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Como CIOs podem aproveitar as oportunidades criadas pelas startups digitais?

Estudo do MIT indica que 70% da inovação disruptiva e em produtos vem de fora de empresas estabelecidas e isso tem um motivo. Veja qual é

06 de Julho de 2015 - 08h30

Muito se fala sobre o fenômeno que está sendo causado pelas startups digitais, especialmente nas questões de diferenciação e disrupção de negócios, gestão, retenção de pessoas, capacidade de inovação, escalabilidade, adaptação e agilidade. Isso não ocorre à toa.

Segundo um estudo da Kauffman Foundation, há nos Estados Unidos cerca de 90 mil startups digitais, praticamente o dobro em comparação a 1982. Em 2014, cerca de US$ 48 bilhões foram investidos nesse perfil de empresas apenas nos EUA, segundo estudo publicado pela PwC e a National Venture Capital Association.

Apesar das dificuldades em se obter recursos, da burocracia e falta de incentivos governamentais e da escassez de mão de obra qualificada, esse é um mercado que movimentou R$ 2 bilhões no Brasil em 2012, segundo o site G1.

Estimativas mostram que há cerca de 10 mil startups digitais no mercado nacional, sendo que 3,5 mil já estão cadastradas no banco de dados da ABStartups (Associação Brasileira de Startups). Em termos de investimentos, estimasse que cerca de US$ 1 bilhão foi injetado nesse segmento, no país, em 2014.

E tudo isso possui um motivo básico: sobrevivência. Um estudo publicado por Richard Foster revela que algumas empresas jovens possuem maior valor de marcado do que organizações centenárias.

O mesmo levantamento mostra que apenas 13% das companhias listadas no ranking Standard & Poors de 1958 permaneciam na lista em 2011. O estudo prevê que em 2027, três em cada quatro empresas não estarão mais no ranking e darão lugar para empresas que sequer existem hoje.

A pergunta que fica é: como os CIOs e suas empresas no Brasil podem aproveitar as oportunidades criadas pelo ecossistema das startups digitais?

Há diversas formas e relacionarei abaixo cinco delas:

1. Obtenção de incentivos fiscais através do investimento em inovação. É bem provável que sua empresa já esteja investindo em inovação. A questão é se ela está, de fato, tirando o máximo proveito dos incentivos fiscais oferecidos no Brasil.

Temos duas leis que se destacam e já são utilizadas por médias e grandes empresas há muitos anos. A Lei de Informática foi criada com o objetivo de incentivar a produção de inovação da indústria de tecnologia e é utilizada por grandes fabricantes de hardware.

A Lei do Bem é mais democrática no sentido de que empresas de qualquer setor podem aplicar-se. Ambos mecanismos legais possuem pré-requisitos de elegibilidade e mais detalhes podem ser obtidos nos seguintes sites: Lei de InformáticaLei do Bem.

Há um projeto de lei tramitando no governo para incentivar as Startups digitais e mais detalhes podem ser obtidos nesse site.

2. Aumento da eficiência por injetar criatividade, inovação e o espírito das startups em suas equipes e organizações. A inovação pode ajudar empresas de qualquer setor e modelo de negócio. Empresas com modelos de negócios estabelecidos, colocam foco na operação, eficiência, produtividade e redução de custos.

Empresas que buscam incrementar ou diferenciar seu modelo de negócio focam na criação, combinação ou incremento de novos produtos. Temos também as que desejam mudar o mercado e focam na busca de modelos de negócio disruptivos.

Independentemente do momento e da perspectiva, todas as empresas precisam de pessoas criativas, empreendedoras e inovadoras. Precisamos nos lembrar que essas competências e ambientes são altamente cobiçados pelas gerações Y e Z, portanto, além de ser uma questão de sobrevivência, é também uma alternativa para retenção dos melhores talentos.

3. Redução de custos por tornar-se cliente de startups brasileiras ou internacionais. Temos no mercado brasileiro e internacional, diversas startups digitais que fornecem produtos e serviços para o corporativo (B2B) a custos mais baixos do que os praticados por empresas estabelecidas e com baixo risco.

Por exemplo, áreas de marketing precisam conhecer a ContenTools e a Tracksale. Os responsáveis por RH deveriam conhecer o LoveMonday, a Sambatech e o 99jobs. Os CIOs poderiam se aproximar da DataStorm e OneCloud.

Há consultorias no mercado que ajudam grandes empresas a conhecerem mais alternativas e esse pode ser um bom caminho para começar, pois elas avaliam antecipadamente a capacidade de atendimento e o risco de se tomar serviços de Startups digitais.

4. Investir em startups para criar novos produtos e negócios. Segundo um estudo do MIT, cerca de 70% da inovação disruptiva e em produtos vêm de fora de empresas estabelecidas e isso tem um motivo: elas não podem correr muitos riscos e precisam focar sua energia na operação.

Como alternativa, gigantes como Google, Amazon, Apple e Disney preferem utilizar o modelo orbital, ou seja, elas criam ou investem em startups separadas de suas organizações e por vezes “pousam” e “decolam” na operação. Isso ajuda a manter o foco na inovação e ao mesmo tempo não se descolar da realidade da empresa e de seus clientes.

Há também empresas que formam consórcios e criam aceleradoras e espaços de co-working para investir em Startups digitais de seus segmentos específicos.

5. Mapeamento de oportunidades e ameaças. Há casos em que as empresas desejam apenas monitorar o mercado para detectar Startups digitais que podem trazer oportunidades ou ameaças. O custo de não se fazer isso pode ser alto (como nos casos do Waze, comprado pelo Google por US$ 1,3 bilhões e WhatsApp, comprado pelo Facebook por US$ 19 bilhões) ou em alguns casos, muito alto, fazendo com que negócios percam muito valor de mercado ou simplesmente desapareçam.

Há empresas especializadas no mercado que também oferecem relatórios de oportunidades e ameaças acerca do ecossistema de Startups e que são específicos para cada setor, o que é uma excelente forma de começar, gastando pouco.

Como vimos, inovar é uma questão de sobrevivência e não pode ser considerada como um luxo ou algo que é apenas aplicado para determinados setores. Há hoje uma vasta quantidade de informação sobre o tema e sobre empresas que podem ajudar com os primeiros passos.

Recomendo que os CIOs, por possuírem afinidade com o tema, assumam a responsabilidade de disseminar e provocar essa mudança. A operação da TI é importante, no entanto, só isso não basta mais. A TI Bimodal precisa sair do papel. Que tal começar agora mesmo?

*Roberto Coelho Jr. se considera inovador em série e é CEO da Inovive. Foi CIO da Dell para América Latina e da KPMG. É Certificado em Inovação e Empreendedorismo pela Stanford University.