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CEO da Nutanix: "Toda infraestrutura será hiperconvergente em 3 anos"

Em entrevista exclusiva à IDG, o fundador e CEO da Nutanix, Dheeraj Pandey, afirma: "nossos rivais correm atrás dos nossos calcanhares"

20 de Novembro de 2017 - 12h42

A Nutanix quer dominar o mundo da hiperconvergência da infraestrutura e dos produtos definidos por sofware. Criada em 2009, a empresa de software de cloud computing que aposta na hiperconvergência (HCI, ou Hyperconverged infrastructure) para simplificar a infraestrutura de computação e armazenamento abriu seu capital há um ano e hoje vale cerca de US$ 2,2 bilhões, depois de ter captado US$ 278 milhões em seu IPO.

Um dos fundadores da Nutanix, Dheeraj Pandey, atualmente CEO e chairman da companhia, concedeu uma entrevista exclusiva à CIO India no final de outubro. Pandey fala sobre o primeiro ano da Nutanix como empresa de capital aberto, o futuro da nuvem corporativa, os concorrentes, o crescimento da hiperconvergência e a inteligência artificial nas empresas.

Pandey acredita que a nuvem já não é mais um mito no ambiente corporativo e que o hardware proprietário está praticamente morto. Para o fundador da Nutanix, tudo pode ser, realmente, definido por software e em 3 anos toda infraestrutura será hiperconvergente. Ele desafia os concorrentes: "nuvem híbrida não é fácil". 

[Como parte de sua estratégia global, no próximo dia 30 de novembro a Nutanix realiza em São Paulo seu evento .NEXT on Tour, para disseminar o conceito de hiperconvergência como futuro da nuvem corporativa. Como convidados internacionais a empresa traz Jason Langone, diretor sênior global de vendas de software da Nutanix, e Andreas Hurtado, vice-presidente da América Latina, além da presença do diretor geral para o Brasil, Leonel Oliveira.]

Abaixo você confere os melhores trechos da entrevista de Dheeraj Pandey:

CIO India: A adoção da hiperconvergência nas empresas acelerou mais em dois anos?

Dheeraj Pandey: A adoção da HCI sem dúvida tem sido muito rápida. É provavelmente a arquitetura de mais rápido crescimento na história da indústria de TI - mais que cliente-servidor, mais que a plataforma x86, mais que a virtualização. Quando a VMware era do nosso tamanho, eles mal conseguiam tocar nos workloads de Oracle e SAP. A Nutanix hoje carrega toneladas de workloads de SAP e Oracle na infraestrutura de nossos clientes. Estamos mirando o coração das corporações e nosso time está sabendo transformar de forma simplificada a velha infra de TI em uma plataforma Nutanix de nova geração. Boa parte das companhias da lista das 500 maiores está olhando para instalações de Nutanix rodando SAP. Isso nunca aconteceu quando os paradigmas do mundo da tecnologia mudaram há dez anos.

CIO India: Mas há muita confusão em torno do que vem a ser HCI, especialmente com tantos players de tech correndo atrás da hiperconvergência, como CISCO, HPE, Dell e Lenovo?

Dheeraj Pandey: Sempre que algum novo conceito ganha credibilidade no mercado, especialmente em um mercado tão veloz quanto o de tecnologia, aparecem concorrentes querendo morder os calcanhares do líder. Em 2011, todos tinham certeza de que a Apple jamais causaria problema no mercado corporativo. Os gigantes do mercado tradicional de PCs corporativos fizeram tablets com Palm OS, HP WebOS, Cisco Cius, só para citar alguns. A Dell tentou fabricar smartphones...

Quando alguma coisa chama atenção e um líder cria mercado, os seguidores vão atrás acreditando que eles têm controle das coisas. Mas não é assim que os consumidores e as empresas jogam hoje. A cloud trata de uma consumerização massiva da corporação. As empresas não olham mais para os fornecedores tradicionais acreditando que aquele que entregou um servidor no ano anterior vai ser capaz de entregar a cloud no ano seguinte.

CIO India: A nuvem híbrida da Nutanix ainda não é a escolha primária de CIOs e IT leaders contra players mais conhecidos como AWS, Microsoft e VMware. Como vocês vão virar isso?

Dheeraj Pandey: Ainda é muito cedo para falar ou comentar, especialmente porque a nuvem híbrida ainda está na fase de "rito de passagem". Ninguém conhece a nuvem híbrida em sua totalidade hoje e se alguém disser que conhece está blefando. A ideia ou o conceito de fazer duas coisas (privada e pública) parecerem e trabalharem como uma só é uma jornada de cinco anos pelo menos, em inovação, ciência da computação, criação de sistemas, para fundir dois designs, duas nuvens em uma experiência. Nuvem Híbrida não é uma coisa fácil, leva tempo para construir a estratégia correta e instalar.

