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Cloud computing aliado a BYOD muda mercado para PMEs

A combinação dessas duas tendências irá mudar terminantemente o trabalho e o ambiente dos administradores de sistemas em todo o mundo

01 de Agosto de 2017 - 19h21

Quando você acessa qualquer portal de notícias relacionado ao mercado de TI, encontra uma série de informações sobre o futuro da TI na nuvem. A tendência de levar aplicações e dados para a nuvem não é apenas uma estratégia de marketing das maiores empresas de cloud do mundo — Amazon, Microsoft e Google. Há diversas vantagens para os negócios: custo, agilidade, gerenciamento e segurança. Então, qual a velocidade da aceitação da nuvem, especialmente para pequenas e médias empresas (PMEs)?

Em fevereiro, a Paessler fez esta pergunta aos administradores de TI. Comparado com outros dois estudos publicados recentemente: Rightscale's "State of The Cloud 2017" report e Intel Securities' report "The state of cloud adoption and security", nossos resultados mostram uma diferença no grupo de participantes.  Além disso, consideramos empresas com menos de 500 empregados como categoria PME, o que significa que o estudo da Paessler sobre aceitação na nuvem oferece dados abrangentes em relação a empresas de menor porte, se comparado aos outros dois levantamentos, com foco em grandes companhias.

Quase 70% das PMEs estão utilizando a nuvem ou estarão utilizando em breve. Em nosso levantamento questionamos os participantes sobre serviços específicos de nuvem, e descobrimos que a aceitação mais alta para serviços de cloud está relacionado à hospedagem web (80%) e a e-mail (78%) seguidos por aplicações de office (74%).

O funcionamento de máquinas virtuais (VMs) na nuvem é admitido e planejado por 55% dos respondentes. Para todas as demais aplicações entre 55% e 70% dos participantes estão ou estarão utilizando a nuvem nos próximos anos. Não é o objetivo deste artigo falar sobre porque o mundo está movendo as suas informações para a nuvem. O ponto é que essa migração é inevitável. Essas três pesquisas indicam que as empresas listadas na Fortune 500 estão indo para a nuvem, assim como as PMEs. 

Quase todos os negócios estão prontos para rodar na nuvem híbrida

A nuvem assumirá parte do que nós vivenciamos com a internet e as redes (para os consumidores isso já está ocorrendo). Os administradores que gerenciam uma rede local com switches, cabos de cobre, e uma ou mais salas de dados, sabem, que uma parte do trabalho deles e dos hardwares não irão para a nuvem tão rápido. Isso significa conviver com uma mistura de nuvem pública e privada, onde alguns dados estão instalados no seu próprio data center, e outros na nuvem.

Nesse contexto, usamos uma definição ampla de cloud, significando tudo que não está correndo nas suas instalações ou no seu próprio data center. Se uma aplicação, serviço ou armazenamento é processado em um hardware/rede que não é administrado por você (e você o acessa por meio da internet) nós consideramos isso como nuvem (PaaS ou IaaS em nuvem pública ou privada), especialmente quando você sequer opera aplicação ou o sistema operacional (Software as a Service). Consequentemente, “nuvem hibrida” mistura fluxo de trabalho e serviços na nuvem (nuvem pública) e em uma rede local (nuvem privada) dentro de uma rede mista.

Pode ser que você não utilize diretamente a nuvem da Amazon ou da Microsoft, porém atualmente quase todos os usuários da internet utilizam serviços em cloud. Todos os telefones móveis estão constantemente falando pela nuvem. Em muitos departamentos, serviços SaaS como Dropbox, Salesforce, Office 365 e Google Apps são utilizados o tempo todo. As aplicações de software de ponta (big data, inteligência artificial, etc.) não estão mais disponíveis localmente — os fornecedores oferecem somente em versão SaaS, o que contribui para alavancar a adoção da cloud.

Elimine a política de “não nuvem” (se você tem uma), inclua o Shadow IT e considere isso como sua “nuvem híbrida”

Alguns administradores considerariam aplicações em cloud como parte do Shadow IT (por exemplo, os departamentos da empresa utilizam serviços de SaaS sem avisar a TI) e gostariam de desliga-las, mas não podem fazer muito, porque esses serviços já são parte fundamental da vida cotidiana corporativa. Uma pesquisa da CipherCloud apontou que 86% das aplicações em cloud utilizadas no ambiente de trabalho não foram autorizadas.

Isso significa que o setor de TI das empresas perdeu efetivamente o controle sobre as aplicações, visto que pessoas e departamentos dizem que “Eu posso ir para a Web e ter acesso a aplicações e serviços em poucos minutos e começar a produzir. Por que me preocupar com os administradores de TI?” Muitos usuários sequer têm consciência dos riscos que estão trazendo para a empresa; e isto é um desafio para as organizações — educar o usuário. Para lidar com essa situação, algumas empresas estabeleceram um catálogo de serviços de cloud aprovados, os quais os usuários podem selecionar sem aprovação prévia da TI.

BYOD, o companheiro da cloud: quem precisa de Ethernet quando todos estão utilizando aplicações na nuvem?

A Microsoft vem nos mostrando o futuro do WiFi e do BYOD (bring your own device, ou traga seu próprio dispositivo). Em agosto de 2016, a companhia anunciou que estaria abandonando a Ethernet de cobre em 660 localidades em favor do WiFi nos próximos 24 meses. “Nossos usuários não utilizam mais mesas como estações de trabalho. Eles estão empregando seus celulares, tablets, e computadores desktop”, explica um gerente da Microsoft em um Q&A publicado no blog do Microsoft Azure. “É um ecossistema de aparelhos envolvidos em vez de um simples dispositivo de produtividade, e a maior parte desses equipamentos suportam wireless. De fato, a maior parte deles aceitam somente wireless”, comentário de David Lef, principal arquiteto de redes da Microsoft IT.

A Microsoft espera que saindo da infraestrutura com fio para BYOD irá reduzir em 50% o seu montante de equipamentos de redes. Claro que alguns escritórios continuarão com rede em cobre, por exemplo, laboratórios, data centers e outros. Mas, no final, a companhia espera que 90% dos usuários finais de infraestrutura de rede estarão acessando arquivos por meio de sinais sem fio (wireless). E isso está atrelado à missão de migrar 90% da TI interna para a nuvem Azure.

Segundo o nosso levantamento, 59% dos respondentes esperam que suas organizações sigam esse caminho nos próximos 36 meses.

BYOD + cloud = futuro 

A combinação dessas duas tendências irá mudar terminantemente o trabalho e o ambiente dos administradores de sistemas em todo o mundo. Dependendo do grau de uso e dos tipos de aplicações, esse processo será rápido ou devagar em cada mercado e organização. E permanecerá um pequeno conjunto de aplicações que não pode ser movido para a nuvem por diferentes razões.

Entretanto, creio que essa tendência já está em curso e afetará todos as organizações em um futuro próximo. Os administradores de TI precisam tomar conhecimento da nuvem, entender a segurança e a confiabilidade das aplicações.

Na Paessler, nós tivemos por alguns anos a “Política Primeira Nuvem”. A razão foi que como fornecedor de infraestrutura deveríamos chegar na nuvem antes e preparar nossos serviços e produtos para esse ambiente. Queríamos estar prontos quando a maioria dos nossos clientes começasse a se enveredar por esse caminho. Agora, nós temos mais e mais conhecimentos sobre cloud, o que nos capacita a trabalhar na nuvem em diversos aspectos do nosso negócio. Nossa conclusão? Valeu a pena o esforço!

*Dirk Paessler é CEO da Paessler AG.