeadMouse e Teclado Virtual, que permitem que as pessoas com problemas de mobilidade, tanto as mais severas como tetraplégicos ou amputados, quanto às pessoas que estão temporariamente com limitações motoras, possam usar o mouse e o teclado do computador através de movimentos do rosto e cabeça detectados através de um webcam.

É justamente no âmbito da inclusão de pessoas com algum tipo de deficiência que as empresas TI tem a oportunidade única de exercer o papel de cidadão corporativo, fazendo o que melhor sabem fazer: criar soluções que ajudem a sociedade avançar, permanentemente inovando a tecnologia para atender as demandas da sociedade, assegurando que ela também deve e pode melhorar a vida de todas as pessoas, sem nenhum tipo de distinção.

*Fabio Folchetti é diretor de Recursos Humanos da Indra no Brasil