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Com AI, pessoas terão tempo para serem mais produtivas, diz Bill Gates

Em entrevista, cofundador da Microsoft afirma que perda de empregos para a inteligência artificial pode ser algo positivo

26 de Janeiro de 2018 - 17h18

A ascensão da automação e da inteligência artificial promete eliminar uma série de postos de trabalho e mudar drasticamente outras profissões nos próximos anos. Mas para o cofundador da Microsoft Bill Gates, em última instância, essa mudança poderá ser positiva. Com robôs dominando talentos e tarefas, até então exclusivos às pessoas, teremos mais tempo livre e poderemos focar em como nos tornar mais eficientes.

Em uma entrevista à Fox Business, Gates defende: "o propósito da humanidade não é apenas sentar-se atrás de um balcão e vender coisas". Para ele, a inteligência artificial nos permitirá a administrar melhor o nosso tempo e produzir duas vezes mais com menos trabalho. "Bem, certamente podemos esperar a ideia de que as férias serão mais longas em algum momento", disse.

De acordo com relatório publicado no final do ano passado pelo McKinsey Global Institute, até o ano de 2030, cerca de 800 milhões de empregos globais poderão ser substituídos pela automação. O impacto das tecnologias emergentes no dia a dia do trabalho seria comparado a mudança das sociedades agrícolas durante a Revolução Industrial. Mas da mesma forma como aconteceu no passado, a tecnologia não se mostrará inteiramente destrutiva. Novos empregos serão criados e os cargos existentes serão redefinidos.

Nesta semana, a Amazon inaugurou em Seattle sua loja de conveniências que não possui caixa registradora e atendentes humanos. Por meio de aplicativo e uma série de sensores e inteligência artificial, a gigante do varejo consegue rastrear o que seus clientes tiram da prateleira e colocam em suas cestas e, uma vez deixando a loja, consegue cobrá-los e enviar a conta por meio do app.

Em face às rápidas mudanças, Gates reconhece que os desafios de hoje são distintos da época da revolução industrial. "A taxa de mudança será mais rápida nos próximos 20 anos do que era antes", disse o cofundador da Microsoft.

Gates, assim como outros nomes do setor de tecnologia, vê nos governos um papel fundamental para readequar cidadãos deslocados em um mercado de trabalho cada vez mais automatizado. Para ele, governos serão forçados a repensarem seus programas de segurança e assistência social.

Para o empresário e filantropo, feito isso, trabalhadores conquistariam melhor qualidade de vida, conseguiriam focar em outros interesses e seriam muito mais produtivos.

No ano passado, Gates também tinha sugerido que robôs que roubassem os empregos de seres humanos no futuro teriam de pagar impostos. O bilionário defendeu a taxação desse trabalho como uma maneira de financiar os serviços sociais da sociedade, como saúde, infraestrutura e policiamento.