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Coloque a decisão antes dos dados

É extremamente valioso ter uma estrutura aberta na qual seja possível adicionar análises eficientes e avançadas

10 de Novembro de 2016 - 12h17

Vivemos na era do Big Data – ou megadados. A abrangência do acesso aos dados, agora disponíveis por meio de relatórios públicos, do Google Earth ou da mineração de dados, é incrivelmente útil. Graças às tecnologias mais recentes, o nível atual (e crescente) da disponibilidade de dados significa que podemos ver melhor do que nunca o que está acontecendo em tempo real, além de tomar decisões com base nessas informações.

No entanto, os dados não são a meta, são os meios para atingir os objetivos. Muitas empresas aprenderam da pior maneira possível que uma equipe de projeto de Big Data não deve começar pela coleta de dados. Primeiro, ela deve se concentrar nas decisões que precisam ser tomadas, para só depois avaliar quais seriam os dados mais adequados para fundamentar essas decisões da melhor maneira.

Além disso, as empresas precisam ter uma “disciplina de decisão”, que garante que elas não só usem os dados para tomar decisões mais acertadas, mas também registrem, analisem e modifiquem as decisões para melhorar constantemente o desempenho.

O trabalho dos analistas muda continuamente e é desafiado dia após dia pelo aumento da disponibilidade de dados, de modo que as companhias devem desenvolver a agilidade para lidar com as rápidas mudanças no comportamento de clientes, regulamentos, condições de mercado e novas tecnologias. Isso não envolve apenas o uso de Big Data, mas também o registro transparente e auditável dos resultados das decisões tomadas com base nos dados, pois o verdadeiro valor comercial encontra-se nas decisões que uma organização toma no dia a dia. Entretanto, tomar ótimas decisões não é o suficiente. É preciso tratá-las como bens valiosos que são e armazená-las para consultas futuras, a fim de promover contínuo avanço.

Tradicionalmente, muitos setores de mercado costumam ser bastante ineficientes para centralizar, gerenciar e registrar a lógica das decisões. Isso não acontece por falta de tentativas ou despesas operacionais. Cada vez que equipes precisam decidir qual deve ser o valor do seguro de uma plataforma petrolífera, por exemplo, a maioria delas começa do zero ou precisa consultar os arquivos do último caso similar. Ao adotar a tecnologia, as empresas podem reduzir a papelada exaustiva e coletar informações úteis para as decisões, a fim de terem mais controle sobre os riscos, acessando os dados online da empresa em um dispositivo móvel. Esse tipo de registro da propriedade intelectual e a compreensão sobre o que está funcionando, com informações sobre como e porquê, são inestimáveis para o sucesso comercial, principalmente em um setor em que o raciocínio por trás das decisões é crucial para o produto à venda.

Em muitos setores, as agências reguladoras esperam que as empresas expliquem como e por que determinadas decisões foram tomadas, por isso, a importância do acesso a um sistema estruturado de tomada de decisão. Se você projetar um modelo, testá-lo, executá-lo e registrar o resultado, não terá dificuldades para mostrar em que sua decisão foi baseada. Concentre-se nessa parte, e a transparência e a conformidade serão resultados naturais.

O enfoque nas decisões, não apenas nos dados isolados, permite que as empresas criem modelos que identificam todas as informações relevantes relacionadas às decisões – incluindo dados, conhecimentos comerciais e resultados das decisões anteriores – e, portanto, tomem decisões mais assertivas. Isso promove a eficiência, a reutilização dos ativos com mais frequência e um negócio mais rentável. Muitas empresas estão se afogando em rios de dados, incapazes de perceber o valor de seus investimentos porque o foco era a coleta de dados. Em vez disso, elas devem se concentrar em usar os dados mais valiosos para fundamentar a decisão mais precisa e ideal de acordo com as circunstâncias.

Minha experiência mostra que as empresas que começam com a decisão obtêm melhores resultados em menos tempo. Essa nem sempre é uma tarefa fácil, mas os benefícios valem a pena.

A democratização das análises já começou há um bom tempo, mas alguns setores estão mais avançados do que outros. É extremamente valioso ter uma estrutura aberta na qual seja possível adicionar análises eficientes e avançadas. Além de ser um apoio para os tomadores de decisão, a capacidade de utilizar as análises com facilidade e rapidez é uma grande vantagem competitiva para o sucesso dos negócios.

*Alexandre Graff é vice-presidente e gerente geral da Fico para América Latina e Caribe.