A boa notícia, no entanto, é que todo mundo agora está convergindo para o conceito. Quando começamos a hiperconvergência ninguém estava convencido de que o conceito poderia ser executado de forma diferente. Honestamente, um grande pedaço da nuvem híbrida hoje está exatamente onde a infraestrutura convergente estava cinco ou seis anos atrás. 

Na época, quando o conceito da Nutanix era visto como brinquedo ou projeto de ciências, nosso time tinha absoluta convicção de liderar o espaço do HCI. A Nutanix está focada em entregar a nuvem híbrida corporativa para as empresas poderem habilitar seus times de TI a se focarem mais em apps e serviços que empoderam seus negócios. E nossa tecnologia ajuda as empresas a alavancar o poder da nuvem híbrida com Um SO, Um Click (One OS, One Click).

CIO India: Como desmistificar o jargão da HCI para CIOs e tomadores de decisão de TI? O que eles devem fazer ou evitar?

Dheeraj Pandey: Avance a passos de bebê. Rompa com o status quo. Pense no que significa a nuvem chegar até você. A palavra hiperconvergência sozinha é como as palavras celular e smartphone. Todo smarphone é chamado de celular hoje, não tem mais a diferença. A HCI vai sumir quando toda infraestrutura for uma infraestrutura hiperconvergente, nos próximos três anos. 

Os CIOs e IT leaders precisam se preocupar muito é com Opex, apostar mais em automação, entender o valor de machine learning (para fazer as máquinas trabalharem mais com máquinas do que humanos trabalharem com máquinas) e, finalmente, fazer com que toda a infra de TI esteja segura.

CIO India: Quais as prioridades da Nutanix para os próximos anos? O que vocês veem no horizonte da computação corporativa?

Dheeraj Pandey: Continuar a agradar o Main Street (clientes, parceiros e funcionários)  é a grande prioridade. Em segundo lugar, manter o foco em alegrar Wall Street. Esses dois lados são simples de entender, extremamente poderosos e muito simples.

A ideia de que a cloud vai tornar-se mais descentralizada do que pensávamos é fundamental. A nuvem moderna será distribuída e descentralizada. A segunda trincheira é o fato de que o hardware proprietário está praticamente morto. As organizações vão usar hardware proprietário exceto nas suas nuvens. O valor dos provedores de cloud em construir hardware está escondido atrás de um serviço. O hardware não mais será vendido e entregue como uma coisa de propósito único. Isso me lembra como a inovação impactou o mercado de câmeras DSLR. As empresas que não conseguiram ver a tendência da câmera como um app e as fotos digitais ficaram lá atrás na curva. O conceito de que tudo pode ser definido por software é real. Tudo é app nas empresas, assim como é na vida pessoal.

Também estamos esperando revoluções na próxima geração de silício, como a nanotecnologia, que deverá nos levar pelas próximas duas décadas para uma inovação de saltos quânticos no mundo da tecnologia.

Inteligência Artificial é como o oxigênio para as pessoas. A automação da TI beneficia a maior parte das empresas. I.A. não é um fim, mas um meio para chegar a um fim. Difundir a I.A como cultura para desenvolvedores e arquitetos e reduzir a intervenção humana usando máquinas está se tornando popular. Os humanos serão necessários para decisões de alto nível. Os processos cognitivos do cérebro humano são milhões de vezes mais complexos e evoluídos que uma máquina pode simular e por isso as máquinas deveriam executar trabalho rotineiro, que vai ser redefinido regularmente, porque tudo muda.

CIO India: Como está a Nutanix, um ano após ter aberto capital? Algum susto no meio do caminho?

Dheeraj Pandey: Já passaram quatro trimestres desde a abertura do capital, Nossas ações abriram comercializadas a preço inicial de US$ 16. Desde então estamos em média 30% acima do preço listado. Toda companhia que abriu seu capital passa por uma fase de dois anos em que os mercados precisam aprender a vê-la com confiança. Esse é um processo de cinismo saudável do mercado de ações e estamos na metade dessa jornada. A nossa resposta tem sido consistência na execução da estratégia, performance, e foco no crescimento como líder em HCI. Trabalhamos para ganhar a Main Street e deliciar Wall Street.

SERVIÇO:
Evento: Nutanix .NEXT on Tour - São Paulo
Data: 30 de setembro, das 8h00 às 12h30
Local: Hotel Renaissance - São Paulo - SP
Inscrição gratuita: Acesse o site para cadastro e agenda