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Como calcular o ROI em monitoramento de redes?

É inaceitável que os departamentos de TI sejam prejudicados simplesmente porque não conseguem aprovar o uso de uma ferramenta tão importante

07 de Janeiro de 2016 - 09h50

Retorno sobre investimentos é uma definição complicada. É relativamente simples ter o total de custos com software e amortizar isso por um período. Mas no caso do monitoramento de redes, essa análise ignora o que o software realmente propõe. De forma simples, o monitoramento de rede oferece visibilidade do que acontece dentro da infraestrutura de TI, detectando problemas antes que eles aconteçam, e assegurando a disponibilidade dos sistemas.

Logo, calcular o ROI para esse tipo de software sem reconhecimento do seu impacto é semelhante a amortizar o custo de uma ferramenta para capacitação de vendas, desconsiderando se a mesma aumenta ou não os negócios. É necessária uma abordagem prospectiva que leve em conta o impacto do software de monitoramento, e mesmo assim as análises ainda não estariam livres de controvérsias.

Quando usado corretamente, o monitoramento de rede pode prevenir diversos problemas: panes no servidor de e-mails, falhas no website, inatividade da rede, entre muitos outros. O benefício para usuários e para a TI é óbvio, mas o efeito no resultado final é mais difícil de quantificar. Ficar sem e-mail por um dia afeta a produtividade, mas quando isso acontece às 9 horas de uma segunda-feira é diferente de ocorrer às 16 horas de uma sexta-feira. Da mesma forma, um problema com o website é um desastre se suceder com um varejista em um dia de evento como Cyber Monday ou Black Friday Day, mas seria um inconveniente menor para a maioria dos outros negócios.

Há estudos que buscam quantificar os prejuízos com as falhas de TI. Em 2012, o analista de mercado Michael Krigsman publicou um artigo que coloca o total de prejuízo com falhas de TI na economia mundial em $ 3 trilhões por ano. Um estudo do Gartner de 2014 oferece pontos mais detalhados sobre essa questão, colocando que o custo estimado com queda na rede é de $ 5,600 por minuto, ou $ 300,000 por hora. Enquanto os efeitos com interrupções são sentidos de forma diferente dependendo do negócio, esses estudos destacam a necessidade do monitoramento de rede e ilustram o que ele pode fazer pela saúde financeira de uma empresa.

Assim, os gerentes de TI buscam tornar a questão do monitoramento de rede uma parte do orçamento, para não precisarem usar dados analíticos ou estimativas. Ao invés disso, eles podem examinar uma série de fatores localizados – incluindo os custos com pessoal de TI, o tempo médio para recuperar falhas, o número de problemas com a rede no ano anterior e o SLA – Service Level Agreement (Acordo de Nível de Serviço) com diversos provedores de serviços. Estando munidos com dados, os gestores de TI terão mais facilidade para explicar do ponto de vista dos negócios a necessidade do monitoramento de redes.

O processo de aprovação do orçamento para TI se torna cada ano mais difícil. Quase todas as áreas do negócio agora gastam com tecnologia, e em alguns casos uma parte do orçamento é deslocado para o marketing ou capacitação em vendas. À medida que os gerentes de TI são constantemente solicitados a fazer mais com menos, a necessidade de monitoramento é ainda maior, pois mantém os olhos sobre a infraestrutura quando os profissionais não podem.

Desta forma, é inaceitável que os departamentos de TI sejam prejudicados simplesmente porque não conseguem aprovar o uso de uma ferramenta tão importante, só porque não possui o apelo atraente de ser “a próxima grande novidade”. Porém, com números consistentes e um pouco de bom senso, é possível tornar o case de monitoramento de redes um grande sucesso.

*Jürgen Thiel é gerente de desenvolvimento de negócios da Paessler no Brasil.