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Com a palavra, os novos cientistas de dados

Profissionais do Vagas.com contam como é carreira e o que é preciso para exercer a função. Anote as dicas

15 de Maio de 2018 - 09h50

Todos os dias, milhares de informações são geradas a uma velocidade impressionante. Dos dados, é possível extrair ouro, mas é necessário contar com pessoas capacitadas para fazer a leitura deles. Nesse cenário, desponta a figura do cientista de dados. A carreira não é nova, mas agora ganha força com a criação de graduações voltadas para a área e ainda cursos para quem quer exercer a função. 

Segundo o Guia Salarial 2018, da empresa de executive search Robert Half, a profissão cientista de dados desponta como forte oportunidade para os próximos meses, além de projetar ao especialista no tema salário entre R$ 12 mil e R$ 22 mil. Um analista ganha entre R$ 5,5 mil e R$ 12,5 mil.

Mas, afinal, o que faz um cientista de dados? Nada melhor do que eles para contar. Por isso, a Computerworld Brasil ouviu dois desses profissionais: Bruno Abdelnur e Luiz Brás, do Vagas.com, HR Tech especializada em soluções tecnológicas para recrutamento e seleção.

Brás disse que até pouco tempo trabalhava na área de Business Intelligence (BI), mas há cerca de dois anos decidiu focar em ciência de dados. Pouco depois, o Vagas.com decidiu formar um time só de cientista de dados para analisar os milhões de dados do site, transformando-os em insigths para produtos.

“Percebemos que várias iniciativas de ciência de dados surgiam de forma individual na empresa. Foi quando reunimos todos em uma área”, lembra ele. A rotina do time de seis cientistas de dados inclui duas vertentes. A primeira é desenhar um futuro focado em pesquisa e a segunda é desenvolver produtos no curto prazo.

Apesar de contar com um time bastante interessado no tema internamente, o Vagas.com também foi em busca de cientistas de dados do mercado. “Muitos vieram do mundo acadêmico. Era difícil encontrar profissionais com conhecimento prático. Afinal, é uma disciplina nova”, observa.

Abdelnur destacou que, geralmente, o cientista de dados tem um background de engenharia de dados e perfil analítico, além de trabalhar bem com estatísticas e matemática. “Além dessas capacidades mais técnicas, também precisa estar sempre antenado. Ver o que acontece no mercado o tempo todo, pois trata-se de um segmento dinâmico”, revelou ele.

São várias as formas de buscar conhecimento sobre a carreira e se especializar. Já há no mercado graduações na FIA, Mackenzie, ESPM e FIA sobre o tema, para citar apenas alguns exemplos, e ainda cursos on-line em portais como Udemy e Coursera, que têm parceria com grandes universidades em todo o mundo. Sem contar com iniciativas da própria indústria, como o SAS, empresa de softwares e serviços de business analytics, que também desenvolveu agendas para formação de talentos na área.

Desafios

Os especialistas relatam que a dificuldade no mercado de cientista de dados, hoje, é encontrar pessoas prontas para a função, com experiência relevante em todo o ciclo de vida de um produto. “É um paradoxo”, revelaram.

Eles reconhecem, no entanto, que a melhor forma de aprendizado é a prática. “Para nós, encontrar um cientista de dados é ainda mais desafiador, pois nossa gestão é horizontal. Não temos chefes aqui. Por isso, o talento precisa fazer a gestão de si e ter visão empreendedora. Não se trata de uma anarquia. Então, é preciso ter responsabilidade”, disse Abdelnur.

Dream team

Abdelnur e Brás ressaltaram que apesar de a formação de um cientista de dados ser, mais ou menos, uniforme, um time com esse profissional precisa ter diferentes competências, fundamental para o sucesso de iniciativas de dados. “É crucial contar com uma equipe multidisciplinar e, especialmente, que conheça os negócios”, ensinaram eles.

Os cientistas de dados do Vagas.com relataram que essa habilidade é fundamental, pois tudo parte de um problema de negócios. “Diante dele, começamos a analisar os dados. Depois, estabelecemos o que é prioridade no processo”, explicaram.

Matéria-prima

A matéria-prima do cientista de dados é o dado. Todo mundo sabe disso, mas na prática é bem diferente. “Uma empresa pode contratar o melhor cientista de dados do mundo, mas sem dados ele não é nada”, revelou Brás. No Vagas.com, o time vive praticamente em um playground informacional. São 18 anos de coleta de informações de clientes e de usuários que buscam oportunidades de emprego.

Foi usando essa base histórica de informações que o time de cientista de dados do Vagas.com pôde, recentemente, desenvolver um projeto inovador. “Criamos um sistema que promove ‘match’ no perfil do candidato e na oportunidade de emprego lançada pela empresa de forma automatizada, extraindo o melhor das habilidades soft skills do profissional.” Segundo Brás, a tecnologia deverá aumentar a assertividade da seleção, recomendando oportunidades em linha com o perfil do candidato, com base no que ele informa ao sistema.

Esse tipo de projeto deverá, ainda, aumentar a retenção nas empresas clientes do Vagas.com. Afinal, quando uma empresa contrata um profissional fora do perfil da companhia, a chance de ele se encaixar na organização é mínima.

Naturalmente, informou Brás, esse tipo de solução não elimina a entrevista feita por um humano. “São 100 milhões de currículos na nossa base, além de 1 milhão de acesso diário ao nosso site por candidatos em busca de uma oportunidade. A ideia do match é ajudar o recrutador e encontrar perfis mais em linha com a empresa. Na hora da entrevista, o processo é mais assertivo”, explicou.