Negócios > Empreendedorismo, Estratégia, Gestão de Projetos, Startups

Cinco sinais de que seu projeto de startup pode fracassar

Empreendedores que fracassarem compartilham lições aprendidas e sinais de perigos iminentes que eles gostariam ter sabido antes

05 de Janeiro de 2016 - 11h35

Construir uma startup é um negócio arriscado. Para cada Facebook, Google ou Uber há centenas de companhias que já foram consideradas “brilhantes” e entraram na paisagem de tecnologia com louvores para depois sumir em questão de meses.

Verdade é que nós acabamos escutando menos sobre os fracassos do que os casos de sucesso. E isso é ruim, pois há aí lições importantes daqueles que tentaram e falharam.

Mas para nossa sorte, uma companhia de venture capital de base de dados chamada CB Insights tomou para si a tarefa de rastrear e compilar os vários e-mails postmortem, posts em blog e entrevistas com fundadores compartilhadas nos últimos dois anos. E cara, esse retrospecto conta com insights fascinantes.

Eu vasculhei todo o derramamento de lágrima, culpa e auto-flagelação para encontrar alguns dos temas mais reveladores destes contos tristes (deixando de lado as coisas óbvias como ficar sem dinheiro ou construir um produto que as pessoas rejeitaram).

E você pode reconhecer um desses sinais em uma startup que você conheça hoje. Ou, dado que projetos de TI são muitas vezes microstartups dentro de uma organização, você pode aprender uma lição ou duas sobre como não levar o seu projeto ao fracasso.

Sinal de Fracasso número 1: Você não tem um consistente e forte foco

Saber sobre o que é um negócio é tudo - sobretudo nos primeiros meses críticos quando uma startup está trabalhando para encontrar os seus pés. Se você vir um startup sem um foco forte - ou com um foco que continua a mudar ou expandir - talvez seja hora de começar a se preocupar.

É uma lição que numerosos fundadores aprenderam da maneira mais difícil. “Nós estávamos tentando fazer de tudo para todos”, escreve Yash Kotak, fundador da startup - que não viu seus melhores dias - Lumos. “Nós fazíamos interruptores que poderiam automatizar suas lâmpadas, ar-condicionados e aquecedores de água. Nós tentaríamos automatizar sua televisão, geladeira, fogão e até mesmo seu carro, caso achássemos viável fazê-lo”.

A questão, Kotak diz, não é que seja ruim perseguir vários ângulos; mas é mais seguro que você distribua seus recursos somente quando você estiver consolidado.

"Como uma startup, você tem recursos limitados", reflete. "Por isso, é sempre melhor identificar e resolver um problema muito bem, ao invés de resolver "n" problemas de uma forma tão vaga", indica Thor Fridriksson, da hoje extinta startup Pumodo, teve lutas semelhantes.

Como ele lembra, ele e seus colegas ficaram "presos ao hype", e cometeram o mesmo erro em ser medíocre em um monte de coisas em vez de ser excepcionalmente grande em um.

"Nosso plano de negócios foi mudando a cada semana", escreve Fridriksson. "Passamos de nos concentrar apenas no futebol para nos tornarmos um app para todos os esportes”, diz.

Sinal de Fracasso No. 2: Sua visão ficou fora de seu controle

A Blurtt começou como um lugar onde você podia pagar dois dólares para criar um cartão físico personalizado a partir do seu telefone para enviá-lo para alguém pelo correio.

Um ano depois, a startup mudou seu modelo para ser um serviço gratuito suportado por anúncios no verso de cada cartão impresso. Um ano depois, a empresa mudou novamente e se tornou uma "plataforma móvel de micro-presentes e cartões" - seja lá o que isso significa.

Logo depois, ela deixou aquela ideia de lado e tentou convencer pessoas a baixarem seu aplicativo para a criação de "blurtts" digitais que eram basicamente imagens com legendas baseadas em texto estampadas na parte superior. Resumindo, já vimos isso antes, não é mesmo?

“No final, a paixão e a mágica foram perdidas”, disse Jeanette Cajide, fundadora da Blurtt. "Lembre-se por que você começou em primeiro lugar e nunca a perca de vista, porque uma vez que se torna algo que você não se encontre feliz fazendo, você não deveria estar fazendo isso”, aconselha.

Por falar nisso, lembra do Secret? Era uma ferramenta de compartilhamento de mensagens anônimas que bombou entre os modernos do Vale do Silício por alguns minutos em 2014. Também era uma startup com dinheiro sério nas suas costas: foi avaliada em mais de US$ 100 milhões no seu auge. Mas todo esse dinheiro não poderia manter o app nos trilhos certos.

