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Cidades mais inteligentes são sinônimos de prosperidade

Políticas governamentais devem, cada vez mais, levar em conta o uso intensivo e integrado de novas tecnologias nas ações de transformação digital das cidades

06 de Novembro de 2017 - 11h51

Segundo o Banco Mundial, 85% das pessoas vivem em centros urbanos ao redor do mundo, e o constante deslocamento rumo às cidades tem desafiado administrações públicas na condução de políticas que equilibrem finanças e prestação de serviços de qualidade aos habitantes. Mobilidade urbana, iluminação, limpeza e saúde pública, gestão de ativos e propriedades de uma prefeitura, entre outras áreas, ainda causam desperdício de recursos públicos e privados que poderiam ser reduzidos com a adoção mais intensiva de tecnologia.

Computação em nuvem, Internet das Coisas (IoT), análise de grandes volumes de dados, aplicativos móveis e computação cognitiva, quando usadas em conjunto, facilitam a adoção de uma política pública de transformação digital para desburocratização de processos, redução de custos de manutenção, aumento na agilidade da prestação de serviços e transparência da informação aos cidadãos. Essa facilidade se deve ao fato de que, recentemente e cada vez mais, provedores dessas tecnologias conseguiram integrá-las em uma única plataforma.

A computação em nuvem fornece escalabilidade a sistemas, permitindo que as cidades possam traçar um plano de transformação digital gradativo. A Internet das Coisas entra como o principal pilar na digitalização dos inúmeros eventos que ocorrem nas cidades, transformando-os em dados que podem ser processados por computadores. A análise desses dados possibilita a geração de conhecimento relevante para os administradores, além de capacitá-los para o processamento de grandes volumes de dados para correlação, disparo de alertas, predição e antecipação de problemas, permitindo a tomada de ações corretivas ou de contorno. Os aplicativos móveis utilizados por cada um de nós permitem que nos comuniquemos com os serviços públicos de forma menos burocrática e, em um futuro próximo, por meio da computação cognitiva, poderemos nos expressar por meio de texto, voz e imagens.

Imagine os vários elementos de uma cidade instrumentados e conectados. Como seria? Ônibus, táxis e trens enviando seus dados de localização, permitindo que passageiros aprimorem seus deslocamentos diários com o uso de aplicativos móveis. Nesse cenário, a abertura e fechamento de semáforos seriam alterados com antecedência pela medição da fluidez de veículos em tempo real. Agentes de trânsito conseguiriam bloquear cruzamentos ao serem alertados que um veículo de resgate passará por suas rotas ou mesmo uma lâmpada de rua queimada em frente a uma universidade seria um motivo para que a polícia fosse notificada imediatamente para garantir a segurança dos estudantes.

 

A prosperidade pode ser entendida como uma característica daqueles que são bem-sucedidos e está geralmente associada ao aproveitamento de oportunidades propícias ao desenvolvimento, abundância de recursos, geração de riqueza, êxito e felicidade. O objetivo primordial de uma cidade é ser próspera, cabendo aos seus líderes a geração dessas oportunidades. Muitos centros urbanos ao redor do mundo não nasceram prósperos, mas evoluíram para isso com a mudança de comportamento em suas administrações, que passaram a enxergar novas tecnologias com aliadas na gestão pública. Políticas governamentais devem, cada vez mais, levar em conta o uso intensivo e integrado de novas tecnologias nas ações de transformação digital desses locais, para que ofereçam melhores serviços aos cidadãos gerando, como consequência, uma prosperidade coletiva.

*Fabio Cossini é arquiteto de TI da IBM Brasil.