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Como uma cidade inteligente deveria ser pensada?

Cidades espanholas foram além do desenho e implantação de soluções verticais para mitigar problemas de segurança, mobilidade, energia, etc

28 de Janeiro de 2016 - 08h25

Poder desfrutar de maior segurança e de um menor tempo gasto no trânsito, com impacto reduzido no meio ambiente. Benefícios como estes representam um dos inúmeros exemplos de como as tecnologias inteligentes podem ajudar em uma gestão eficiente no trânsito das grandes cidades, mas que resumem o que queremos quando o assunto é eficiência em mobilidade urbana. No Brasil, ainda não estamos à frente na adoção das cidades inteligentes, mas podemos ver muitas soluções sendo adotadas em cidades por aqui. O que mostra que temos muitas oportunidades em avançar neste tema trazendo importantes melhorias para a vida dos cidadãos.

O conceito de cidade inteligente é bastante amplo e implica em ter serviços conectados com uma visão integrada para atender às necessidade reais das pessoas em diversos aspectos, seja na mobilidade urbana, saúde pública, iluminação da cidade, na prevenção de acidentes, entre outros.

Tive a oportunidade de conhecer alguns importantes projetos de cidade inteligente e de como é reunir e centralizar todas as informações de todos os serviços da cidade voltados ao cidadão e para os gestores das cidades. Cito como um exemplo recente o projeto Ciudad 2020, na Espanha, que traz a participação de diversas empresas, universidades e institutos de pesquisa e inovação.

A iniciativa representa um novo modelo de cidade inteligente, sustentável e econômica no qual o cidadão é o protagonista. Aliás, uma cidade inteligente precisa da participação ativa do cidadão, de que ele conheça os serviços e seja um agente de mudança. Neste caso, o cidadão pode acessar, de forma simples, em seu tablet ou smartphone todos os serviços e aplicações disponíveis com notificações, recomendações e avisos personalizados. Mas também ele pode consultar, por meio de um site, o consumo de energia da sua casa e ter algumas medidas de economia recomendadas com base em seu perfil de consumo.

Também na Espanha, é de grande notoriedade o projeto Coruña Smart City, referência mundial pelo enfoque transversal de sua concepção, que foi além do desenho e implantação de soluções verticais para mitigar os problemas das diversas áreas como segurança, mobilidade, energia, etc. Neste projeto, concebeu-se uma plataforma tecnológica global, SOFIA2, cérebro da cidade e capaz de integrar dados e recursos, de todas as áreas.

Além da mobilidade, a segurança é outro item fundamental para a qualidade de vida das pessoas. E as tecnologias que tornam as cidades mais avançadas têm exercido um papel cada vez mais importante quando o assunto é oferecer ao cidadão uma resposta imediata e eficaz nesta área. É o caso dos centros integrados de controle, já adotados em grandes cidades, que ajudam a centralizar a gestão completa de uma cidade de maneira inteligente. O Rio de Janeiro contará com este tipo de tecnologia para receber os Jogos Olímpicos, quando são previstos somente de turistas mais de 400 mil pessoas.

Todos estes desafios afetam a cidade de forma transversal e para superá-los é preciso que as soluções partam de uma visão integrada, planejadas de forma holística, de forma a atender a cidade para um modelo eficaz de gestão. Sem dúvida, esta não é uma mudança que acontece do dia para a noite, mas é totalmente possível a partir de um planejamento e com pleno envolvimento dos gestores das cidades. E a partir do momento que temos serviços conectados, eficientes, a custo mais baixo, e cidadãos participativos consolidamos o crescimento da cidade para um modelo inteligente cada vez mais próximo.

*Cristiano Alves de Oliveira é diretor de Infraestruturas da Indra no Brasil