Depois de lutar para lidar com as queixas de bullying e haters sem fundamento - e enfrentando, simultaneamente, uma tendência preocupante de declínio no seu uso - a companhia fechou e devolveu seu dinheiro aos investidores após apenas 16 meses no mercado.

O Secret passou por várias evoluções ao longo do caminho, mudando sua concepção e filosofia para tentar resolver reclamações e manter todos felizes. No final, o seu cofundador, David Byttow, disse que a startup já não era a entidade que ele tinha a intenção de construir. “O Secret não representa a visão que tive quando iniciei a empresa", escreveu ele, "então eu acredito que fechá-lo é a decisão certa para mim, nossos investidores e nossa equipe."

Sinal de Fracasso No. 3: Você ainda não está pronto para o sucesso

Algumas startups têm ideias estelares, mas não têm os recursos ou know-how para executá-las. E - você adivinhou - essa combinação perigosa não cria exatamente um alicerce para o sucesso a longo prazo.

Pergunte a Martin Erlić, cuja startup UDesign passou de um promissor novo conceito para levar a antiga empresa ao espaço em um único ano.

A ideia parecia sólida: a UDesign era um app que tornaria simples criar sua própria estampa para usá-la em uma peça personalizada de roupa. Legal, certo?

Mas em vez de contratar programadores experientes, Erlić e seus parceiros decidiram fazer o trabalho sujo eles mesmos. "O que acabou acontecendo foi que gastamos tudo o que poderia ser gasto para polir o produto em marketing" ele explica. "Pensamos que poderíamos enganar as pessoas agora e melhoraríamos isso mais tarde. Errado”.

Lição que fica? Não ser realista é um grande obstáculo a superar.

Sinal de Fracasso No. 4: Você construiu seu negócio em uma mina legal

Quando você brinca com o fogo, é bem provável que você vai se queimar, certo? Pode parecer óbvio, mas uma enorme quantidade de startups se desintegraram em colapsos gerados “pelo calor”.

Os exemplos mais proeminentes giram em torno de problemas relacionados a direitos. Tome a Grooveshark como exemplo, uma startup para descobrir músicas que conseguiu durar impressionantes 10 anos antes de seus descuidos legais a apanharem.

"Apesar de termos a melhor das intenções, nós cometemos erros muito graves", a empresa admitiu em um memorando não assinado na ocasião do desligamento. "Nós não conseguimos garantir licenças de titulares de direitos para a grande quantidade de músicas no serviço. Isso foi errado."

O acordo de pagamento da Grooveshark com gravadoras a forçou não apenas desligar o serviço e limpar todos os servidores da empresa, mas também deixar para trás tudo o que possuía - o próprio site, juntamente com todos os aplicativos, patentes e direitos autorais.

"Os desafios técnicos são agravados pela natureza litigiosa da indústria da música, o que significa que cada vez que tivéssemos qualquer crescimento significativo, estava também acoplada a atenção imediata das gravadoras na forma de e-mails legais aos assinantes do serviço", explicaram os fundadores da empresa.

Sinal de Fracasso No. 5: O seu produto depende do serviço de outra pessoa

Chame-o de "ponto único de fracasso” caso o seu negócio depender do serviço de outra pessoa para existir.

Resumindo: você está praticamente pedindo para ter problemas. Nós vimos histórias de diversas startups que engataram seus vagões no Twitter só para ver depois seus tapetes virtuais puxados para debaixo dele com pouco ou nenhum aviso.

O exemplo mais recente é o Twitpic: o serviço de compartilhamento de imagens - que uma vez já foi vital - entrou em confronto com ambições de crescimento do Twitter e viu-se imerso em uma batalha que não podia ganhar.

De acordo com a empresa: “O Twitter contactou nosso departamento legal exigindo que nós abandonássemos o nosso pedido de marca ou corríamos o risco de perder o acesso ao seu API. Isso veio como um choque para nós desde que o Twitpic existe desde o início de 2008 e nosso pedido de marca vem desde 2009”.

Outros fundadores também se viram diante de uma meia-volta com o Facebook, como a Lookery - uma empresa de marketing cuja moeda girava em torno de dados da rede social.

"Nós nos expomos a um enorme ponto único de fracasso”, declarou o co-fundador Scott Rafer. "Como era previsível e razoável, o Facebook atuou no seu próprio interesse, em vez do nosso”. Rafer diz que sua startup "poderia e deveria ter" usado seus recursos para estabelecer algum nível de independência em vez de investir ainda mais na plataforma do Facebook - um sentimento semelhante ao expresso por PostRocket, uma empresa que se propôs a ajudar os clientes a alcançar mais fãs no quintal virtual de Zuckerberg.

Mesmo que uma startup não se feche inteiramente, tentando se manter com os requisitos inconstantes de sua evolução, isso pode tomar recursos significativos - o que é especialmente desafiador quando o financiamento é limitado.