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Ciberataque de proporções gigantescas poderá abalar grandes economias globais, prevê estudo

Os alvos mais prováveis são países com economias altamente conectadas globalmente e disputas geopolíticas, tais como Alemanha, Japão, Coreia do Sul, EUA e países que formam o CCG, aponta relatório da AT Kearney

15 de Março de 2017 - 19h16

Um estudo recente publicado pela AT Kearney, consultoria global em gestão de negócios, revela que a escala de ciberataques irá aumentar significativamente neste ano e uma grande economia global sofrerá um ataque de grandes proporções que abalará sua infraestrutura crítica de negócios.

Os alvos mais prováveis são os países com economias altamente conectadas globalmente, que tenham uma extensa e avançada infraestrutura de internet e disputas geopolíticas, tais como Alemanha, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e os seis países que formam o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).

Estima-se que mais de 1 milhão de ataques cibernéticos ocorrem todos os dias, e o número de vulnerabilidades continua a aumentar drasticamente. Ataques são feitos rotineiramente contra governos, dispositivos pessoais, bancos e corporações. Não surpreende que diante de tal cenário, a pesquisa anual com executivos de negócios globais da AT Kearney, denominadaViews from the C-Suite 2016”, aponte um aumento dos riscos com segurança cibernética e como um dos maiores desafios para o ambiente de negócios.

O relatório cita o ataque distribuído de negação de serviço (DDoS), ocorrido em outubro do ano passado, à fornecedora de infraestrutura para internet Web Dyn, que tirou do ar centenas de sites populares, incluindo o Twitter, Amazon.com, Netflix, PayPal e muitos serviços de notícias nos Estados Unidos. Outros ataques cibernéticos significativos ocorreram recentemente em Israel, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Rússia e em outros países.

O estudo ressalta que, com a rápida proliferação de dispositivos de Internet das Coisas (IoT), que permearão quase todos os aspectos da vida moderna — de apps para casas inteligentes que conectam à internet de termostatos e refrigeradores a câmeras de segurança —, o mundo se tornará cada vez mais conectado e, portanto, cada vez mais vulnerável a ataques cibernéticos (veja Figura 1).

Para este ano, a previsão da consultoria é que a escala de ataques cibernéticos aumente, com risco de paralisar a infraestrutura crítica da economia global. Os alvos mais prováveis são os países que possuem ampla e avançada infraestrutura de internet e inimigos geopolíticos, tais como Alemanha, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e os seis países que formam o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).

A AT Kearney prevê que o ataque terá um nível de sofisticação tal para selecionar apenas estados-nação definidos como alvo. Com a tendência de o mundo se tornar cada vez mais tripolar, com os blocos transatlântico, eurasiático e do Oriente Médio, é provável que a Rússia, China, Irã ou Coreia do Norte sejam fontes de um grande ciberataque, embora a autoria do crime será quase impossível de ser determinada. O ataque provavelmente terá como alvo redes de distribuição e transmissão de energia elétrica e outros sistemas críticos.

O ataque a redes elétricas provocará apagões generalizados, o que perturbará as operações de negócios nas áreas afetadas e possivelmente levará ao vandalismo e saques a lojas e supermercados. Se o ataque ocorrer em um grande centro financeiro, ele também vai interromper sistemas de pagamentos internacionais por períodos curtos de tempo. Ou seja, um ataque dessa natureza irá causar bilhões de dólares em prejuízos e aumentará o risco propagação num futuro próximo, desestabilizando o ambiente de negócios e a economia.