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Cinco tendências que impactarão a segurança urbana

Avanços tecnológicos estão transformando a forma de oferecer segurança pública para a população, e muito ainda está por vir

23 de Fevereiro de 2016 - 07h00

Em 2016, a tecnologia de videovigilância digital completa 20 anos. Até 1996, todas as câmeras no mundo eram analógicas, mas hoje tornou-se regra utilizar as chamadas câmeras IP para dispor de imagens em alta resolução, visualizadas ao vivo em qualquer lugar do mundo, e recursos avançados para ler a placas de veículos, identificar padrões de comportamento e até reconhecer pessoas pelo rosto. Esses avanços tecnológicos estão transformando a forma de oferecer segurança pública para a população, e muito ainda está por vir.

São avanços que chegam em boa hora ao Brasil. Pesquisas apontam que a segurança é, hoje, a principal preocupação dos brasileiros. O maior desafio para os próximos anos, além de substituir as antigas câmeras analógicas por sistemas de alta qualidade, é o de otimizar o aproveitamento das imagens em combinação com um trabalho de inteligência das polícias.

Nesse sentido, considerando as tecnologias disponíveis hoje e os projetos em curso envolvendo monitoramento urbano, identificamos cinco tendências que serão objeto de investimento de muitas cidades ao longo deste ano, consolidando um processo de modernização que, quando bem executado, garantirá redução nos índices de homicídios, roubos, furtos e outros crimes.

Em conjunto, as tendências a seguir mostram que estamos caminhando para a construção de ambientes urbanos onde as tecnologias são adotadas segundo sua efetividade: não apenas para gerar uma sensação momentânea de segurança e dar suporte ao discurso pontual de políticos, mas para resolver problemas concretos enfrentados pela sociedade.

1. Integração de dados nas Cidades Digitais - O termo Cidades Digitais se refere ao investimento em tecnologias que elevem as cidades a um novo patamar de integração de informações e geração de inteligência para melhorar o serviço prestado ao cidadão. Mas não adianta oferecer pontos de acesso público à internet, por exemplo, se algumas necessidades básicas não são atendidas. Uma cidade inteligente começa por uma cidade segura, incluindo a integração dos dados de diversos órgãos públicos como SAMU, Corpo de Bombeiros e Polícia, com um único intuito – proteger o cidadão.

A imagem de uma câmera que flagra um acidente num cruzamente poderá ser vista em tempo real pelo SAMU, pelo órgão de trânsito e pelas polícias, gerando ações paralelas e com uma resposta bem dimensionada. Do ponto de vista do cidadão, o poder público precisa prestar um atendimento completo, independentemente de como esteja estruturado. Entre a demanda da população nas ruas e a resposta dos órgãos de assistência, estarão cada vez mais as câmeras.

2. Compartilhamento de imagens privadas com o setor público – Câmeras particulares de restaurantes, lojas ou bancos começarão a ser compartilhadas em tempo real com o órgão de segurança estadual ou municipal e passarão a integrar a área de cobertura por videomonitoramento da cidade.

Alguns programas pioneiros já são conduzidos em estados como São Paulo e Amazonas. Trata-se de uma forma simples de ampliar a capacidade de atuação da polícia, e que deve ser adotada por mais estados em 2016.

3. Popularização de câmeras inteligentes - Com o salto tecnológico dos últimos anos, atualmente o mercado já conta com câmeras de segurança capazes de reconhecer rostos e ler placas de carro. Além de apontar a localização de um suspeito ou de um veículo roubado, estes equipamentos contribuem para reconhecer o método de atuação das quadrilhas e, assim, dar suporte ao trabalho de inteligência da polícia. Também estão surgindo no Brasil projetos envolvendo câmeras que controlam semáforos de acordo com a presença ou não de veículos na via – o que otimiza o trânsito e reduz o tempo de deslocamento.

Devem surgir ainda grandes projetos envolvendo câmeras que geram alertas para os operadores na sala de controle quando um veículo anda na contramão, quando para no acostamento ou em local proibido, ou quando um caminhão recém roubado acaba de passar por um ponto monitorado. Em breve, serão até mesmo gerados alertas automáticos ao se ouvirem tiros nas proximidades. Tudo isso já existe e estará mais presente nas ruas este ano.

4. Avanço de câmeras em deslocamento - Ainda com o intuito de ampliar o alcance da visão estratégica da polícia, uma das tendências em segurança é a implantação de câmeras em transportes públicos. Os equipamentos podem gravar imagens ao longo do dia para que, quando necessário, permitam identificar a ação de criminosos. Mas também já é possível visualizar tudo em tempo real.

Essa nova possibilidade se dá graças à evolução tecnológica. Hoje, as câmeras IP podem ser pequenas, com resolução Full HD, resistentes a tremores e choques para manter a imagem estável, e dotadas de compensação automática de variação de luz para gerar imagens de qualidade independentemente da iluminação.

A este exemplo somam-se as chamadas câmeras vestíveis, que podem ser inseridas nos coletes de policiais - algo essencial para a segurança durante manifestações ou grandes eventos, como serão as Olimpíadas este ano.

A ação policial também ganha com a implantação de câmeras dentro de viaturas, o que garante a transparências na prática cotidiana desses profissionais e pode gerar provas contra suspeitos.

5. Amadurecimento do conceito de monitoramento urbano – Existem mitos e falácias que só são desvendados com o tempo. Passados 20 anos da criação da câmera IP, é natural que haja um amadurecimento em relação ao retorno sobre o investimento. É cada vez mais claro, por exemplo, que quantidade de câmeras numa cidade não garante redução de crimes. Algumas cidades onde se instalaram câmeras perceberam que as imagens, sozinhas, não bastam. Por outro lado, existem cidades com um número limitado de equipamentos que conseguiram, em pouco tempo, diminuir a criminalidade. Como? Associando a tecnologia com um trabalho tático visando à otimização dos recursos humanos, ao compartilhamento das informações e a uma atuação conjunta entre setores público e privado, e mesmo entre diversos órgãos do setor público.

Existem outros pontos que pouco a pouco começam a ser mais observados. Algumas licitações já incluem, por exemplo, a realização de uma prova de conceito para verificar se as características técnicas anunciadas pelo fabricante correspondem ao desempenho real do equipamento. Isso é benéfico porque, muitas vezes, os produtos licitados oferecem bem menos do que prometem, e essas marcas são automaticamente excluídas do processo. Assim, o cidadão não compra gato por lebre.

Esse amadurecimento é natural na medida em que os gestores públicos observam o sucesso de algumas cidades no combate ao crime, em comparação com o fracasso de outras. Em meio a resultados díspares, o ano de 2016 mostrará que as melhores experiências em prol da segurança das pessoas derivam da combinação entre tecnologias avançadas e um compromisso dos gestores com a otimização de seus recursos e o uso estratégico das ferramentas disponíveis.

*Andrei Junqueira é gerente de Vendas e Novos Negócios da Axis Communications.