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Chegou a hora dos dados gratuitos?

A chave para as operadoras ganharem dinheiro é vender outros serviços além da conectividade de dados

07 de Julho de 2017 - 15h49

Em seu discurso de abertura no Congresso GSMA Mobile World, em Xangai, Andrew Penn, CEO da Telstra, disse que as operadoras precisam se preparar para a queda dos preços dos dados do consumidor, até o ponto em que o preço poderia chegar a zero nos próximos cinco a dez anos. Nesse sentido, percebo o surgimento potencial de uma sociedade móvel Tier2, na qual o usuário não pagaria pelo tráfego de dados mas teria alguns limites e uma QoS mais baixa em períodos mais movimentados. Porém, há espaço também para a continuidade de uma parcela Tier1 pagando por dados e recebendo em troca um serviço sofisticado com conteúdo premium, prioridade em horários de maior uso, além de grande velocidade e desempenho no uso da rede.

Em seu discurso, Penn destacou a necessidade das operadores manterem-se relevantes e "evitarem cair na cadeia de valor". A chave para as operadoras ganharem dinheiro é vender outros serviços além da conectividade de dados. Ele também apontou que as operadoras podem aprender muito com empresas baseadas na internet, como a Netflix, quando se trata de oferecer serviços amigáveis ​​ao cliente com preços claros e transparentes. 

Falando de transparência e preços, nada parece ser mais claro do que a gratuidade, e serviços gratuitos estão na vanguarda da “cabine telefônica do futuro", anunciada pela BT recentemente, na qual a operadora está eliminando cabines telefônicas públicas e irá implantar quiosques inteligentes do InLink UK. Eles oferecerão Wi-Fi gigabit público gratuito, chamadas telefônicas gratuitas no Reino Unido, carregamento de dispositivo USB e uma variedade de outros serviços digitais, como informações locais. Esses serviço serão fornecidos como parte de uma parceria entre a BT, a Intersection (LinkNYC – operadora de quiosque de Wi-Fi público suportado pela Google em Nova York) e a empresa de publicidade Prilesight. 

Quanto à questão de ganhar dinheiro, isso não virá de serviços de telecomunicações — a principal fonte de receita desses quiosques será de publicidade. Existe também o potencial de vender dados, já que os quiosques podem ter sensores para monitorar as condições ambientais, como a qualidade do ar e o tráfego de carros, por exemplo. A boa notícia é que as tradicionais cabines telefônicas vermelhas não desaparecerão totalmente. A BT também anunciou uma campanha para "adotar um quiosque" com objetivo de permitir que as comunidades mantenham e gerenciem, de forma local, suas cabines telefônicas vermelhas.

Dados gratuitos, venda de serviços de terceiros e trabalho com parceiros, como anunciantes, na cadeia de valor. Parece ser uma tendência sobre a qual estamos falando há anos, mas agora está se tornando realidade. 

*Martin Morgan, é Vice-President de Marketing da Openet.