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Como resolver os atuais desafios de complexos ambientes de cloud

Avanços nas capacidades de inteligência artificial chegam em um ponto crucial da evolução digital

08 de Março de 2018 - 09h35

Na atual economia digital, sempre ligada e hiperconectada, consumidores e funcionários esperam um fluxo constante de inovação tecnológica das organizações que se esforçam para atender às suas necessidades. No entanto, ao mesmo tempo, eles também esperam continuidade. Para eles, os serviços digitais que confiam – tais como bancos on-line, sites de comércio eletrônico e aplicativos de mensagens instantâneas – devem funcionar de forma perfeita, garantindo uma experiência de usuário positiva.

As tecnologias modernas e as arquiteturas digitais são críticas para a capacidade das organizações de atender a essas necessidades e expectativas. Por isso, não é surpresa ver tantos investimentos, seja em micro serviços, contêineres e serviços multicloud. Mostrando a escala, o IDC estima que os investimentos em tecnologias de transformação digital aumentarão para US$ 2 trilhões até 2020.

A rápida adoção de tecnologia vem a um preço mais alto do que os valores simples em dólares. Nos últimos anos, os ambientes tecnológicos tornaram-se muito mais complexos. Por exemplo, as organizações passaram dos servidores físicos para a virtualização, antes de migrarem os serviços para a nuvem. Esta tendência, por sua vez, levou ao crescente uso de multicloud, já que as organizações procuram criar os melhores ecossistemas de TI adaptados às suas necessidades específicas. Agora, os CIOs estão percebendo que o legado de suas aplicações não foi projetado para ser executado nesses ambientes, por isso, eles estão reconstruindo-os em arquiteturas nativas da nuvem, com uso de microsserviços e contêineres.

Essas abordagens modernas são críticas para que as organizações mantenham a velocidade e a agilidade necessárias para acompanhar a agilidade de novas startups, que já nasceram digitais e desafiam grandes organizações para compartilhar o mercado. No entanto, tais mudanças rápidas criaram ecossistemas de TI hiperescaláveis, hiperdinâmicos e hipercomplexos que estão em uma espiral fora de controle.

Pesquisas recentes divulgadas pela Dynatrace revelaram que uma transação feita por Mobile ou Web agora atravessa uma média de 35 diferentes sistemas ou componentes de tecnologia, muito mais do que tínhamos há cinco anos, quando o registro era de 22 sistemas. Isso fornece uma ilustração explícita de quão rápida a complexidade está crescendo. Nesses novos ambientes, é praticamente impossível para as equipes de TI manter a visibilidade do desempenho da aplicação, colocando a capacidade de gerenciar o cliente e a experiência do usuário final em risco.

Para os executivos de TI, entre as preocupações das organizações modernas, está a complexidade que vem da transição contínua para a N=nuvem. Em primeiro lugar, à medida que eles procuram usar serviços de uma infinidade de provedores diferentes de cloud - como AWS, Azure, Cloud Foundry, SAP, entre outros - as organizações também devem estar preparadas para gerenciar cada um desses serviços. Muitas vezes, isso significa encontrar soluções de monitoramento que podem se integrar com os requisitos específicos de cada um desses ambientes e, depois, instrumentá-los manualmente, o que leva muito tempo e esforço para as equipes de TI.

A mudança para as arquiteturas nativas de nuvem adiciona uma maior complexidade, com aplicações divididas em micro serviços, sendo executadas em contêineres. Embora essa abordagem aumente significativamente a agilidade e ajude as organizações a maximizar os benefícios de migrar para ambientes Cloud, também dificulta a gestão de performance de serviços digitais. O estudo da Dynatrace alerta que mais de 75% dos CIOs dizem que seria impossível gerenciar a performance digital de forma eficiente à medida que a complexidade de TI continua aumentando. O desafio não é apenas ver por dentro e monitorar essas novas arquiteturas, além de poder acompanhar as mudanças constantes inerentes a esses ambientes hiperdinâmicos.

No entanto, o impacto desta hipercomplexidade não é apenas um desafio para TI. Existem sérias implicações para toda a empresa. Uma consequência da importância dos serviços digitais para os negócios é que as equipes de TI são obrigadas a fornecerem respostas para um número crescente de partes interessadas da organização, atendendo demandas do CEO e também de diversas equipes que prestam serviços aos clientes na linha de frente. Por isso, a TI tem agora o desafio adicional de identificar até o que gerou queda de vendas em uma determinada região. O time de tecnologia também é acionado para medir o impacto de que as mudanças de um processo solicitado pela equipe compliance terão de maneira mais ampla na organização.

Infelizmente, torna-se cada vez mais difícil para a TI encontrar tempo e recursos para responder de maneira eficaz essas questões, uma vez que se torna uma luta crescente para gerenciar a performance digital em meio à crescente complexidade de seus ambientes nativos em nuvem de rápida evolução. A combinação dessas pressões é, sem dúvida, a criação de uma grande fuga na inovação, já que as operações do dia a dia se tornam um buraco negro que atrai recursos de outros projetos de TI mais estratégicos, vitais para a capacidade futura do negócio de se manter à frente de seus concorrentes.

Em última análise, será impossível para as equipes de TI superarem esse desafio se continuarem a depender de métodos convencionais de gerenciamento de performance digital ‘tentados e testados’. Em face de hiperescala e de ambientes hiperdinâmicos, os operadores humanos sozinhos são incapazes de examinar o enorme volume de dados de desempenho que oferece à visão crucial sobre a saúde de seus serviços digitais. Não é de admirar, portanto, que quatro em cinco CIOs pensam que a inteligência artificial será a chave para suas capacidades de dominar a complexidade de TI.

Em um futuro com ambientes cada vez mais armazenados em cloud, a inteligência artificial fornece diferenciais importantes para os departamentos de TI, permitindo que eles analisem e compreendam instantaneamente milhões de interdependências existentes entre suas aplicações nativas em nuvem e a complexa infraestrutura de multicloud que a sustenta. Esta capacidade será vital para a TI manter a visibilidade de ponta a ponta de todas as aplicações, tendo condições também de relacionar ações com impactos no cliente e na experiência dos usuários.

É importante perceber que os ecossistemas digitais da próxima geração vêm com os desafios que devem ser superados antes de cumprir suas promessas. Os avanços rápidos nas capacidades de inteligência artificial não poderiam ter chegado a um ponto mais crucial em nossa evolução digital e, sem dúvida, eles serão a base para o gerenciamento de performance digital que tornará as empresas mais dinâmicas e competitivas para o atual mundo dos negócios.

*Roberto de Carvalho é presidente da Dynatrace no Brasil