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Cinco passos para Uberizar sua empresa

Estamos na era digital e tudo é possível. Existe uma enorme janela de oportunidade para inovar. Quem vai ser o Uber do seu setor?

28 de Janeiro de 2016 - 08h00

Está bom. Concordo contigo. O dólar está acima de R$ 4, a tendência é o PIB não crescer novamente e aquele projeto multimilionário que você encabeçava em sua empresa ficar guardado na gaveta. Mas será que não tem saída mesmo? Será que teremos um ano morno nos negócios? Afinal de contas, o copo está meio vazio, ou meio cheio?

Do ponto de vista dos inovadores, dos startupers, dos corporative-hackers, esse será mais um ano super excitante. Existem muitas oportunidades em todas as áreas. Imagine a quantidade de processos antigos a serem mudados, a quantidade de novos canais de vendas a serem criados, quantos momentos de interação com seus clientes finais podem deixar de serem “hunff...” e passar a serem “WOAAAUUUUHHH!”.

Estamos na era digital. Tudo é possível. Todas empresas já notaram que existe uma enorme janela de oportunidade para inovar. Todos se questionam:

- Quem vai ser o Uber do meu setor?

Mas como se mover rapidamente para a disrupção digital de seu próprio negócio? Ou, para ser mais cool, como alavancar seu unicórnio coorporativo?

1. Encontre os malucos. Toda mudança começa com as pessoas. Elas são as centelhas iniciais da fogueira da inovação. Certamente sua empresa tem seus inovadores malucos. Aqueles que veem formas diferentes de fazer as coisas, ou coisas diferentes a serem feitas.

É importante estar claro na organização que pensamentos e pensadores inovadores são benvindos. É fundamental que essas pessoas se sintam livres para criar. Valorizar os malucos que acreditam na mudança é o passo inicial para realmente gerar a inovação.

2. Coloque-se nos sapatos de seus clientes e repense sua experiência. Grande parte das interações que as empresas hoje em dia fazem com seus clientes foram desenhadas, planejadas, criadas numa era que não existia tecnologias como smartphones e computação cognitiva.

A experiência do usuário é um dos pilares da inovação do Uber. Repensar a completa jornada de um usuário de transporte urbano, desde a solicitação do carro, passando pela experiência dentro do carro (Aceita uma bala? Quer uma água?), até a finalização da corrida faz total diferença. E o seu usuário? E o seu cliente? Qual experiência sua empresa proporciona? Você transfere ao seu cliente trabalhos burocráticos que deveriam ser feitos por sua empresa? Quão fluida é a experiência que você proporciona?

3. Pense com a cabeça de um adolescente. Sim, é difícil, mas faça uma forcinha. O adolescente de hoje em dia é um ser digital. Ele não quer saber de computadores, o mundo está no celular, o mundo está nos Apps. Telefonar é coisa do passado. Mandar e-mail é coisa do passado.

Sua empresa vai precisar estar preparada para atendê-los como clientes muito em breve. Como vai ser esse atendimento? Como vai ser sua comunicação? Minha dica é cair logo de cabeça no mundo mobile. Mobile First. Pense primeiro em desenvolver para mobile, sempre.

4. Interaja com o ecossistema de startups. Existe muito que pode ser aprendido com as startups. A fusão da cultura startup com as corporações tem trazido muitas vantagens para as grandes empresas. A forma de pensar sem amarras e processos das startups leva as corporações a repensar processos burocráticos.

Conceitos de desenvolvimento de produtos baseado no MVP (minimum viable product) quebra paradigmas corporativos que forçam que cada novo produto deva seguir longos e dispendiosos processos. A facilidade com que as Startups criam protótipos mostra que nada é impossível. As grandes empresas estão criando laboratórios de inovação e participando de hackathons. Executivos estão mentorizando startups. Eu sou mentor de startups e posso garantir que é uma experiência fenomenal.

5. Execute, execute, execute. O que vale no final das contas é o resultado. O resultado só existe com uma ação. Coloque em prática a inovação. Você pode começar criando um grupo de inovação. Uma ideia é lançar um desafio de negócios do tipo: “Como melhorar a experiência de compra de nossos clientes?”, ou “Como alavancar novas vendas via mobile”, ou “Como penetrar em um novo segmento de clientes com o produto A”.

Com o desafio lançado, junte os malucos de sua empresa, rode sessões de design thinking, convide startups para participar e proponha que a solução precisa ser um App. Nos últimos 8 casos desse tipo que participei surgiram ideias fenomenais.

Volto a perguntar, o copo está meio vazio, ou meio cheio? Para mim, está transbordando de cheio! Mãos a obra.

*Henrique von Atzingen é executivo de Mobilidade da IBM Brasil. Twitter: @hvon